domingo, 22 de novembro de 2015

O Serviço Postal da Força Expedicionária Brasileira - FEB.

Força Expedicionária Brasileira - FEB foi uma força combatente terrestre criada em 1943, no contexto do envolvimento brasileiro com a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Com um total de pouco mais de 25 mil homens, a FEB participou de operações militares na Itália, entre 1944 e 1945 (MAXIMIANO e BONALUME NETO, 2011).

O Serviço Postal da FEB foi criado em 29 de abril de 1944, através do Boletim do Exército número 18. Ele funcionou de maneira intensa até sua desativação, em 1945. Segundo o historiador Marcos Antonio Tavares da Costa (s.d.), foram enviadas da Itália pelos expedicionários mais de 1.400.000 correspondências, em uma média aproximada de 100 mil cartas despachadas por mês. Ainda neste autor, também existiram bilhetes postais com textos prontos para o uso de militares analfabetos.

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Envelope circulado entre a Companhia de Serviços do 1. Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira (FEB 304) e o Rio de Janeiro (Brasil). Carta simples, isenta de selo postal e circulada pelo Serviço Postal da FEB. Carimbos datadores aplicados em 16/04/1944 e 02/01/1945. Correspondência verificada e liberada pela censura postal da FEB. Curiosidade: o remetente, Soldado Walter Gomes Viana, embarcou para a Itália, em 22/09/1944. Porém, foi evacuado do teatro de operações, em 07/05/1945, conforme dados fornecidos pelo Arquivo Histórico do Exército - AhEx.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Referências.

COSTA, M. A. T. A censura postal militar: a política do Estado Novo na correspondência de guerra da FEB. s.n.t.

MAXIMIANO, C. C.; BONALUME NETO, R. Brazilian Expeditionary Force in World War II. Oxford: Osprey Publishing, 2011.

sábado, 14 de novembro de 2015

De Lion para Varennes-en-Argonne.

A Filatelia foi a minha primeira "janela para o mundo". Através dos selos postais, aprendi geografia e história, conheci culturas e ensaiei as minhas primeiras frases em alemão e inglês. Saudações filatélicas aos colecionadores franceses e minha solidariedade à vocês pela violência que sofreram.

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Cartão postal circulado entre as cidades francesas de Lion (03/03/1925) e de Varennes-en-Argonne (04/03/1925). Correspondência simples, com franquia isolada de 15 Centavos de Francos, moeda corrente na França da época. Obliteração mecânica, com uma flâmula de propaganda a respeito da "Feira Internacional de Lion", realizada entre 2 e 15 de março. O cartão postal é ilustrado com uma fotografia acerca da própria "Feira de Lion" (Foire de Lyon), em que aparecem as fachadas dos seis primeiros pavilhões de exposições. Ele foi produzido pelo estúdio fotográfico Goutagny, em Lion.

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


sábado, 31 de outubro de 2015

De Lorch para Madrid.

O envelope que ilustra esta postagem é mais um exemplo dos diversos tipos de carimbos de censura postal que foram usados na Alemanha, entre 1939 e 1945. Trata-se, de um carimbo manual, com a sigla "Ad" (Auslandsprufstelle "d", em Munique, destinada à censura de correspondências circuladas entre a Alemanha, ItáliaEspanhaPortugal e Suíça).

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Envelope circulado entre as cidades de Lorch (Alemanha, 22/01/1944) e Madrid (Espanha, 27/01/1944, trânsito pela censura postal espanhola em 28/01/1944). Carta transportada pelo serviço de correio aéreo, com dupla-censura: primeira em Munique; segunda em Madrid).

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


sábado, 24 de outubro de 2015

Deutsches Museum, Munique.

Durante a última semana, fui surpreendido por uma carta do amigo e filatelista Cláudio Dalmau Drago, de São Paulo (SP). Junto com um carinhoso bilhete, alguns cartões postais alemães do início do século passado. Postais produzidos a partir de desenhos com bico de pena, um mais legal que o outro. Porém, um chamou a minha atenção em especial: uma vista do Deutsches Museum, em Munique, na Alemanha.

O Deutsches Museum foi fundado em 1903, porém foi aberto ao público somente em 1906. Até meados da década de 1930, o museu sofreu diversas ampliações. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), seus prédios foram muito danificados, sendo reaberto somente a partir de 1948. Atualmente, o Deutsches Museum pode ser considerado um museu de ciência e tecnologia, com destaque para as Ciências Aplicadas e Naturais.

Figura 1: frente do cartão postal com uma vista do Deutsches Museum. sl, sn, sd. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

De Riga para Drebkau.

A ocupação militar alemã em diversos países da Europa Oriental, durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), também teve como reflexo alterações nos sistemas postais dos países ocupados. Entre outras coisas, novos tipo de marcas e selos postais foram produzidos para atender as necessidades decorrentes do contexto de ocupação militar. No caso do envelope que ilustra esta postagem, foram aproveitados selos regulares alemães, emitidos durante o começo da década de 1940, sendo aplicado neles uma sobre-estampa (Aufcruck) com o nome Ostland, que corresponde aos países bálticos sob ocupação militar alemã entre 1941 e 1945.

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Envelope circulado entre as cidades de Riga (Letônia, 21/05/1942) e Drebkau (Alemanha, 26/05/1942). Carta registrada e despachada pelo Correio Oficial dos Territórios do Leste, em Riga, conforme comprovam a etiqueta de registro (número 253 c) e os carimbos datadores/obliteradores aplicados sobre os quatro selos postais (Mi., D.B.1939/45 -  3, 11, 8 e 5), cujo valor facial total de 42 Centavos de Marcos corresponde aos portes do registro (30 Centavos) e de cartas em tráfego de longa distância com até 20 gramas de peso (12 Centavos). Correspondência interceptada e censurada na cidade de Königsberg (atual KaliningradoRússia), conforme revela a letra "a" impressa sobre a fita usada pelo censor para lacrar e liberar o envelope após a verificação do seu conteúdo.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.



sábado, 19 de setembro de 2015

Manifestação da SA, SS, NSKK e NSFK na Luitpoldarena, em Nuremberg.

Arrisco afirmar que o Nacional-Socialismo foi o fenômeno político que mais soube articular o seu imaginário com as "massas" das quais dependia o seu poder. "Ninguém melhor que Hitler compreendeu os princípios básicos da persuasão em massa e nenhuma organização trabalhou mais nem despendeu mais material no aperfeiçoamento da técnica de sua aplicação do que o Partido Nazista", reforça Barrie Pitt (1978, p. 6).

Neste contexto, os grandes comícios e os demais eventos públicos promovidos pelo NSDAP para uma enorme audiência foram atividades fundamentais para o próprio movimento nacional-socialista, das suas origens durante a década de 1920 até o seu final amargo, em 1945. Os congressos anuais do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães foram os principais eventos públicos promovidos pelo NSDAP em seu calendário.

A primeira "reunião" foi realizada em 27 de janeiro de 1923, na cidade de Munique, no sul da Alemanha. A partir de 1927, os congressos passaram a ocorrer em Nuremberg, até sua última edição, em 5 de setembro de 1938. As reuniões anuais do NSDAP foram chamadas oficialmente de "Reichsparteitag", "Dia Nacional do Partido", em uma tradução livre para o português. O evento de 1938 foi o mais grandioso de todos (WIKES, 1978).

Figura 1: flâmula de propaganda alemã alusiva ao Reichsparteitag de 1938, último evento do gênero, cujo tema foi a "Grande Alemanha" (Grossdeutschlans). Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

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Vista panorâmica do Luitpoldarena, durante a realização de uma edição do Reichsparteitag, em Nuremberg. Nela foram retratados Adolf Hitler (1889 - 1945) e uma "manifestação" (appell) de integrantes das SA, SS, NSKK e NSFK, siglas estas que representam forças paramilitares pertencentes ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães - NSDAP. Embora as duas primeiras siglas sejam bem conhecidas entre o público, as duas últimas, NSKK e NSFK, não. Assim, respectivamente, elas significam: Nationalsozialistisches Kraftfahrkorps (Corpo Motorizado Nacional-Socialista) e Nationalsozialistisches Fliegerkorps (Corpo Aéreo Nacional-Socialista) (PIA, 1976). Ao fundo da imagem também aparece o "Salão de Honra" (Ehrenhalle), inaugurado em 1930. Comercializado no valor de 25 Centavos de Marcos, o equivalente ao porte para cartas simples com até 20 gramas de peso enviadas para o estrangeiro, esta vista panorâmica foi produzida pela editora Intra, de Nuremberg, e impressa pela Noris-Verlag G.m.b.H., também de Nuremberg. Pelo número "64" impresso no seu canto inferior direito, é certo que esta vista panorâmica fez parte de uma série, que foi comercializada durante o evento como uma das dezenas de suvenires oferecidos ao público que prestigiou o evento.

Figura 2: vista panorâmica do Luitpoldarena. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


Figura 3: detalhe ampliado. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

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Em 1933, o Luitpoldarena sofreu uma ampliação e aumentou sua capacidade de público para 150 mil expectadores. Junto com o "Campo Zeppelin" (Zeppelinhalle) e outros espaços, o Luitpoldarena era parte de um complexo enorme destinado para receber milhares de alemães durante a semana de realização do Reichsparteitag que, embora seu nome fosse "Dia Nacional do Partido", ele tinha a duração de uma semana.

Figura 4: áreas de concentração e desfile em Nuremberg para as reuniões anuais do NSDAP. Fonte: Wikipédia.

Figura 5: vista parcial do que sobrou da tribuna do Zeppelinhalle, em Nuremberg. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Referências:

PIA, Jack. Insígnias nazistas. Rio de Janeiro: Renes, 1976 (História Ilustrada da 2a. Guerra Mundial: especial cores; v. 1).
PITT, Barrie. O cerimonial do poder. In: WIKES, Alan. As reuniões de Nuremberg: os triunfos de Hitler. Rio de Janeiro: Renes, 1978 (História Ilustrada do Século da Violência; v. 5).
WIKES, Alan. As reuniões de Nuremberg: os triunfos de Hitler. Rio de Janeiro: Renes, 1978 (História Ilustrada do Século da Violência; v. 5).

sábado, 12 de setembro de 2015

Festa de Tiro de Rei (Schuetzenfest).

Uma das marcas registradas das regiões de colonização alemã no sul do Brasil é a manutenção de práticas culturais centenárias, muitas das quais introduzidas pelos primeiros colonos de língua alemã assentados durante o século 19. As sociedades de atiradores (Schuetzen-Vereine) e suas tradicionais festas de tiro de rei (Schuetzenfest) são exemplos deste patrimônio cultural que influencia nas memórias e nas identidades destes lugares, que hoje abrigam cidades, tais como Blumenau, Jaraguá do Sul, Joinville e São Bento do Sul (OLIVEIRA NETO, 2012).

As origens das agremiações de atiradores estão situadas na Europa Ocidental medieval. Elas chegaram ao Brasil com os primeiros imigrantes alemães, durante a primeira metade dos oitocentos, como por exemplo, em Santa Catarina, conforme relatam Petry (1982) e Soares (2002). O ponto alto do calendário dos clubes de tiro, como também são conhecidos, é atingido durante a festa do Tiro de Rei. Nela, entre bailes e banquetes, há a prova de Tiro de Rei, cujo vencedor é aclamado "Rei do Tiro". O cartão postal que ilustra esta publicação é, certamente, um registro de uma destas celebrações, registrada pelo fotógrafo Fritz Hofmann, em JoinvilleSanta Catarina.

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Cartão postal não-circulado, produzido pelo atelier do fotógrafo Fritz Hofmann, em Joinville, Santa Catarina. Sine die. Provavelmente, trata-se do registro de uma celebração de Tiro de Rei, em que aparecem os atiradores de dois clubes de tiro (de Joinville?), diferenciados pelos uniformes que vestem e pelas bandeiras que ostentam. Destaque para o caráter miliciano das sociedades de atiradores que, entre os oitocentos e a primeira metade do século 20, usavam uniformes semelhantes aos uniformes militares da época.

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Referências citadas:

OLIVEIRA NETO, W. O tiro e seus clubes em São Bento do Sul, Santa Catarina: origens, trajetórias e tradições de um patrimônio cultural. In: LAMAS, N. C.; MARMO, A. R. (orgs.). Investigações sobre arte, cultural educação e memória: coletânea. Joinville: UNIVILLE, 2012.
PETRY, S. M. V. Os clubes de caça e tiro na região de Blumenau: 1859 - 1981. Blumenau: Fundação Casa Dr. Blumenau, 1982.
SOARES, D. Folclore catarinense. Florianópolis: USFC, 2002.