domingo, 21 de abril de 2019

Centenário do Armistício (1918 - 2018) / "Remembrance Poppy".

Observe atentamente o bloco a seguir (figura 1).

Figura 1: bloco canadense alusivo ao centenário do armistício de 1918. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Este bloco faz parte das emissões dos Correios do Canadá comemorativas ao aniversário de cem anos do armistício que resultou no fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. Durante o ano passado, diversos países celebraram a efeméride com inúmeras emissões comemorativas.

Um belo bloco, não é mesmo?

Nele, existem vários aspectos que podem ser examinados, porém interessa para esta postagem um pequeno detalhe: uma flor vermelha estilizada impressa entre os anos de "1918 e 2018".

Remembrance Poppy.

Essa flor não está ali por acaso, sendo que ela também aparece nos cinco selos que formam o bloco. Ela é um símbolo que representa e homenageia os soldados que morreram durante o conflito. Seu nome é Remembrance poppy e suas origens estão situadas nos Estados Unidos, durante as celebrações do armistício, em 1918 [1].

A criação desse símbolo é atribuída à Moina Michael (1869 - 1944), à época, voluntária na Associação Cristã de Moças, em Nova Iorque [2]. Inspirada pelo poema In Flanders Fields, escrito pelo Tenente-Coronel John McCrae (1872 - 1918), Michael promoveu o uso de papoulas vermelhas nas lapelas de casacos e paletós que, com o passar do tempo, se tornaram nos países de língua inglesa uma referência aos homens e às mulheres que morreram em serviço em todos os conflitos militares em que se envolveram [3].

Notas:

[1] - SCHÖNPFLUG, Daniel. A era do cometa: o fim da Primeira Guerra Mundial e o limiar de um novo mundo. São Paulo: Todavia, 2018, p. 9 - 11.
[2] - Ibidem, p. 10.

sábado, 23 de março de 2019

De Munique para Praga.

Durante o regime nacional-socialista, diversas cidades alemães receberam os títulos de "capital" (Hauptstadt) ou "cidade" (Stadt): Nuremberg, por exemplo, foi agraciada com o título de "Stadt der Reichsparteitage", em alusão à convenção anual do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães que a cidade sediou, entre 1927 e 1938 (WYKES, 1978).

A cidade de Munique está localizada no sul da Alemanha, no estado da Baviera, do qual é capital. Suas origens estão situadas na Idade Média e, tradicionalmente, a fundação dessa cidade é considerada o ano de 1158. Atualmente, sua população é estimada em 1.388.308 habitantes, distribuídos ao longo de vinte e cinco bairros.

O Partido dos Trabalhadores Alemães foi fundado em 1919, na cidade de Munique, pelo ferreiro Anton Drexler (1884 - 1942) e pelo jornalista Karl Harrer (1890 - 1926). Em setembro do mesmo ano, Adolf Hitler (1889 - 1945) ingressou no partido que, a partir de 1920, passou a se chamar Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (LENHARO, 1998).

No contexto do regime nacional-socialista, Munique recebeu o título de "Capital do Movimento" ou Hauptstadt der Bewegung. Em sua síntese sobre o surgimento do Nazismo e sua acensão ao poder na Alemanha, Richard Evans (2010) comenta que foi comum entre os nazistas o uso da palavra "movimento" no lugar de "partido".

Bewegung é a palavra alemã para movimento. Segundo o dicionário alemão-português/português-alemão organizado pelo Dr. Friedrich Irmen (1995), além de movimento, as palavras "agitação", "rotação", "emoção" e mesmo "comoção" são associadas a Bewegung. Neste sentido, Bewegung, inserido no imaginário político nacional-socialista, atribui um sentido dinâmico ao movimento político iniciado em Munique, em 1919. É possível que, na atribuição de sentidos acerca do Nacional-Socialismo entre seu público, Bewegung fosse mais conveniente que o "burocrático" Partei.

O título Hauptstadt der Bewegung aparece em diversos bilhetes e marcas postais usados em Munique, a exemplo do envelope circulado que faz parte desta postagem, cujos carimbos comemorativo e obliterador aplicados ostentam esse título, conforme é possível ver na figura 1. 

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Descrição.

Envelope circulado entre as cidades de Munique (Alemanha, 20/04/1942) e Praga (República Checa, 21/04/1942). Carta registrada com porte de trânsito de longa distância, como indicam a etiqueta com o número do registro (319) e os selos postais de 30 e 12 centavos de Marcos, respectivamente, correspondentes aos portes do registro e do trânsito de longa distância.

Carimbo datador/obliterador aplicado sobre o selo postal regular de 30 centavos e carimbo comemorativo aplicado sobre a emissão comemorativa de 12+38 centavos, lançada em 13 de abril de 1942, em celebração ao aniversário de 53 anos de idade de Adolf Hitler, comemorado em 20 de abril, conforme indicam as datas dos carimbos.

Referências.

EVANS, Richard J. A chegada do Terceiro Reich. São Paulo: Planeta, 2010.
IRMEN, Dr. Friedrich. Langenscheidts Taschen-wörterbuch Portugiesisch. 13. ed. Berlim: Langenscheidt, 1995.
LENHARO, Alcir. Nazismo: "o triunfo da vontade". 6. ed. São Paulo: Ática, 1998 (Série Princípios; v. 94).
WYKES, Alan. As reuniões de Nuremberg: os triunfos de Hitler. Rio de Janeiro: Renes, 1978 (História Ilustrada do Século da Violência; v. 5).

domingo, 3 de março de 2019

Homenagem aos ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira pelo Clube Filatélico Brusquense.

No último dia 21 de fevereiro, foi comemorado o aniversário de 74 anos da tomada de Monte Castello por efetivos da 1a. Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira - FEB

Ao avaliar a tomada de Monte Castello, o brasilianista Frank D. McCann (1993, p. 277) concluiu que:

"[...] sem dúvida nenhuma, muito foi feito em Monte Castelo pelos febianos e pelos militares brasileiros. Para eles, o engajamento bem-sucedido teve grande importância simbólica. Sua participação na conquista de Belvedere-Castelo convenceu os brasileiros de que eles estavam à altura da tarefa a que tinham se lançado [...]. O fato é que a FEB e a 10a. Divisão de Montanha dos Estados Unidos foram efetivas na operação conjunta que desalojou os alemães de elevações importantes, permitindo, assim, que a ofensiva de primavera fosse desencadeada. Se uma das divisões tivesse falhado, a ofensiva teria sido adiada".

Atualmente, é praticamente consenso entre os autores da literatura histórica sobre a FEB, que sua criação e envio ao T.O. italiano foram resultados de uma iniciativa brasileira.

"[...] a FEB foi uma ideia brasileira, que resultou de um plano deliberado do governo Vargas e não de uma manobra americana para envolver o Brasil diretamente em combate", explica McCann (1993, p. 270). Para Vagner Camilo Alves (2006), apesar da FEB ter envolvido instituições e pessoas de diversas procedências e países, foi Getúlio Vargas (1882-1954) quem "bateu o martelo" para sua criação.

Uma justa homenagem.

Em Santa Catarina, inúmeros cidadãos-soldados serviram na FEB e participaram de operações de guerra significativas, a exemplo da tomada de Monte Castello. A experiência militar brasileira na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), através da FEB, faz parte das memórias familiares e municipais no estado.

Em outubro de 2018, o Clube Filatélico Brusquense homenageou os ex-combatentes de Brusque e região, através da emissão de um belo selo postal personalizado. Trata-de de uma emissão de 1. Porte Nacional para Cartas Comerciais, ilustrada com o emblema da FEB, "cobra fumando", tendo ao fundo, um mapa do T.O. italiano, com destaque para as regiões de Monte Castello e Montese, cidade esta em que ocorreu o combate urbano que resultou no maior número de baixas entre os combatentes brasileiros.

A emissão foi acompanhada por uma belíssima folhinha filatélica produzida pelo Clube Filatélico Brusquense (figura 1) sobre a qual foi fixado um exemplar do selo postal personalizado, "amarrado" com um carimbo datador de 29 de outubro de 2018, da Agência Central de Brusque.

Figura 1: frente da folhinha comemorativa. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

Já o verso da folhinha, figura 2, foi ilustrada com o emblema da "cobra fumando" sobre o qual foram listados dos ex-combatentes de Brusque e região, um total de 48 pessoas, muitas das quais descendentes de alemães e italianos, como sugerem os sobrenomes "Bianchessi", "Maestri", "Moritz" ou "Stoll", além dos brasileiros "Gonzaga" e "Oliveira".

Figura 2: verso da folhinha comemorativa. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

Referências.

ALVES, Vagner Camilo. Armas e política: o Exército e a constituição da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Anais do 30. Encontro Anual da ANPOCS, Caxambu, 24-28 out., 2006, p. 1-21.
McCANN, Frank D. A Força Expedicionária Brasileira na Campanha da Itália (1944-1945). In: SILVEIRA, Joel; MIRTKE, Tássilo (orgs,). A luta dos pracinhas: a FEB 50 anos depois, uma visão crítica. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Aniversário de 45 anos da invasão da Polônia.

A Campanha da Polônia (setembro - outubro de 1939) marcou o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) na Europa. A série que faz parte desta postagem foi emitida pelos correios da Polônia em comemoração ao aniversário de 45 anos da invasão alemã, iniciada em 1. de setembro de 1939. A série foi lançada no dia 1. de setembro de 1984, sendo formada por dois valores, 5 e 6 Zlotys.

A série recorda dois episódios e personagens da resistência polonesa contra o avanço alemão, o Coronel Stanislau Dabek (1892-1939), herói na retirada para Kopa Oksywska, em setembro de 1939, e o General Tadeusz Kutrzeba (1885-1947), responsável pelo planejamento e pela execução da contraofensiva ao longo do rio Bzura, desencadeada contra o 8. Exército alemão, em 9 de setembro, pegando-o de surpresa (ZALOGA, 2009). 

Sct., Polônia, 2639/40. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

A contraofensiva do rio Bzura foi rechaçada pelos alemães. Em sua avaliação, Steven J. Zaloga (2009, p. 67-70) explicou que:

"O desenrolar da contra-ofensiva do Bzura faz ressaltar as duas principais carências do Exército polaco de 1939 comparado com a Wehrmacht. O primeiro era muito menos móvel que o alemão, que foi capaz de levar reforços importantes até ao sector, alguns desde lugares distantes, enquanto os polacos aguardavam desesperadamente que chegassem os restos do Exército de Pomorze. A infantaria polaca combateu bem quando esteve em paridade com o inimigo, mas os alemães, graças à sua maior mobilidade táctica, conservaram a sua superioridade numérica e de potência de fogo, A segunda carência notável dos polacos foram as suas antiquadas transmissões. Começada a contra-ofensiva, Kutrzeba apenas teve contacto com as forças polacas de fora do seu sector e foi incapaz de coordenar as suas operações com unidades próximas de Varsóvia. O Alto-Comando, em Brzesc, demonstrou estar pouco preparado para dirigir operações complexas numa localidade isolada".

Referência.

ZALOGA, Steven J. A invasão da Polónia: guerra-relâmpago. Barcelona; Oxford: RBA Coleccionables; Osprey Publishing, 2009.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Marinha polonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Neste ano, será comemorado o aniversário de oitenta anos do começo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A invasão alemã à Polônia, iniciada durante a madrugada do dia 1. de setembro de 1939, assinalou o início desse conflito (BEEVOR, 2015).

Segundo narrou Steven Zaloga (2009), a campanha alemã foi desencadeada às quatro horas da madrugada, com um ataque do couraçado alemão Schleswig-Holstein contra a guarnição polonesa de Westerplatte, localizada próxima à cidade de Danzig, na Polônia.

As forças armadas polonesas não resistiram aos alemães, que colocaram em prática a doutrina militar da Guerra-relâmpago. Em 27 de setembro, a capital da Polônia, Varsóvia, se rendeu. Alguns dias depois, em 6 de outubro, a campanha polonesa foi encerrada com a rendição do General Franciszek Kleeberg (1888-1941), cujo grupamento tático representou a última grande unidade do exército polonês em combate (ZALOGA, 2009).

Contudo, ao longo da Segunda Guerra Mundial, os cidadãos poloneses contribuíram com o esforço de guerra aliado de diversas maneiras, através de guerrilheiros, de voluntários oriundos de diversos países, entre os quais o Brasil, e de remanescentes das forças armadas da Polônia, a exemplo do Exército de Anders. Na filatelia polonesa, a memória da Segunda Guerra Mundial está presente desde o final do conflito, em 1945.

Marinha polonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Série de selos postais comemorativos lançada em 25 de setembro de 1970. Ela é formada por três valores, 40 Grosz, 60 Grosz e 2,50 Zloty. Monocromáticos e retangulares, os selos desta série foram impressos em "talho-doce", comum aos selos europeus da época e que confere a eles alto-relevo e grande beleza.

Sct. 1760/62. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

O primeiro valor, 40 GR, é ilustrado com o destróier "Piorun"; o segundo valor, 60 GR, com o submarino "Orzel". Já o último e mais alto valor, 2,50 ZL, também foi ilustrado com um destróier, denominado "Garland". No canto esquerdo de cada valor, o escudo da Batalha de Grunwald, travada em 15 de julho de 1410.

Referências.

BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015.
ZALOGA, Steven J. A invasão da Polónia: Guerra-relâmpago. Barcelona / Oxford: RBA Coleccionables S.A.; Osprey Publishing, 2009.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Niemals Vergessen!

As experiências do Nazismo e da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) marcaram profundamente a memória social de diversos países da Europa. Essas memórias, por sua vez, possuem diversos suportes, a exemplo dos selos postais [1].

A série que faz parte desta postagem (figura 1) foi lançada pelos correios da Áustria em 16 de setembro de 1946. No sistema de catalogação Scott, ela corresponde aos selos semi-postais B-171 / 178. "Semi-postal", pois tratam-se de selos sobretaxados (o catálogo Scott separa em uma categoria própria todos os selos que sofrem sobretaxação). O título dessa série é "Propaganda Antifascista" [2].

Figura 1: Propaganda Antifascista. Sct., Áustria, 1946, B-171/178. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Em 1938, a Áustria foi anexada à Alemanha, fato este conhecido como Anschluss. Na ocasião, os correios alemães emitiram cartões, marcas (carimbos e flâmulas) e selos postais. Como em outros países da Europa que sofreram a ocupação alemã ou foram incorporados à "Grande Alemanha", o repúdio ao Nazismo também envolveu a emissão de selos postais.

Notas:

[1] - A respeito das relações entre selos postais e memória, recomenda-se a leitura de: LE GOFF, Jacques. História e memória. 4. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996 (Coleção Repertórios).
[2] - SCOTT. Standard postage stamp catalogue volume 1. Sidney: Scott Publishing Co., 2007, p. 661.

sábado, 10 de março de 2018

Museo Filatelico e Numismatico (Musei Vaticani)

Estado da Cidade do Vaticano é o nome oficial da sede da Igreja Católica Apostólica Romana. Trata-se, de uma cidade-estado soberana, fundada em 1929, através do Tratado de Latrão. O Vaticano, como também é conhecido, é um enclave murado localizado na cidade de Roma, capital da Itália.

Durante o começo de janeiro deste ano, minha família e eu visitamos o Vaticano. Um dos espaços que visitamos foi um conjunto de museus e lugares de memória denominado Museus Vaticanos (Musei Vaticani). A célebre Capela Sistina faz parte desse complexo.

Figura 1: saída do Museus Vaticano. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Museo Filatelico e Numismatico faz parte dos Musei Vaticani e foi inaugurado em 25 de setembro de 2007. Sua exposição é dividida em duas seções: "Filatélica" e "Numismática". A exposição filatélica narra a história postal da Santa Sé, dos Estados Pontifícios às mais recentes emissões postais do Vaticano.

Figura 2: Aspecto da parede da escadaria que dá acesso ao Museo Filatelico e Numismatico. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Já a exposição numismática compreende as emissões entre 1929 e 2001.

Figura 3: vista parcial da exposição do Museo Filatelico e Numismatico. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 4: uma caixa de coleta em exposição. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Ficou interessado? mais informações sobre o Museo Filatelico e Numismatico, assim como dos demais museus e lugares de memória no Vaticano poderão ser coletadas no linque a seguir: Musei Vaticani.



sábado, 24 de fevereiro de 2018

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), as operações de guerra psicológica da Inglaterra envolveram a impressão e a distribuição de inúmeros cartões postais de propaganda. Muitos deles foram impressos em português, assim como outros tipos de impressos, como por exemplo, brochuras. Todo esse material foi distribuído em países lusófonos, tais como Brasil e Portugal.

A impressão e a distribuição de propaganda de guerra na forma de cartões postais pela Inglaterra também ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), informa José Pedro Mataloto [1]. De acordo com esse autor, foi no contexto da "Grande Guerra" que as operações de guerra psicológica se tornaram uma prática formal por parte dos países beligerantes [2].

O cartão postal que faz parte desta postagem mistura imagem e texto escrito. Uma fotomontagem em que um Sargento da Real Força Aérea é comparado com uma bomba de novecentos quilos que, segundo informa o próprio postal, representa as quatro mil bombas deste porte lançadas sobre objetivos industriais e militares na Alemanha, pelos bombardeiros da RAF (figura 1).

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

A fotomontagem foi um recurso gráfico recorrente nas propagandas de guerra aliada e do eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Aliás, ela foi usada em outros contextos históricos, como por exemplo, a Revolução Russa e o Stalinismo - ambos na antiga União Soviética. A divulgação de dados quantitativos também.

Contudo, esses dados devem ser considerados com cuidado, especialmente, quando levado em consideração o regime de informação em que eles foram produzidos e divulgados. A respeito da Inglaterra, Phillip Knightley adverte que, durante a Segunda Guerra Mundial, houve muita desconfiança acerca dos dados e dos informes oficiais ingleses [3]. De acordo com ele, "[...] toda declaração britânica, toda matéria divulgada pelo ministério, era automaticamente rotulada como propaganda" [4].

Algo absolutamente normal em um conflito que, em grande medida, foi uma guerra de informação e contrainformação.

Notas:

[1] - MATALOTO, José Pedro. Postais da Primeira Guerra Mundial: instrumentos de influência e de ação psicológica. In: VENTURA, António. Portugal na Grande Guerra: postais ilustrados. Lisboa: Edições Tinta-da-China, 2015, p. 18.
[2] - Ibidem, p. 17.
[3] - KNIGHTLEY, Phillip. A primeira vítima: o correspondente de guerra como herói, propagandista e fabricante de mitos, da Criméia ao Vietnã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975, p. 289 (Coleção Convergência).
[4] - Ibidem, idem, p. 289.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Aniversário de 60 anos da Batalha de Stalingrado.

Existem na história da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) campanhas militares e batalhas travadas que se tornaram "icônicas", sendo recorrentes suas evocações nas diversas formas de narrativas sobre o conflito. A Batalha de Stalingrado, travada entre a segunda metade de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, é um exemplo dessas campanhas e batalhas icônicas da Segunda Guerra Mundial.

Em sua síntese sobre esse conflito, Antony Beevor narrou uma batalha dramática e medonha tanto para as forças armadas do Eixo quanto para o Exército Vermelho. Localizada na margem ocidental do rio Volga, hoje, a antiga cidade de Stalingrado, fundada em 1589, chama-se Volgogrado. Em 24 de novembro de 1942, Hitler ordenou que ela resistisse ao cerco soviético custe o que custar [1].

O bloco que faz parte desta postagem foi lançado pelos correios da Rússia em 4 de outubro de 2002 e celebra o aniversário de 60 anos da Batalha de Stalingrado. Ele faz parte de outras emissões alusivas ao aniversário de 60 anos do final de Segunda Guerra Mundial, comemorado em 2005. Um mapa serviu como pano de fundo, sobre o qual foi feita uma fotomontagem (figura 1).

Figura 1: Scott, Rússia, 6721. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Entre os elementos da fotomontagem, destaca-se a estátua "A Mãe Pátria Chama", localizada na colina de Mamayev Kurgan, no Centro de Volgogrado. Ela foi inaugurada em 1967 e também é conhecida como "A Pátria", segundo informa Richard Overy [2]. A estátua é colossal, com 85 m de altura e 7.900 toneladas. Na base de sua colina, uma escadaria com 200 degraus, alusivos aos duzentos dias que o cerco do Exército Vermelho em torno de Stalingrado durou [3].

Beevor estima em 1,1 milhão de baixas soviéticas em Stalingrado, enquanto que as forças armadas da Alemanha e seus aliados sofreram meio milhão, entre capturados e mortos. "Em  Moscou, os sinos do Kremlin repicaram com a vitória. Stalin foi saudado como o grande arquiteto da vitória histórica. A reputação da União Soviética cresceu em todo mundo e atraiu muitos recrutas para os movimentos de resistência liderados por comunistas" [4].

Notas:

[1] - BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 437.
[2] - OVERY, Richard. A contraofensiva aliada: os aliados avançam na África e na Rússia. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2014, p. 18 (Coleção Folha as Grandes Guerras Mundiais; v. 15).
[3] - Ibidem, idem, p. 18.
[4] - BEEVOR, Antony. op. cit., p. 450.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Você sabe o que é um "inteiro postal"?

Os selos não são os únicos itens colecionados e estudados pelos filatelistas. Existe um tipo de material de comunicação postal muito apreciado pelos colecionadores, denominado "inteiro postal".

Mas, você sabe o que é um "inteiro postal"?

Trata-se de um meio de comunicação, que reúne, em um único objeto, o suporte em que a mensagem será enviada (e escrita, em alguns tipos de inteiros) e o selo impresso com o valor referente ao porte ao qual ele está destinado. Daí, ele ser pré-selado.

Os primeiros inteiros postais foram emitidos durante o século XIX. No Brasil, eles surgiram durante o final do Segundo Reinado, a partir da década de 1880. Segundo Peter Meyer, há diversos tipos de inteiros postais, tais como aerogramas, bilhetes e cartões postais, cartas-bilhete, cartas pneumáticas, cintas, envelopes, envelopes para valores e mensagens [1].

Eles podem ser emitidos de forma regular ou comemorativa, como é o caso do envelope pré-selado que faz parte desta publicação, lançado em comemoração ao aniversário do Dia da Vitória, comemorado na Bielorrússia em 9 de maio (figura 1).

Figura 1: frente do envelope pré-selado. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Geralmente, os inteiros postais comemorativos são decorados com fotografias e ilustrações impressas. Essa característica torna os inteiros peças filatélicas utilizadas em coleções temáticas.

Nota.

[1] - MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda., 2012, p. 251.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Aniversário de 25 anos do final da Segunda Guerra Mundial.

Você já ouviu falar em um país chamado Granada? Em língua inglesa, ele é conhecido como Grenada. Trata-se, de uma nação insular localizada no Caribe, cuja capital é a cidade de Saint George´s. Granada é um país minúsculo, com uma área de 344 km2 e uma população estimada em 110 mil habitantes. A população do município em que moro, São Bento do Sul, é quase a população de Granada. Esse país faz parte da Commonwealth, a Comunidade Britânica de Nações, daí suas referências ao patrimônio cultural britânico presentes em suas emissões de selos postais.

Aniversário de 25 anos do final da Segunda Guerra Mundial.

Em 3 de setembro de 1970, os Correios de Granada lançaram uma série de selos postais alusiva ao aniversário de 25 anos do final da Segunda Guerra Mundial. Sob a numeração Scott. 373 - 378, a série é formada por seis valores, que retrataram os principais líderes militares e políticos aliados ao lado de ilustrações a respeito de importantes fatos acerca da Segunda Guerra Mundial, como por exemplo, o Marechal Zhukov e a queda de Berlim, e o General Charles de Gaulle e a libertação de Paris.

Figura 1: bloco com os selos 373, 375, 377 e 378. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Quatro valores da série, Scott 373, 375, 377 e 378, foram transformados em um bloco, cujo exemplar que pertencente à coleção do autor ilustra esta postagem. Nele, embora todas bandeiras das potências aliadas vencedoras do conflito estejam impressas, predomina uma memória anglo-americana, com as imagens de líderes militares e políticos dos Estados Unidos e da Inglaterra e eventos militares relacionados aos seus respectivos países.

domingo, 10 de dezembro de 2017

"Para a Cruz Vermelha alemã".

Certamente, a Cruz Vermelha, seja uma das entidades humanitárias internacionais mais conhecida entre as pessoas. No "mundo muçulmano", ela é conhecida como "Crescente Vermelho". Ela foi fundada na cidade de Genebra, na Suíça, por Jean-Henri Dunant, em 1863. Atualmente, a organização tem um total aproximado de 97 milhões de voluntários.

A Cruz Vermelha é um tema recorrente em inúmeras emissões comemorativas, em diversos países, entre os quais, o Brasil. Fora a quantidade incomensurável de carimbos, cinderelas, flâmulas, inteiros e demais documentos postais relacionados ao assunto, especialmente, em contextos de conflitos militares, como por exemplo, a Segunda Guerra Mundial.

"Para a Cruz Vermelha alemã".

O item que faz parte desta postagem é um envelope circulado entre as cidades de Praga (República Tcheca, ??/??/1940) e Salzwedel (Alemanha, 02/07/1940). Trata-se, de uma carta registrada com "pagamento na contra entrega", Nachnahme - como é conhecido o sistema na língua alemã. Ele equivale ao nosso sistema de reembolso postal

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

As taxas referentes ao porte, ao registro e ao reembolso foram pagas através da aplicação de um conjunto de selos postais regulares e comemorativos, emitidos pelos correios do Protetorado da Boêmia e Morávia. Entre os selos fixados, está a série comemorativa "Rotes Kreuz", formada por dois valores, 60 Centavos e 1,20 Coroas, lançada em 29 de junho de 1940 [1].

Ambos valores foram sobretaxados, respectivamente, 40 e 80 Centavos. Ou seja, além de pagar o valor facial para o porte, o remetente pagou um valor extra, destinado para a Cruz Vermelha alemã, daí o sentido da sua emissão. Trata-se, de uma série muito bem produzida, com apêndices sobre os quais foi impressa em alemão e tcheco a seguinte frase: "Para a Cruz Vermelha alemã", além do símbolo da Cruz Vermelha nazificado.

Böhmen und Mähren.

Protetorado da Boêmia e Morávia foi um dos territórios europeus sob o controle alemão entre 1935 e 1945, nos contextos do expansionismo territorial da Alemanha na Europa e da Segunda Guerra Mundial. As primeiras emissões postais ocorreram em 15 de julho de 1939, com selos regulares da Tchecoslováquia com sobre estampas. Já a última emissão, foi lançada em 01 de fevereiro de 1945, um selo regular com a efígie de Adolf Hitler [2].

Entre 1939 e 1945, foram emitidas três séries de selos postais comemorativos e com sobretaxa para a Cruz Vermelha alemã, respectivamente, em 29 de junho de 1940 (Mi., 53-54), 20 de abril de 1941 (Mi., 62-63), 01 de setembro de 1942 (Mi., 111-112) e 16 de setembro de 1943 (Mi., 132) [3].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-katalog in farbe 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 107.
[2] - Ibidem, p. 109.
[3] - Ibidem, p. 107 - 109.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Cartões postais patrióticos japoneses.

Os primeiros cartões postais foram introduzidos no Japão, durante o final do século 19, junto com os selos postais, no contexto de modernização e ocidentalização japonesas, conhecido como Restauração ou Revolução Meiji. Rapidamente, os cartões postais foram reconhecidos como meios de propaganda ideológica, de difusão dos valores morais e políticos do Estado japonês [1].

Entre a Guerra Russo-Japonesa (1904 - 1905) e a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), foram produzidos inúmeros cartões postais patrióticos para as forças armadas do Japão, como por exemplo, o que faz parte desta postagem (figura 1). Os estilos e os temas das ilustrações desses cartões postais foram variados, revela John Adcock [2].

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Segundo esse autor, "as tropas do Japão, geralmente, preferiam mais representações artísticas de tropas no terreno da selva e cenas pacíficas e bucólicas de paisagens e edifícios chineses"[3].

A ocupação japonesa na China.

Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937 - 1945) foi um conflito militar protagonizado pela China e pelo Japão, cujas origens estão situadas no declínio da monarquia chinesa e no expansionismo japonês no Extremo Oriente. A guerra foi travada na China continental a partir da invasão e ocupação nipônicas [4].

O conflito foi marcado por vitórias militares e massacres contra civis chineses, perpetrados pelos invasores, como por exemplo, o infame Massacre de Nanquim, em 1938. A seu respeito, Antony Beevor narra que:

"Os chineses certamente tinham uma ideia da violência do inimigo, mas não conseguiram imaginar o grau de crueldade que viria" [5]. O autor prossegue e revela que: "Os edifícios da cidade foram saqueados e incendiados. Para escapar dos assassinatos, estupros e destruição, civis tentaram se abrigar na 'zona de segurança internacional'" [6].

Nos territórios ocupados, foram criados Estados fantoches, tais como Manchukuo, localizado no nordeste da China, na região histórica da Manchúria, entre 1932 e 1945. A partir do final de 1941, com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o conflito foi absorvido pela Guerra do Pacífico, encerrada com a rendição incondicional japonesa, em 1945 [7].

Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, foram mobilizados mais de 10 milhões de homens e mortas mais de 20 milhões de pessoas, entre civis e militares [8].

Notas:

[1] - http://john-adcock.blogspot.com.br/2012/08/wartime-japanese-postcards.html
[2] - Ibidem.
[3] - Ibidem.
[4] - Ibidem.
[5] - BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 76.
[6] - Ibidem, p. 76.
[7] - https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Sino-Japonesa
[8] - Ibidem.

sábado, 25 de novembro de 2017

Coleta para o esforço de guerra na cidade de São Paulo.

2017 é o ano do centenário da declaração brasileira de guerra contra o Império Alemão, ocorrida em 26 de novembro de 1917, durante o governo do presidente Wenceslau Braz, após o afundamento do navio Macau, pelo submarino alemão U-93 [1].

O ataque e afundamento do Macau foi o ápice de um conjunto de ataques contra embarcações brasileiras desde o começo de abril de 1917, quando o Paraná foi afundado pelo submarino UB-32, sob o comando do "Kapitänleutnant" Max Vieberg [2].

Embora pouco divulgada entre o público brasileiro, a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) produziu diversos impactos econômicos, militares e políticos no Brasil, especialmente, se levarmos em consideração a colonização europeia no país.

Propaganda de guerra.

O cartão postal que faz parte desta publicação (figura 1) é um exemplo de como que os estrangeiros residentes no Brasil da época foram envolvidos com a guerra na Europa. Alistamentos de voluntários e arrecadação de fundos estiveram na ordem do dia [3].

Figura 1: frente do cartão. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Segundo a coleção "Nosso Século" [4], este cartão postal foi oferecido como um meio de arrecadação de fundos entre os membros das comunidades teuto-brasileiras na cidade e no Estado de São Paulo.

"27 de janeiro de 1917.
"Que ninguém diga: 'Eu já contribui'; nossas tropas também não dizem: 'Nós já lutamos'." Coleta para o esforço de guerra na cidade e Estado de São Paulo" [5].

Já no verso do cartão postal, foi impressa a seguinte mensagem:

"O Comitê executivo agradece por todas as doações recebidas e além disso pede que se lembre dos feridos bem como das viúvas e órfãos dos combatentes" [6].

Tal como aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, o "reconhecimento" do estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha gerou agressões e perseguições aos alemães e teuto-brasileiros residentes, principalmente, no sul do país. Possivelmente, após 26 de novembro de 1917, esse tipo de material produzido também serviu de combustível para inflamar essas agressões e perseguições, típicas de tempos de guerra, e que fazem parte da memória e história do Brasil.

Notas:

[1] - DARÓZ, Carlos. O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. São Paulo: Contexto, 2016, p. 101 - 103.
[2] - Ibidem, p. 89.
[3] - Reflexos da guerra. Nosso Século, São Paulo, sine die, p. 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] e [6] - As traduções da língua alemã para o português foram feitas pelo amigo e colega historiador Dilney Cunha (Joinville, SC).

sábado, 18 de novembro de 2017

50 anos da "Noite dos Cristais".

Há na filatelia alemã diversas referências à experiência história do nacional-socialismo e do genocídio judeu, ocorrido entre 1933 e 1945. Os selos postais emitidos pela antiga DDR, por exemplo, versam sobre a vitória sobre o fascismo, como mostra a emissão comemorativa de 5 de maio de 1960 (Mi., DDR, 764), alusiva ao aniversário de 15 anos da "Befreiung vom Faschismus" [1].

Em 13 de novembro de 1988, os correios da República Federal da Alemanha lançaram um selo postal comemorativo ao aniversário de 50 anos da "Noite dos Cristais" (Mi., BD, 1389), nome dado ao pogrom que ocorreu na Alemanha, em 9 de novembro de 1938. Trata-se de uma série formada por um selo, com o valor de 80 centavos [2] (figura 1).

Figura 1: selo Mi., BD, 1389. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

A "Noite dos Cristais".

Os pogroms são parte da história das práticas antissemitas na Europa desde o Medievo. A "Noite dos Cristais" (Reichscristallnacht), porém, está relacionada aos acontecimentos na Alemanha vinculados ao genocídio judeus entre 1933 e 1945. O massacre foi motivado pelo assassinato de Ernst vom Rath por Herschel Grynszpan, na embaixada da Alemanha, em Paris, no dia 7 de novembro de 1938 [3].

Rath não resistiu aos ferimentos e morreu durante a tarde de 9 de novembro. Esse fato desencadeou uma onda de violência contra as comunidades de judeus na Alemanha, que ficou conhecida como "A Noite dos Cristais". A violência foi intensificada durante a noite, em particular, após uma reunião entre Goebbels e líderes nazistas, em Munique [4].

Segundo Raul Hilberg, as "rebeliões se espalharam com a velocidade de um relâmpago. A formação da SA enviou suas brigadas para sistematicamente incendiar todas as sinagogas do país" [5]. O autor avaliou que a "Noite dos Cristais" foi um divisor de águas nas primeiras etapas históricas do genocídio judeu. Até então, predominou, basicamente, um processo legal de exclusão dos judeus da cultura, economia, política e sociedade alemãs [6].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-Katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 192.
[2] - Ibidem, p. 450.
[3] - HILBERG, Raul. A destruição dos judeus europeus. Barueri: Amarilys, 2016, p. 38 - 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] - Ibidem, p. 39.
[6] - Ibidem, p. 29 - 38.

sábado, 11 de novembro de 2017

Quando a Grande Guerra chegou a Barbacena.

Há cem anos, no dia 26 de novembro de 1917, o presidente Wenceslau Braz assinou o Decreto n. 3.361, que reconheceu o estado de guerra entre o Brasil e o Império Alemão. Esse fato assinalou a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) [1].

Inicialmente neutro, o estopim para o ingresso do Brasil no conflito foi o afundamento do navio mercante Macau, em 18 de outubro de 1917. A esse respeito, o historiador Carlos Daróz explica que:

"[...] o Macau foi interceptado e torpedeado pelo submarino U-93. O comandante alemão, Kapitänleutnant Helmut Gerlach, ordenou o capitão brasileiro e ao taifeiro Arlindo Dias dos Santos que desembarcassem e subissem a bordo do submarino, enquanto os demais tripulantes procuravam abrigo nas baleeiras. Em poucos minutos o Macau desapareceu sob as águas do Atlântico, mas todos os 47 tripulantes que estavam nas baleeiras conseguiram se salvar" [2].

O envolvimento brasileiro com a Primeira Guerra Mundial foi registrado pela Cartofilia e Filatelia brasileiras, como mostra o carimbo que ilustra esta postagem.

A guerra em Barbacena.


A figura acima reproduz um carimbo de propaganda de guerra, publicado em um antigo estudo de Carimbologia brasileira, escrito por Nino Aldo Códa, em 1941 [3]. Conforme o autor, por "ocasião da participação do Brasil no conflito mundial [...], entre as manifestações de civismo que se realizaram, presumivelmente, muitos carimbos hão de ter sido usados da ordem deste, empregado pelo Correio de Barbacena [em Minas Gerais]" [4]. Ele ainda informa que o carimbo era em borracha, com formato oval, sem data e aplicado com tinta na cor verde. Ele possuía a seguinte inscrição: "Às armas, brasileiros! Defendamos nossa pátria (Correio de Barbacena)" [5].

Notas:

[1] - DARÓZ, Carlos. O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. São Paulo: Contexto, 2016, p. 102.
[2] - Ibidem, p. 100.
[3] - CÓDA, Nino Aldo. Contribuição ao estudo dos carimbos. Rio de Janeiro: FILATIP, 1941.
[4] - Ibidem, p. 171.
[5] - Ibidem, idem, p. 171.

sábado, 4 de novembro de 2017

Carl Peters.

A história política da Europa durante a segunda metade do século XIX foi marcada por unificações nacionais e corridas coloniais nos continentes africano e asiático. Na educação básica, aprendemos esses assuntos sob o título de Imperialismo ou Neocolonialismo, conforme mostram os sumários de apostilas e livros didáticos de História.

Com a Alemanha, não foi diferente. O Estado nacional alemão que conhecemos foi fundado em 1871, após a vitória da Prússia sobre a França em um conflito militar denominado Guerra Franco-Prussiana (1870 - 1871). No salão dos espelhos do palácio de Versalhes, foi proclamado o Segundo Reich, o início do Império Alemão [1].

Carl Peters.

O Império Alemão foi dissolvido após o término da Primeiro Guerra Mundial, em 1918. Em quase meio século de existência, possuiu colônias na África e na Ásia. Carl Peters (1856 - 1918) foi um autor, político e líder colonialista alemão na África. Foi um controverso adepto do darwinismo social e do Völkisch. Fundou a Companhia Alemã da África Oriental [2].

Na filatelia alemã entre 1871 e 1945, período este conhecido como Deutsches Reich, Carl Peters foi personagem em duas emissões: 30 de junho de 1934 (Mi., DR, 542); 27 de outubro de 1939 (Mi., DR, P 285) (figura 1) [3]. Interessa para esta publicação a segunda emissão. Ela é o sexto valor de uma série de bilhetes postais lançada em 27 de outubro de 1939, com sobretaxa de 4 centavos de Marcos para a "assistência de inverno" (Winterhilfswerk - WHW) de 1939. A série foi ilustrada com personalidades da história alemã, entre os quais, Carl Peters.

Descrição.


Figura 1: frente do bilhete postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Bilhete postal circulado entre Düsseldorf (Alemanha, 19/02/1940) e Merano (Itália, 21/01/1939 [sic]). Correspondência simples, com franquia adicional de 9 centavos de Marcos e verificada pela censura postal alemã, provavelmente, na cidade de Munique, cujo centro de censura postal verificou correspondências destinadas aos países: Itália, Espanha, Portugal e Suíça [4].

Notas:

[1] - A respeito da formação do Estado nacional alemão, durante a segunda metade do século XIX, há diversas referências, entre as quais: ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
[2] - https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Peters
[3] - MICHEL. Junior-katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 46. _____. Ganzsachen-katalog Deutschland 2003. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2003, p. 178.
[4] - http://www.postalcensorship.com/examples/ww2germany/c_ww2gercodes.html

sábado, 28 de outubro de 2017

A FEB é o "máximo"!

Há várias formas de praticar o colecionismo filatélico. Inclusive, envolvendo coleções de outras naturezas, como por exemplo, os cartões postais. É o caso da Maximafilia, nome dado à prática de colecionar e confeccionar máximos postais. Mas, o que é um "máximo postal"? Quem responde a pergunta é o filatelista Raymundo Galvão de Queiroz (1984, p. 68), segundo o qual, "o máximo postal é a peça filatélica que resulta da união do postal, do selo e do carimbo, todos guardando entre si a mais perfeita concordância possível".

As origens dos máximos postais estão situadas na segunda metade do século XX, no contexto de desenvolvimento dos selos postais, da fotografia, das técnicas mecânicas de reprodução de imagens e do aparecimento dos primeiros cartões postais. Foi durante a década de 1930, que os máximos postais passaram a incorporar as coleções filatélicas, a constituir as "coleções especiais", segundo informa Queiroz (1984). Ainda nesse autor, foi em 1932 que surgiu o nome carte-maximum, traduzido para o português por A. S. Furtado como "postal máximo".

As coleções de máximos postais são contempladas pelas exposições filatélicas oficiais, reconhecidas pela Federação Internacional de Filatelia, a "FIP", que possui uma Comissão de Maximafilia, cujos regulamentos servem de referências para filatelistas e associações filatélicas interessadas nessa forma de colecionismo. No Brasil, a Federação Brasileira de Filatelia - FEBRAF tem sua respectiva Comissão de Maximafilia, sob responsabilidade do Sr. Agnaldo de Souza Gabriel, um dos mais notáveis maximafilistas brasileiros.

A FEB é o "máximo"!

A Força Expedicionária Brasileira - FEB foi uma força terrestre do Brasil, criada em 1943 e enviada à Itália em 1944 para participar de operações militares contra alemães e italianos, principalmente, na região dos montes Apeninos. Com um efetivo de pouco mais de 25 mil homens, a FEB reuniu, com grande custo, jovens brasileiros oriundos, principalmente, dos Estados brasileiros das regiões Sudeste e Sul, com destaque para o Distrito Federal (25,71%) e São Paulo (16,41%), segundo informa o historiador Cesar Campiani Maximiano (2010).

A FEB foi composta pela 1a. Divisão de Infantaria Divisionária, pelo Depósito de Pessoal e pelos demais órgãos não-divisionários. Seu comandante foi o então General João Batista Mascarenhas de Moraes (1883 - 1968). A seu respeito, Maximiano (2010, p. 382) escreveu que: "embora excessivamente circunspecto e sóbrio, pouco dado a manifestações de apreço por subordinados, em geral não anima recordações rancorosas em ex-combatentes". O autor prossegue e revela que: "conservou o respeito e [...] a admiração de antigos comandados" (MAXIMIANO, 2010, p. 382).

A vitória aliada na Europa e a contribuição brasileira foram celebradas com a emissão de selos postais e carimbos comemorativos, como por exemplo, as séries comemorativas "Vitória dos Aliados" e "FEB", lançadas, respectivamente, em 8 de maio de 1945 e 18 de julho de 1945, conforme registra Peter Meyer (2012) em seu catálogo de selos postais brasileiros. O máximo postal que faz parte desta publicação envolve um cartão postal ilustrado com uma fotografia do General Mascarenhas de Moraes, o primeiro valor da série "FEB", amarrados com um carimbo comemorativo de 18/07/1945, aplicado na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal (figura 1).

Figura 1: frente do máximo postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Referências.

MAXIMIANO, Cesar Campiani. Barbudos, sujos e fatigados: soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Grua, 2010.
MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda, 2012.
QUEIROZ, Raymundo Galvão. O que é Filatelia. São Paulo: Brasiliense, 1984 (Coleção Primeiros Passos; v. 132).

sábado, 4 de março de 2017

De Nova Iorque para São Paulo.

Envelope circulado entre as cidades de Nova Iorque (Estados Unidos, 09/09/1944) e (São Paulo, 18/09/1944). Carta registrada com trânsitos em Nova Iorque (12/09/1944) e São Paulo (agência do distrito da Lapa, 19/09/1944). Correspondência com dupla censura (EUA / Brasil), conforme indicam a tira de fechamento fixada e o carimbo de censura aplicado sobre o envelope.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), existiram nos Estados Unidos, serviços de censura postal civil e militar. Interessa para esta postagem, a primeira, coordenada naquele país pelo Escritório de Censura. Ao todo, existiram 18 estações de censura postal, entre as quais em Nova Iorque [1], onde o censor 7828 verificou a correspondência destinada ao Sr. Prugner.

Segundo seus carimbos de trânsito, a correspondência chegou ao Brasil por São Paulo. Foi na capital paulista que ela recebeu um carimbo de censura. Porém, não há indícios de abertura e verificação de seu conteúdo por um censor. O carimbo "CENSURA POSTAL = SÃO PAULO" corresponde ao número 40.0, conforme a catalogação organizada por Jürgen Meiffert [2].

De acordo com esse autor, esse carimbo foi usado entre 1943 e 1945, em preto e violeta, com ocorrências comprovadas em correspondências datadas de 22/12/1943 e 21/06/1945 (preto) e 22/12/1943 (violeta) [3]. O envelope que ilustra esta postagem apresenta uma nova ocorrência do carimbo preto, em setembro de 1944.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Notas:

[2] - MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel: 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012, p. 80.
[3] - Ibidem, idem, p. 80.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

De Quito para Joinville.

Envelope circulado entre as cidades de Quito (Equador, ??/??/19??) e Joinville (22/04/19??). Carta simples, porém aberta e verificada pela censura postal brasileira, conforme indicam os carimbos de censor e de censura aplicados sobre o envelope, assim como a tira de fechamento usada para lacrar o envelope após a verificação do seu conteúdo.

A correspondência foi interceptada e censurada na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. É o que prova o carimbo de censura retangular roxo aplicado sobre a frente e o verso do envelope, "CENSURA POSTAL / D. FEDERAL". Segundo Meiffert [1], há registros do uso desse tipo de carimbo nos anos de 1936, 1938, 1942 e 1943.

Já o carimbo circular roxo com o número "18" é um carimbo de censor, ou de "inspetor" [2]. Ele informa que o censor 18, cuja identidade não poderia ser revelada publicamente, foi responsável pela abertura e verificação do conteúdo da correspondência destinada ao Sr. Wolfgang Hermann Kohls, em Joinville.

Por último, algumas considerações sobre a fita de fechamento usada pelo censor 18 após sua tarefa. Trata-se, do modelo 19, que substituiu o modelo 468, com o selo nacional e texto padronizados. Estima-se, que ela foi usada entre 1936 e 1944, nos seguintes Estados: Espírito SantoPernambucoSão Paulo e Distrito Federal - na época a cidade do Rio de Janeiro [3].

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Notas:

[1] - MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel: 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012, p. 70.
[2] - Ibidem, p. 148 - 150.
[3] - Ibidem, p. 173.