quarta-feira, 24 de julho de 2013

O serviço de transporte postal entre Joinville e S. Bento em 1911.

A História Postal é um campo da Filatelia. Seu objetivo é o estudo das comunicações postais ao longo do tempo. As coleções e monografias de História Postal podem abordar assuntos e recortes históricos anteriores ao lançamento do primeiro selo postal, em 1840, na Inglaterra. Ou, investigar temas que não necessitam da presença de selos, como por exemplo, os transportes postais. Neste caso, o filatelista pode consultar diversos documentos históricos, como por exemplo, os jornais.
 
Vejamos o que uma fonte histórica, uma notícia publicada no jornal são-bentense O catharinense, de 19 de novembro de 1911, informa sobre o transporte de malas postais de/para São Bento do Sul:
 
Segundo lemos no nosso collega ‘Commercio de Joinville’, parece que o serviço postal entre aquella cidade e esta Villa, a principiar de Janeiro [de 1912] em diante será feito pela Hansa duas vezes por semana, atravessando pelo Rio Vermelho e Campo Alegre, regressando pelo mesmo caminho.
Desta Villa ao Rio Negro, irá 5 vezes por mez, parecendo que a agencia de Hansa passará a 3ª classe.
Oxalá que assim seja, para o bem estár do commercio e da população em geral.
Por diversas vezes tivemos ocasião de manifestar o nosso desejo com relação a vinda do correio duas vezes por semana, e agora com esta importante noticia, ficamos conscios que dentro em breve teremos a satisficação de vêr transformado em realidade o nosso maior desejo.

O município de São Bento do Sul foi fundado em 23 de setembro de 1873. Em 11 de abril de 1881, um decreto estadual autorizou a abertura de uma agência postal em S. Bento. Um mês depois, em 23 de maio, a primeira agência dos Correios no município abriu suas portas. Na ocasião, foi nomeado para o cargo de agente postal o senhor José S. de Oliveira (FICKER, 1973).

Referências:

FICKER, Carlos. História de São Bento do Sul: subsídios para sua história. 1a. parte. Joinville: Impressora Ipiranga, 1973.
Serviço postal. O catharinense. São Bento, v. 1, n. 31, p. 1, 19/11/1911.

sábado, 13 de julho de 2013

500 anos da descoberta da Flórida.

Ao meu amigo Timo.
 
Os europeus ibéricos chegaram à América entre o final do século 15 e o início dos quinhentos. Nesse sentido, um marco histórico importante é o desembarque de Cristóvão Colombo no Caribe, em 12 de outubro de 1492, fato este conhecido como "descoberta da América" (fig. 1).
Figura 1: Bloco de selos postais russo emitido em 1992, em celebração ao aniversário de 500 anos do descobrimento da América. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


A Espanha formou o primeiro e maior império colonial na América. Os conquistadores e viajantes espanhóis foram responsáveis, entre outras coisas, pela descoberta e exploração de diversos territórios no continente americano, entre os quais a Flórida, no sudeste dos Estados Unidos. Atribui-se ao espanhol Juan Ponce de Léon (1460 - 1521) a descoberta da Flórida, em 1513. Em abril deste ano, foi comemorado o aniversário de 500 anos da expedição de Ponce de Léon. Os correios dos Estados Unidos emitiram um bloco de selos comemorativos alusivo ao fato (fig. 2 e 3).
Figura 2: bloco de selos comemorativos alusivo ao aniversário de 500 da descoberta da Flórida pelo espanhol Juan Ponce de Léon. Trata-se de um total de 16 selos postais autoadesivos, ilustrados com parte da flora nativa que chamou a atenção dos espanhóis, em 1513 e que, para uma corrente de autores, foi a razão para o nome "Flórida", do espanhol "La Florida". Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Figura 3: verso do bloco, sobre o qual o Serviço de Correios dos Estados Unidos publicou um pequeno texto sobre o descobrimento da Flórida. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Figura 4: A América do Norte colonial. Até 1763, a Flórida fez parte da América Espanhola, junto com, praticamente, todo o oeste dos Estados Unidos. Fonte: Daniels e Hyslop (2004).
 


Referência:
DANIELS, Patricia S.; HYSLOP, Stephen G. Atlas da história do mundo. São Paulo: National Geographic Brasil; Abril, 2004.
SCHWARTZ, Stuart B.; LOCKHERT, James. A América Latina colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.



segunda-feira, 8 de julho de 2013

LZ 129 - Hindenburg.

Durante a primeira metade do século 20, os dirigíveis alemães foram símbolos de progresso e sofisticação em viagens aéreas. Conhecidos genericamente como "Zeppelins", realizar uma viagem transoceânica ou mesmo receber um cartão postal transportado por dirigíveis era um evento reservado para poucos. O envelope desta postagem é um vestígio de uma época em que luxo e tecnologia voaram juntos. Trata-se de uma carta de 1936 transportada pelo dirigível LZ 129 - Hindenburg.
 
O LZ 129 - Hindenburg foi construído pela empresa Luftschiffbau-Zeppelin GmbH. Era um dirigível rígido com 245 metros de comprimento, sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio. Sua capacidade era de quase 100 ocupantes, entre passageiros e tripulantes. O primeiro voo do Hindenburg ocorreu em 4 de março de 1936. O LZ 129 foi um dos maiores dirigíveis já construídos, porém sua história foi curta e teve um final trágico: Em 6 de maio de 1937, após atravessar o oceano Atlântico, o Hindenburg preparava-se para pousar sobre a Base Naval de Lakehurst, em Nova Jersey, Estados Unidos. Durante a operação de pouso, por volta das 19h30, o dirigível incendiou-se. A tragédia foi imortalizada na voz de Herbert Morrison, na época locutor da Rádio WLS de Chicago. Entre os 97 ocupantes do LZ 129, 13 passageiros e 22 tripulantes morreram.
 
Envelope circulado entre as cidades de Aachen e Schaag - sem data de chegada registrada. Carta embarcada em Friedrichshafen (23/03/1936) e transportada pelo dirigível LZ 129 - Hindenburg, conforme indicam as marcas postais sobre o envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Referência:
 
HINDENBURG. Direção: Sean Grundy. Produção: Vicky Matthews. [s.l.]: Channel Four; Smithsonian Networks; ZDF; Abril; Aventuras na História, 2008. 1 filme (100 min), son., color., 1 DVD.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

De Stuttgart para Joinville.

Uma das coisas que mais gosto nos bilhetes postais (postkarte) é poder ler a correspondência alheia, especialmente, aquela bem antiga e que fala sobre a vida cotidiana de gente comum, como você que está lendo esta postagem ou eu.
 
Bilhete postal (postkarte) circulado entre Stuttgart (10/06/1895) e Joinville (13/07/1895), com trânsito pela cidade do Rio de Janeiro (01/07/1895). Correspondência simples. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do bilhete postal, sobre o qual foi escrita uma mensagem em língua alemã e aplicado uma marca postal comprovando a chegada do bilhete postal ao Brasil e o trânsito pelo Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.




terça-feira, 25 de junho de 2013

De Berlim para Berlim - via correio pneumático.

A criação dos serviços postais pneumáticos, durante o final do século 19, foi um dos reflexos da Revolução Industrial. A cidade de Viena, capital da Áustria, foi o local em que funcionou o primeiro serviço postal pneumático, em 1875. Segundo o filatelista Peter Meyer (2012), o "correio pneumático" consistiu no transporte de correspondências urgentes através de sistemas de tubulação instalados em grandes cidades, como por exemplo, Buenos Aires e Rio de Janeiro. As cartas eram acondicionadas dentro de "balas" e estas disparadas de um ponto a outro da tubulação mediante o emprego de ar comprimido.
 
O envelope desta postagem circulou pela rede pneumática da cidade de Berlim, na Alemanha. Ela funcionou entre 1865 e 1976. Tratava-se de um sistema 400 km de extensão, composto por estações de despacho e recebimento. A empresa Siemens & Halske foi responsável pela sua construção. Embora os primeiros envios de correspondência tenham ocorrido em 1865, somente em 1876 foi que o serviço postal pneumático de Berlim foi aberto ao público. O serviço postal pneumático de Berlim (Berlim Rohrpost) foi o segundo maior da Europa, superado pela rede parisiense, inaugurada em 1879 (BERLINER UNTERWELTEN e.V., 2013).
 
Envelope circulado dentro da cidade de Berlim (03/12/1938), entre Charlottenburg e Halensee. Carta simples e transportada pelo Serviço Postal Pneumático, conforme comprova a etiqueta rosa fixada no canto esquerdo do mesmo com as seguintes palavras: Correio Pneumático (Rohrpost) e Expressa (Eilbote). Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do mesmo envelope, onde foi aplicada uma marca postal em forma de cápsula, dentro da qual há escrito o número 3. Seria este o número da bala ou do tubo através dos quais esta carta foi transportada? Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Referência:
 
BERLINER UNTERWELTEN e. V. Die Berliner Rohrpost.
MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM, 2012.



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Do Rio de Janeiro para Guara-Mirim.

A História Postal é um campo da Filatelia que reúne e estuda documentos que ajudam a narrar a trajetória das comunicações postais. Nesse sentido, as coleções e as monografias sobre História Postal destacam-se entre as demais formas de colecionismo filatélico, pois podem abordar recortes temporais anteriores à criação do selo postal (Inglaterra, 1840), além de transitarem com mais destreza pelos conceitos e métodos da História.

O estudo de História Postal, seja uma coleção organizada para uma exposição ou um trabalho escrito na forma de monografia, vai além da coleta de dados acerca de um determinado aspecto da comunicação postal ao longo do tempo. Através do estudo do passado postal, podemos conhecer contextos históricos, práticas sociais, visões de mundo e muitas outras coisas. É o que mostra esta postagem, inspirada no trabalho de Reinaldo Jacob (2013) acerca da construção e inauguração da ponte internacional Brasil-Argentina, ingurada em 21 de maio de 1947.

Como parte da celebração, os Correios brasileiros lançaram em 1945 um selo postal comemorativo alusivo à construção e à inauguração da ponte. Porém, com a deposição de Getúlio Vargas, cuja efígie ilustrada o selo, o mesmo foi recolhido e desmonetarizado, respectivamente, em 1945 e 1946. Mais tarde, o então Departamento de Correios e Telégrafos autorizou a venda dessa série para fins filatélicos (JACOB, 2013).

O envelope desta postagem é um dos poucos envelopes circulados conhecidos que receberam selos dessa série que, segundo o filatelista Reinaldo Jacob (2013), foi único caso brasileiro de recolhimento com fins políticos. Finalizando, o autor gostaria de agradecer este colecionador por autorizar a publicação do envelope a seguir neste blogue, assim como pelos dados históricos-postais fornecidos.

Envelope circulado entre as cidades do Rio de Janeiro (08/07/1946) e Guaramirim (15/07/1946). Carta registrada, cujo valor pago foi de Cr$ 1,20 referente ao porte para este tipo de correspondência. Como os selos fixados sobre o envelope na ocasião foram desmonetarizados, os mesmos foram inutizados, provavelmente, por um agente postal (riscos em vermelho) e taxado no destino, isto é o porte teve de ser pago pelo destinatário. Coleção: Reinaldo Jacob.

Verso do envelope, onde é possível identificar o remetente e visualizar a marca postal de chegada.

Referência:

JACOB, Reinaldo. Ponte internacional Brasil-Argentina. FILACAP: edição especial, Cachoeira Paulista, v. 39, p. 9 - 11, jun. 2013.
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

De Curityba para o Rio de Janeiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), a prática da censura postal não ocorreu apenas em correspondências internacionais despachadas para o Brasil. Foi comum a censura em cartas circuladas internamente, ou seja, dentro do território brasileiro. É o que prova o envelope desta postagem, circulado entre as cidades de Curitiba (PR) e do Rio de Janeiro (RJ), em agosto de 1942, às vésperas da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados.
 
Envelope circulado entre as cidades de Curitiba (23/08/1942) e do Rio de Janeiro (26 e 27/08/1942). Carta simples transportada pelo serviço de Correio Aéreo, conforme comprovam as marcas postais aplicadas sobre o envelope quando da sua saída de Curitiba e da sua chegada ao Rio de Janeiro. Quando da sua chegada ao Rio de Janeiro, na época Distrito Federal, a correspondência foi aberta e seu conteúdo verificada pelo serviço de censura postal. O fato é comprovado através da fita com a qual o envelope foi lacrado e com as marcas postais roxas aplicadas sobre o envelope e a fita de lacre. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Verso do mesmo envelope, onde é possível ver as marcas postais de chegada ao Rio de Janeiro e a fita para lacre sobre a qual foi aplicado um carimbo roxo com a seguinte informação: "Censura postal. D. Federal". Coleção: Wilson de Oliveira Neto.