sábado, 28 de maio de 2016

Os "envelopes patrióticos" (patriotic covers).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), as comunicações postais foram uma plataforma de comunicação importante. Desde cedo, elas não se limitaram à circulação de mensagens e objetos entre as populações civis e as forças combatentes. Os selos postais, os carimbos e os envelopes, por exemplo, foram meios através dos quais a motivação para o combate foi estimulada entre civis e militares, tanto para os Aliados quanto para o Eixo.

Os "envelopes patrióticos".

Nos Estados Unidos e no Commonwealth foi comum a produção e a circulação de um tipo de envelope, genericamente denominado "patriotic covers" ("envelopes patrióticos", em uma tradução livre para o português). Grosso modo, são envelopes ilustrados com desenhos feitos à mão ou impressos com temas patrióticos, em defesa da causa aliada contra os países do Eixo. Estima-se que, nos EUA, entre 1939 e 1945, foram produzidos 12 mil tipos diferentes de "envelopes patrióticos", por seiscentos artistas [1]. Durante a 61a. venda sob oferta, a empresa Neumann Filatelia ofereceu um lote (18.308) com cinco envelopes patrióticos circulados entre as cidades de New Waterford (Canadá) e Porto Alegre (Rio Grande do Sul) [2]. O lote foi arrematado pelo autor e será descrito, contextualizado e publicado a partir desta postagem.

Descrição do envelope.

Patriotic cover circulado entre as cidades de New Waterford (Canadá, 22/05/1944) e Porto Alegre (Brasil, 02/08/1944). Carta registrada e com franquia mista de 14 Centavos de Dólar Canadense. Trânsito pelas cidades canadenses de Ottawa (24 e 25/05/1944) e Montreal (26/05/1944). Correspondência aberta e verificada pela censura postal canadense.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Notas:

[1] - SWAIN, Steve. World War II patriotic covers ans postmarks - Pennsylvania philatelic novelties. Pennsylvania postal historian, v.42, n. 3, p. 19-20, ago. 2014.
[2] - NEUMANN FILATELIA. 61a. Venda sob ofertas: 07 de maio de 2016. s.n.t., p. 146.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Eu coleciono selos postais há muito tempo. Uma das inúmeras lições que aprendi ao longo dos anos, é que há itens que eu tenho certeza que vou encontrar. Trata-se, de uma questão de dinheiro ou de tempo. Porém, existem coisas que eu nunca imagino que irei encontrar.

Recentemente, minha esposa e eu visitamos a cidade de Lisboa, em Portugal. Era o final de uma tarde de Segunda-Feira e voltamos cedo de um passeio em Sintra. O hotel onde estávamos hospedados ficava próximo a uma filatélica chamada Filatelia do Chiado. Eu pretendia visitá-la durante a manhã do dia seguinte, contudo, como ainda era cedo, por volta de 17 horas, resolvi antecipar minha visita e ver o que os seus proprietários tinham a oferecer em selos e, principalmente, itens de história postal.

Fui muito bem atendido por uma senhora que, rapidamente, me passou algumas caixas com bilhetes, cartões e envelopes circulados diversos. Enfim, caixas com dezenas de itens circulados de vários temas e naturezas, coisas para "garimpar". Após uma hora vasculhando aquelas caixas, encontrei um belo bilhete postal brasileiro circulado. Segundo a catalogação feita por Peter Meyer (2012), é o BP - 149, lançado em fevereiro de 1935 e pertencente à série denominada "Desenho Fantasia Marajoara e Flores".

O destino do bilhete postal era a capital alemã, a cidade de Berlim. Porém, o município onde ele foi despachado foi uma grande surpresa. Sobre o bilhete, foi fixado um selo postal regular, no valor de 400 Réis, como uma franquia complementar, sendo aplicado sobre ele,  um carimbo datador, limpo e nítido, que chamou a minha atenção. Curioso, olhei melhor e me deparei com o nome Joinville! Um tanto incrédulo, olhei o verso do bilhete, sobre o qual uma curta mensagem em língua alemã foi manuscrita, e confirmei sua origem: "Joinville, 26 de fevereiro de 1938".

Caramba, o mundo não é pequeno, mas nanoscópico! Eu atravessei o oceano Atlântico para, em uma casa filatélica em Lisboa, encontrar um bilhete postal circulado entre a minha cidade, Joinville, e Berlim. O remetente é um certo Nivaldo Detori, na época, residente na Rua Visconde de Taunay, número 299. Poxa, passei a minha adolescência naquela rua! De volta ao hotel, contei o fato à minha esposa. Ficamos um bom tempo especulando como que este bilhete postal acabou indo parar em uma loja filatélica em Portugal. Uma boa conversa, acompanhada com um bom vinho português.

Figura 1: bilhete postal circulado entre as cidades de Joinville (Brasil, 28/02/1938) e Berlim (Alemanha, 01/04/1938). Correspondência simples, com franquia adicional de 400 Réis. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do bilhete postal, sobre o qual foi manuscrita uma curta mensagem em língua alemã. Durante a década de 1930, era comum nas cidades brasileiras de colonização alemã, os usos escrito e oral do idioma alemão. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Referência citada:

MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda, 2012.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

As revoltas na Silésia.

A invasão alemã à Polônia, em 1. de setembro de 1939, é considerada o começo da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Entretanto, os conflitos entre poloneses e alemães são anteriores à invasão e estão relacionados às demandas históricas na região e às transformações políticas sofridas no leste europeu, após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918.

Entre 1919 e 1921, ocorreram, na região da Alta Silésia, três grandes revoltas contra o domínio alemão sobre a região, na esperança de torná-la independente para uni-lá à Polônia. As "Revoltas na Silésia", como são conhecidas em língua portuguesa, fazem parte da memória e da história polonesas, sendo motivos de orgulho nacional. Porém, durante o começo da Segunda Guerra Mundial, elas serviram de mote para inúmeras chacinas praticadas pelos Einsatzgruppen da SS na Polônia.

Segundo o historiador Christian Ingrao (2015, p. 182):

"[...] a campanha da Polônia não é uma simples retomada das hostilidades; os grupos decerto perseguem os veteranos amotinados de 1919 [1920 e 1921] na Silésia e na Posnânia, mas essa prática tem naturalmente uma dimensão utilitária. Reprimir os ex-ativistas poloneses do movimento de 1919 é prevenir a formação de movimentos nacionalistas de resistência clandestina, é matar na semente toda veleidade de retomada do Volkskampf pelos poloneses".

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Selo postal comemorativo emitido pelos correios da Polônia, em 1971 (Scott # 1808) em comemoração ao aniversário de 50 anos da terceira revolta na Silésia (50 Rocznica III Powstania Slaskiego).


Referência:

INGRAO, Christian. Crer & destruir: os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.

sábado, 28 de novembro de 2015

Carte postale pour les Prisonniers de Guerre.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), os correios militares não transportaram somente correspondências de militares nas frentes de combate. A circulação de bilhetes e cartas de prisioneiros de guerra também fez parte dos serviços postais de campanha ao longo do conflito. Genericamente conhecidas como POW (Prisoner of War), as correspondências despachadas dos campos de prisioneiros são um aspecto significativo dos correios em tempo de guerra.

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Bilhete postal para prisioneiros de guerra (POW) circulado entre a cidade de Tashkent (Uzbequistão, 02/12/1915) e Ferenczhalom (Hungria - sem data de chegada registrada). Durante a Primeira Guerra Mundial, funcionou, nos arredores da cidade de Taskent, um grande campo de prisioneiros austríacos e alemães, capturados pelo Império Russo. Logo, é certo que o remetente deste bilhete estivesse prisioneiro neste campo. Na época, Tashkent fazia parte de um território conhecido como Turquestão Russo. Correspondência simples, isenta de selo postal e com dupla censura (russa e austríaca). A censura postal russa foi realizada na agência postal de Tashkent e foi confirmada através da aplicação de um carimbo manual oval roxo, com as seguintes informações: "Turkestan Local Military Censorship Commission", em uma tradução livre para o inglês. Já a censura postal austríaca, representada através de um carimbo triangular vermelho, foi realizada na cidade de  Viena, capital austríaca.

Figura 1: frente do bilhete postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

domingo, 22 de novembro de 2015

O Serviço Postal da Força Expedicionária Brasileira - FEB.

Força Expedicionária Brasileira - FEB foi uma força combatente terrestre criada em 1943, no contexto do envolvimento brasileiro com a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Com um total de pouco mais de 25 mil homens, a FEB participou de operações militares na Itália, entre 1944 e 1945 (MAXIMIANO e BONALUME NETO, 2011).

O Serviço Postal da FEB foi criado em 29 de abril de 1944, através do Boletim do Exército número 18. Ele funcionou de maneira intensa até sua desativação, em 1945. Segundo o historiador Marcos Antonio Tavares da Costa (s.d.), foram enviadas da Itália pelos expedicionários mais de 1.400.000 correspondências, em uma média aproximada de 100 mil cartas despachadas por mês. Ainda neste autor, também existiram bilhetes postais com textos prontos para o uso de militares analfabetos.

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Envelope circulado entre a Companhia de Serviços do 1. Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira (FEB 304) e o Rio de Janeiro (Brasil). Carta simples, isenta de selo postal e circulada pelo Serviço Postal da FEB. Carimbos datadores aplicados em 16/04/1944 e 02/01/1945. Correspondência verificada e liberada pela censura postal da FEB. Curiosidade: o remetente, Soldado Walter Gomes Viana, embarcou para a Itália, em 22/09/1944. Porém, foi evacuado do teatro de operações, em 07/05/1945, conforme dados fornecidos pelo Arquivo Histórico do Exército - AhEx.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Referências.

COSTA, M. A. T. A censura postal militar: a política do Estado Novo na correspondência de guerra da FEB. s.n.t.

MAXIMIANO, C. C.; BONALUME NETO, R. Brazilian Expeditionary Force in World War II. Oxford: Osprey Publishing, 2011.

sábado, 14 de novembro de 2015

De Lion para Varennes-en-Argonne.

A Filatelia foi a minha primeira "janela para o mundo". Através dos selos postais, aprendi geografia e história, conheci culturas e ensaiei as minhas primeiras frases em alemão e inglês. Saudações filatélicas aos colecionadores franceses e minha solidariedade à vocês pela violência que sofreram.

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Cartão postal circulado entre as cidades francesas de Lion (03/03/1925) e de Varennes-en-Argonne (04/03/1925). Correspondência simples, com franquia isolada de 15 Centavos de Francos, moeda corrente na França da época. Obliteração mecânica, com uma flâmula de propaganda a respeito da "Feira Internacional de Lion", realizada entre 2 e 15 de março. O cartão postal é ilustrado com uma fotografia acerca da própria "Feira de Lion" (Foire de Lyon), em que aparecem as fachadas dos seis primeiros pavilhões de exposições. Ele foi produzido pelo estúdio fotográfico Goutagny, em Lion.

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


sábado, 31 de outubro de 2015

De Lorch para Madrid.

O envelope que ilustra esta postagem é mais um exemplo dos diversos tipos de carimbos de censura postal que foram usados na Alemanha, entre 1939 e 1945. Trata-se, de um carimbo manual, com a sigla "Ad" (Auslandsprufstelle "d", em Munique, destinada à censura de correspondências circuladas entre a Alemanha, ItáliaEspanhaPortugal e Suíça).

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Envelope circulado entre as cidades de Lorch (Alemanha, 22/01/1944) e Madrid (Espanha, 27/01/1944, trânsito pela censura postal espanhola em 28/01/1944). Carta transportada pelo serviço de correio aéreo, com dupla-censura: primeira em Munique; segunda em Madrid).

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.