quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Surpresas deixadas pelo carteiro.

Eu gosto muito de receber correspondências, especialmente quando fico um bom tempo fora de casa e, quando retorno, encontro a minha caixa postal cheia de cartas e de avisos de chegada. Gostaria de agradecer aos amigos, listados abaixo, pelas cartas enviadas:
  • Bruno Paloma - aluno do Ensino Médio que encontra-se no México em intercâmbio. Muito obrigado pelo cartão postal de Teotihuacán;
  • Cernjul Viviana - filatelista argentina de Buenos Aires que mantém um excelente blogue sobre Filatelia. Muito obrigado pelo cartão e os selos mints da Argentina;
  • Ernesto Massami Tsuji (Motoka) - amigo filatelista do fórum Selos do Brasil. Muito obrigado pela amizade e pelo belo Zeppelin (o meu primeiro);
  • Timothy Finley (Timbres) - amigo filatelista estadunidense do fórum Selos do Brasil. Muito obrigado pela amizade e pela folha mint alusiva aos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) / Centenário das Olimpíadas modernas.




domingo, 6 de janeiro de 2013

Saarland.

Hoje, o Saarland corresponde a um dos dezesseis Estados que formam a República Federal da Alemanha. Situado no sudoeste alemão, a capital do Sarre, como também é conhecido em língua portuguesa, é a cidade de Saarbrücken. Entre o final da década de 1910 e 1935, o Saarland foi administrado pela Liga das Nações. Em primeiro de janeiro de 1935, após um plebiscito, a região voltou à Alemanha, conforme celebrou o bilhete postal desta postagem.
Bilhete postal circulado dentro da Alemanha entre as cidades de Saarbrücken (13/03/1935) e Munique - sem data de chegada registrada. Correspondência simples, encaminhada como "Impresso" ou Drucksache. Ao lado esquerdo do carimbo obliterador há uma franquia celebrando o retorno do Saar ao Estado alemão - "O Saar é alemão...". Acervo: Wilson de Oliveira Neto.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

História postal geral e do Brasil - 4.

Holocausto é o nome dado ao extermínio de aproximadamente seis milhões de judeus na Europa, entre 1933 e 1945. Esse processo foi conduzido por membros do regime nacional-socialista na Alemanha, em particular as SS. Porém, ele contou com a colaboração de países e populações aliadas dos alemães, como por exemplo, os lituanos e os ucranianos que habitavam a região do Ostland, as terras do Leste Europeu ocupadas por tropas da Alemanha, a partir dos anos iniciais da Segunda Guerra Mundial (1939/45). Um aspecto marcante do holocausto judeu foi a criação de guetos, como por exemplo, o da cidade de Lodz, na Polônia. Nesses locais, as comunidades judaicas eram reunidas e isoladas das demais populações locais (CARNEIRO, 2002; GILBERT, 2010).
Nesta postagem, transcrevemos trechos da obra de Martin Gilbert, O Holocausto (2010), em que o autor fornece informações sobre a história postal do Gueto de Lodz, entre 1941 e 1942, época em que funcionou um sistema de envio e recebimento de correspondências para os seus internos. De acordo com o autor:

"Desde novembro de 1941, as autoridades alemãs em Lodz haviam instituído um serviço postal judaico, para que cartões postais pudessem ser enviados para fora do gueto. Centenas de cartões foram escritos por residentes do gueto, endereçados a parentes e amigos na Polônia e na Tcheco-Eslováquia. Durante seis meses, até ser suspenso em 5 de junho de 1942, esse serviço postal deu aos habitantes do gueto uma sensação de segurança, de ligação com o mundo exterior. A maioria dos cartões que restaram nunca deixaram o gueto: neles estão sobreimpressas mensagens que indicam que os alemães não quiseram que chegassem a seus destinos. Essas impressões diziam: 'Escreva legível!', 'sujo!', 'ininteligível', ou 'hebraico, ídiche, idioma não permitido'" (GILBERT, 2010, p. 255-256).

Além disso:

"Alguns cartões, entretanto, chegaram ao seu destino. Oskar e Paula Stein, deportados de Praga para Lodz em outubro de 1941, escreveram três cartões para um parente em Praga. Todos chegaram ao destinatário. 'Mande-nos sempre que possível', dizia uma mensagem, 'a quantidade máxima permitida, porque necessitamos de dinheiro com urgência'. Um dos cartões enviados aos Steins, contudo, foi devolvido a Praga com uma anotação no carimbo: 'Devolução. No momento não há entrega de correio na rua do endereçado'" (Ibidem, p. 256).

Finalizando, é necessário fazer um pequeno esclarecimento. Quando o autor mencionou o envio de cartões postais, não se tratam de cartões postais comuns, ilustrados com fotografias e demais desenhos, mas de "bilhetes postais". Isto é, pequenos cartões usados para o envio de mensagens rápidas a um determinado destinatário. Na língua alemã, bilhete e cartão postais são denominados postkarte. Talvez, durante a pesquisa que deu origem ao seu livro, o historiador deve ter se deparado com essa palavra e, como o mesmo não é filatelista, acabou traduzindo como "cartões postais".
Área do Gueto de Lodz. Fonte: http://www.fold3.com/page/286160716_the_lodz_ghetto_1940_1944/

Referências:
CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Holocausto: crime contra a humanidade. São Paulo: Ática, 2002 (História em Movimento).
GILBERT, Martin. O Holocausto: história dos judeus da Europa na Segunda Guerra Mundial. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 2010. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O uso político da Filatelia.

A Alemanha não desencadeou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Contudo, segundo o Tratado de Versalhes (1919), o Império Alemão foi considerado culpado pelo início da guerra e punido de diversas formas, entre as quais a perda de territórios na África, Ásia e Europa. Em outras palavras, foi o fim do II Reich, proclamado décadas antes, em 1871, no mesmo Palácio de Versalhes, local este em que foi assinado o dito Tratado.
Durante o Entreguerras (1919-1939), o Tratado de Versalhes e seus artigos foram pedras dentro dos sapatos alemães. Apelidado de "ditado", foi a bandeira de diversos panfletos e movimentos políticos, como por exemplo, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães - NSDAP. O item desta postagem faz parte desta história e não pertence a mim, mas a um jovem filatelista chamado João Davidonis, que herdou de seu bisavô, o filatelista Julio Krause, de Marcelino Ramos (RS).
Trata-se de uma folha na qual foram fixadas diversas cinderelas, cada uma baseada em um antigo território alemão perdido após a Primeira Guerra Mundial. Decorada com as cores da bandeira imperial - preto, branco e vermelho - a folha possui em destaque a seguinte inscrição: "Niemals vergessen! Gedenkmarken zur trauer für die 19 Deutschland geraubten gebiete", que em uma tradução livre significa: Nunca se esqueça! Selos comemorativos para o funeral dos 19 territórios roubados da Alemanha".
Folhinha filatélica de protesto político contra a perda de territórios da Alemanha após o término da Primeira Guerra Mundial. Acervo: João Davidonis.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

História postal geral e do Brasil - 3.

Ao amigo filatelista Amaury, um amante da marcofilatelia.

O que acontece com as correspondências que, no Brasil, não encontram os seus destinatários? Retornam aos seus remetentes. Contudo, esse processo deve ser devidamente documentado, através da aplicação de marcas postais nas cartas, encomendas e demais documentos e objetos encaminhados pelos Correios.
Aerograma nacional circulado entre as cidades de Joinville (09/12/2002) e Florianópolis - sem data de chegada registrada. Conforme a marca postal aplicada sobre o mesmo, no canto inferior esquerdo, em formato retangular, no dia 13/12/2002, a carteira Eliane Rodrigues Inacio informou que o destinatário mudou do endereço indicado pelo remetente. Acervo: Wilson de Oliveira Neto.
Aerograma nacional circulado entre as cidades de Joinville (08/11/2003) e Paranaguá - sem data de chegada registrada. Correspondência devolvida ao remetente, conforme indica a marca postal aplicada sobre a mesma, em formato retangular, no canto inferior esquerdo do aerograma, com a ordem "Ao remetente". Acervo: Wilson de Oliveira Neto.
Verso do aerograma nacional publicado na imagem anterior. Nele, é possível descobrir a razão pela qual este retornou ao seu remetente: a destinatária mudou de endereço, segundo informa a marca postal aplicada sobre o mesmo, rubricada, provavelmente, pelo carteiro (a) responsável pela sua entrega. Acervo: Wilson de Oliveira Neto.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Volkssturm - coragem ou tolice diante do inevitável?

No dia 7 de maio de 1945, em Reims, um abatido General Alfred Jodl assinou a capitulação alemã. Ao seu lado, encontravam-se o Major Wilhelm Oxenius e o Almirante Hans-Georg von Friedeburg. Com uma simples canetada, Jodl pôs fim há quase seis anos de guerra na Europa. Até os últimos momentos, os Correios da Alemanha estiveram juntos, firmes e fortes, com o Terceiro Reich. Mesmo diante do colapso das comunicações, os Correios emitiram selos postais comemorativos, muitos dos quais tiveram como objetivo elevar o moral dos alemães frente aos Aliados.
O selo desta postagem foi a penúltima série comemorativa emitida pelos Correios da Alemanha. Foi lançada em janeiro de 1945, sendo alusiva ao Volkssturm - uma milícia formada por homens alemães de 16 a 60 anos de idade. Ela foi convocada por Adolf Hitler, em 25 de setembro de 1944, em uma tentativa desesperada de conter o avanço aliado sobre a Alemanha, que misturou coragem e tolice diante do inevitável (ABRIL COLEÇÕES, 2009).
Exemplar mint da série citada, no valor de Rpf. 12+8. Acervo: Wilson de Oliveira Neto.
Combatentes alemães em uma trincheria. Cada um tem ao seu lado um Panzerfaust, arma antitanque descartável de carga oca usada pelos milicianos do Volkssturm. Fonte: Ziemke (1975).

Referências:
ABRIL COLEÇÕES. 1945: a queda de Berlim e o fim da guerra na Europa. São Paulo: Abril, 2009 (Coleção 70. Aniversário da II Guerra Mundial; v. 28).
ZIEMKE, Earl F. A batalha de Berlim: o fim do 3. Reich. Rio de Janeiro: Renes, 1975 (História Ilustrada da 2a. Guerra Mundial: batalhas; v. 6).

domingo, 9 de dezembro de 2012

A tragédia do Wilhelm Gustloff.

Qual foi o maior desastre naval da história? Uma dica: não foi o naufrágio do Titanic, em 1912. Mas, o afundamento do transatlântico alemão Wilhelm Gustoloff, em 30 de janeiro de 1945, nas águas geladas no mar Báltico. Estima-se, que mais de 9 mil pessoas, a maioria civil, tenham morrido. Na ocasião, o Wilhelm Gustloff estava envolvido no transporte de refugiados alemães do porto de Gotenhafen para Kiel, no norte da Alemanha. Logo após às 21 horas, a embarcação foi atacada pelo submarino soviético S-13, comandado pelo Capitão Alexander Marinesko. Foram disparados contra o Wilhelm Gustloff três torpedos, que foram suficientes para colocá-lo à pique e provocar a morte de, aproximadamente, 9.300 pessoas. Contudo, conseguiram sobreviver 1.239, que foram resgatadas pelos navios da Kriegsmarine que também estavam envolvidos com a busca de refugiados naquela região (ABRIL COLEÇÕES, 2009).
Vista frontal do MV Wilhelm Gustloff. Inicialmente, foi uma embarcação de passeio, ligada ao programa Força através da alegria, ou KdF, entidade esta relacionada ao sistema de sindicato único da Alemanha. Em 1939, foi requisitado pela Kriegsmarine. Fonte: Abril Coleções, 2009.

O item da postagem de hoje recorda esta história. Trata-se, de um envelope circulado simples, cujos selos fixados retratam o Wilhelm Gustloff. Eles são o quarto valor, Rpf. 6, de uma série de selos lançada em 4 de novembro de 1937, pertencente à Beneficência ou Auxílio de Inverno (Winterhilfswerk), daí a sobretaxa de Rpf. 4 que aparece nos dois selos. Além do Wilhelm Gustloff, várias outras embarcações foram retratadas na série, como por exemplo, os vapores Europa e Hamburgo (MICHEL, 2000).
Envelope circulado entre as cidades de Speyer (08/12/1937) e Hanau sobre o Main - sem data de chegada registrada. Carta simples, cuja selagem corresponde ao valor do porte vigente na época: Rpf. 12. Acervo: Wilson de Oliveira Neto.

Referências:
ABRIL COLEÇÕES. 1945: a queda de Berlim e o fim da guerra na Europa. São Paulo: Abril, 2009 (Coleção 70. Aniversário da II Guerra Mundial; v. 28).
MICHEL. Deutschland-katalog 2000/2001. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2000.