sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

De Pelotas para Porto Alegre: "censuraram minha carta tchê!"

Última postagem de 2013! Um ótimo ano, especialmente, para a filatelia que pratico. Para encerrar o ano, vou publicar mais um estudo sobre censura postal no Brasil, através de um envelope circulado entre as cidades de Pelotas e Porto Alegre, em 1932.
 
1. Descrição e análise.
 
Envelope circulado entre as cidades sul-rio-grandenses de Pelotas (26-27/08/1932) e Porto Alegre (27/08/1932). Carta simples, transportada pelo Serviço de Correio Aéreo, conforme comprovam os selos fixados sobre o envelope (RHM, A-19 e A-17) e as marcas postais aplicadas sobre o mesmo (figuras 1 e 2).
 
Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Figura 2: verso do envelope.
 
Em Pelotas, o envelope recebeu um carimbo de censura, provavelmente quando deu entrada nos Correios desta cidade. Trata-se de uma marca postal na cor roxa, com a palavra "CENSURADA", escrita em letras maiúsculas e sem moldura (figura 3). Segundo a catalogação feita por Meiffert (2012), foram encontradas outras correspondências enviadas para Pelotas - 01/09/1932, Curitiba para Pelotas e 21/09/1932, "Bahia" para Pelotas - , além de uma carta de 28/10/1930 sobre a qual também foi aplicado o mesmo carimbo de censura.
 
Figura 3: frente do envelope (detalhe).
 
Finalizando, resta explicar a razão que levou à censura deste envelope e dos outros dois mencionados por Jürgen Meiffert (2012), que circularam em épocas próximas à carta analisada nesta postagem. Durante meados de 1932, ocorreu no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo, uma rebelião contra o governo provisório de Getúlio Vargas, conhecida como Revolução Constitucionalista. O Rio Grande do Sul foi um dos locais onde ocorreram conflitos militares e políticos decorrentes desse levante, conforme relatam Luís Fernando da Silva Laroque e Janaíne Trombini. Possivelmente, a prática da censura postal na cidade de Pelotas, assim como em outras cidades gaúchas no mesmo período, atendeu à necessidades de segurança típicas de uma época de conflitos militares e políticos que foi o começo da década de 1930 no Brasil.
 
2. Referências.
 
MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandugszettel (1917 - 1972). 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012.
MEYER, Peter. Catálogo de Selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda., 2012.




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

De Chemnitz para Chemnitz.

Esta postagem é a continuação da publicação dos envelopes circulados alemães obtidos junto à Neumann Filatelia, durante a visita do autor à Brasiliana 2013 (Rio de Janeiro, 19 - 25 de novembro). A seguir, a descrição e a análise de uma carta circulada dentro da cidade alemã de Chemnitz, em 1934.
 
1. Descrição e análise.
 
Envelope circulado dentro da cidade alemã de Chemnitz (07/08/1934) - sem data de chegada registrada. Chemnitz está localizada no Estado da Saxônia, no leste da Alemanha (figura 1). Possui aproximadamente 350 mil habitantes e, entre 1953 e 1990, chamou-se Karl-Marx-Stadt.
 
Figura 1: localização de Chemnitz (vermelho) no Estado da Saxônia. Fonte: Wikimedia Commons.
 
Carta simples (figura 2), sobre a qual foi fixado um par de selos postais de 6 Rpf. correspondente ao valor pago pelo remetente para correspondências de tráfego de longa distância (Fernverkehr) com até 20 gramas de peso. Ainda sobre os selos postais fixados, eles são segundo valor da série alusiva ao Colonialismo alemão (Kolonialfeier - Deutsche Kolonialforscher). A série foi lançada em 30 de junho de 1934, em quatro valores 3 Rpf., 6 Rpf., 12 Rpf. e 25 Rpf. Cada um desses valores corresponde ao valor de um tipo específico de tarifa postal vigente na época. Finalizando, os selos fixados sobre o envelope foram obliterados através de um sistema mecânico de obliteração.
 
Figura 2: frente do envelope. Coleção; Wilson de Oliveira Neto.
 
2. Referências.
 
_____. Deutschland-spezial-katalog 2002: Band 1. München: Schwaneberger Verlag, GMBH, 2001.
MICHEL. Deutschland-katalog 2000/2001.  München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2000.




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

De Blumenau para Joinville.

A prática da censura postal foi comum no Brasil entre 1917 e 1972. Recentemente, este aspecto da história das comunicações postais brasileiras passou a ser conhecido com maior profundidade, através da publicação da segunda edição do catálogo de Jürgen Meiffert, Zensurpost in Brasilien (2012). A obra foi revista e ampliada, aliás, muito ampliada quando comparada a primeira edição, publicada em 2001. Esta postagem pretende publicar os primeiros resultados obtidos em nossos estudos sobre a prática da censura postal no Brasil, durante o século 20, baseados na obra de Meiffert e dos trabalhados de pesquisa publicados pelo grupo de pesquisas sobre filatelia brasileira ArGe-Brasilien e.V., na Alemanha.
 
1. Descrição e análise do documento.
 
Cartão postal circulado entre as cidades catarinenses de Blumenau e Joinville (figuras 1 e 2). Correspondência simples, franqueada com dois selos postais regulares de 100 Réis cada, pertencentes à série “vovó” (MEYER, 2012). O valor total pago pelo remetente, 200 Réis, corresponde ao porte vigente na época para bilhetes postais simples circulados dentro do território brasileiro ou do Brasil para os países membros da União Postal Americana - UPA.
 
Figura 1: verso do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Figura 2: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Sobre os selos fixados foi aplicado um carimbo de censura (figura 3), ao invés do carimbo obliterador com a data e o local em que o cartão postal foi despachado para o seu destino. Esse fato torna difícil estabelecer a data exata do envio do cartão em estudo. Porém, o remetente, um certo Mario Reu, ao escrever à sua prima, registrou a data de 27 de outubro de 1930. Em contrapartida, a chegada do cartão postal em Joinville foi registrada através de um “carimbo de chegada” que data de 3 de novembro de 1930 (figura 3).
 
Figura 3: detalhe ampliado do cartão postal em aparecem os carimbos de censura e de chegada ao destino, a cidade de Joinville (SC). Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Interessa neste estudo o carimbo de censura aplicado sobre o cartão. Segundo Jürgen Meiffert (2012), há dois conjuntos de marcas postais ligadas à prática da censura em correspondências no Brasil, entre 1917 e 1972: carimbos de censura; carimbos de censor / inspetor. O carimbo de censura aplicado no cartão postal tem formato retangular, com 5,1 centímetros de comprimento por 1,7 centímetros de largura. Dentro da moldura há a palavra censura, em letras garrafais. É possível que seja um carimbo feito em borracha, localmente, atendendo ao contexto de conflito político da época em que o cartão postal analisado foi enviado de Blumenau para Joinville [1].
 
Meiffert (2012) registra em seu catálogo o uso desse carimbo de censura no município de Joinville nos anos de 1936 e 1938. As características descritas pelo autor coincidem com as características observadas na marca postal em estudo. Isto é, carimbo retangular (rechteckstempel), dimensões (maβe) de 5.1 x 1,7 cm (exemplar analisado) / 53 x 18 mm (catálogo) e cor do carimbo em roxo (violett). Portanto, é possível se tratar da mesma marca postal usada nos anos de 1936 e 1938. Se for correto, há um dado novo que acrescenta uma nova localização temporal desse carimbo de censura dentro da catalogação feita por Jügen Meiffert, em seu Zensurpost in Brasilien (2012), em 1930.
 
Há uma questão em torno do cartão postal em estudo e do carimbo de censura aplicado sobre o mesmo que intriga o autor deste pequeno artigo: teria sido o cartão carimbado em Blumenau, quando do seu envio, ou em Joinville, quando da sua chegada? Meiffert (2012) situa o uso do carimbo em Joinville para os anos de 1936 e 1938. Porém, ele não menciona o critério usado para essa localização geográfica. Teria o autor encontrado uma correspondência circulada dentro do município de Joinville com esse carimbo de censura? Sugerimos aqui duas hipóteses: 1) o cartão postal foi carimbado em Blumenau, quando do seu envio, no lugar do carimbo obliterador; 2) o cartão postal foi carimbado em Joinville, quando da sua chegada, tendo em vista o forte envolvimento da cidade com a Revolução de 1930. A ausência do carimbo obliterador pode ser explicada por alguma confusão feita a agência de onde o cartão postal foi despachado, já que a Revolução de 1930 também atingiu o vale do rio Itajaí, em particular a cidade de Blumenau. Inclusive, esse é o tema do próprio cartão postal, conforme mostrou a figura 2.
 
2. Nota.
 
[1] - Trata-se da Revolução de 1930. Para maiores dados históricos sobre a Revolução de 1930 no Brasil e em Santa Catarina, recomenda-se a leitura, respectivamente, de Fausto (2003) e Côrrea (1983).
 
3. Referências citadas na postagem.
 
CORRÊA, Carlos Humberto. Um Estado entre duas Repúblicas: a Revolução de 30 e a política catarinense até 35. Florianópolis: UFSC; Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 11. ed. São Paulo: EDUSP, 2003 (Didática; v. 1).
MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien: katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel. 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012.
MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013. Completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda., 2012.





segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

De Gelenau para Auerbach.

Pretendo com esta postagem iniciar a publicação dos envelopes circulados obtidos junto à Neumann Filatelia, durante a visita que minha esposa e eu fizemos à Brasiliana, na tarde de Sábado, do dia 23 de novembro de 2013. Apesar do tempo ruim, conhecemos pessoalmente os amigos do fórum Selos do Brasil e vimos muitas coleções incríveis.
 
Envelope circulado dentro da Alemanha, entre as cidades de Gelenau (27/08/1934) e Auerbach - sem data de chegada registrada pelos Correios, embora o destinatário tenha registrado a entrada da carta (Eing / Eingegangen) em 28/08/1934. Correspondência simples, enviada como impresso (Drucksache) o que justifica o valor do porte pago pelo remetente, 3 Pf. para impressos com até 20 gramas de peso. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Início de uma nova coleção: de Barueri para Joinville (Guaramirim).

Esta postagem é o início de uma nova coleção. Ela é um estudo sobre as taxas postais brasileiras a partir de 1994, quando entrou em circulação no Brasil o Real. Trata-se, portanto, de uma coleção de História Postal. O desenvolvimento histórico das taxas postais é um dos itens estudados pelos filatelistas ligados à História Postal, como mostra o trabalho de Luiz Antônio Duff Azevedo, Selos, viagens & envelopes (2001). Nele, o filatelista fez muito mais que arrolar os diversos portes existentes ao longo das primeiras décadas do século passado no Brasil. Ao reunir diversos envelopes circulados e investigar suas respectivas franquias, o autor acabou narrando a própria história do Brasil e das comunicações postais durante a primeira metade dos novecentos com competência e dedicação típicas dos grandes colecionadores. Essa obra é, em grande parte, a inspiração que o autor desta postagem teve para iniciar esta nova coleção.
 
Cartão postal de propaganda das empresas Terram e Pillar Empreendimentos circulado entre os municípios de Barueri (23/10/2013) e Joinville - sem data de chegada registrada. O destinatário é a empresa Energy Sul, cuja rua e o CEP impressos na mala-direta são do município de Guaramirim e não Joinville. Correspondência simples, cujo porte - Carta Não-Comercial 1o. Porte - corresponde ao valor de R$ 0.80 para cartões postais básicos com até 20 gramas de peso. Como não existe um porte específico para cartões postais enviados por Pessoas Jurídicas, os Correios usam o mesmo valor para cartões postais enviados por Pessoas Físicas. Esse valor, R$ 0.80, é vigente no Brasil desde 19/06/2012. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

sábado, 16 de novembro de 2013

De Nuremberg a Berlim.

A Juventude Hitlerista foi criada em 1922. Três anos após a nomeação de Adolf Hitler para o cargo de chanceler da Alemanha, em 1936, tornou-se obrigatório o alistamento de todos os jovens alemães a partir dos seis anos de idade. Os jovens permaneciam na organização até os 18 anos de idade. A H-J tinha um forte caráter miliciano e seus integrantes aprendiam, entre outras coisas, as ideias e as práticas ligadas ao Nacional-Socialismo. Paralelamente à Juventude Hitlerista existiu a Liga das Moças Alemãs, destinadas à doutrinação nacional-socialista das jovens alemãs. Ambas desapareceram após o término da Segunda Guerra Mundial e a abolição do regime nazista, em 1945.
 
Um jovem corneteiro pertencente à Juventude Hitlerista ilustra o bilhete postal publicado nesta postagem. Trata-se de uma correspondência circulada entre Nuremberg e Berlim, em 1937. Tanto o bilhete postal quanto sua obliteração são alusivos ao Congresso de Nuremberg, reunião anual do NSDAP. Porém, isso já é um outro assunto.
 
Bilhete postal (postkarte) circulado entre Nuremberg (13/09/1937) e Berlim - sem data de chegada registrada. Correspondência simples, obliterada com um carimbo alusivo ao Congresso de Nuremberg (Reichsparteitag der NSDAP) de 1937. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Correio Oficial Alemão - Ostland.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), o leste europeu foi uma das principais áreas de ocupação militar alemã. Lá, ocorreram as operações militares decisivas para a derrota militar da Alemanha na Europa. Uma das regiões ocupadas pelos alemães na Europa oriental foi o Ostland, que corresponde aos seguintes países: Estônia, Letônia, Lituânia e Bielorrúsia. A história postal desses países sob ocupação alemã é rica e composta por diversos itens colecionáveis, tais como bilhetes, marcas e selos postais.
 
Bilhete postal não-circulado obliterado com um carimbo datador pertencente ao Correio Oficial Alemão no Ostland (16/06/1943) - Baranowitsche (Bielorrúsia). Coleção; Wilson de Oliveira Neto.


domingo, 27 de outubro de 2013

Do Líbano para o Rio de Janeiro.

Entre 1957 e 1967, o Brasil participou de operações militares promovidas pela Força de Emergência das Nações Unidas - FENU (United Nations Emergence Forçe - UNEF) na região do Canal de Suez, no Egito. Durante dez anos, o "Batalhão Suez" patrulhou a fronteira entre o Egito e Israel, além de varrer os campos minados na região. Frabrizzio B. Dal Piero informa que, os efetivos do Batalhão Suez eram renovados a cada sete meses, sendo formados por voluntários remunerados pela ONU. Até 1967, o Batalhão Suez teve um total de cinco comandantes. Tal como o Correio Militar da Força Expedicionária Brasileira, o Correio Militar do Batalhão Suez produziu diversos itens filatélicos, entre envelopes circulados e marcas postais diversas. Contudo, ele continua sendo um assunto pouco explorado pelos filatelistas brasileiros interessados em História Postal.
 
Envelope circulado entre a Agência Postal da FENU (11/07/1958), no Líbano, e o Rio de Janeiro - DF (19/07/1958), com passagem pelo Quartel-General do Exército Brasileiro (Rio de Janeiro - DF), em 17 de julho de 1958. Correspondência militar simples enviada de um efetivo do Batalhão Suez, provavelmente, aos seus familiares. Como tal, não possui selos fixados e a marca postal obliteradora não revela o local onde a carta foi despachada. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do envelope, onde foram aplicadas as marcas postais de trânsito (Quartel General do Exército Brasileiro, Rio de Janeiro - DF, 17/07/1958) e chegada (Madureira, Rio de Janeiro - DF, 19/07/1958). Também foi aplicado uma marca de autenticação do serviço postal do I Exército, no Distrito Federal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

 

sábado, 19 de outubro de 2013

De Berlim para São Paulo, via Correio Aéreo.

O serviço de correio aéreo na Alemanha foi iniciado durante o começo do século passado. A primeira série de selos postais destinada ao transporte de correspondências através de aviões foi emitida em 1912. Durante a década de 1930, o Correio Aéreo Alemão era eficientíssimo. Uma carta despachada da Alemanha para o Brasil levava cerca de uma semana para chegar ao destino.
 
Envelope circulado entre as cidades de Berlim (17/08/1939) e São Paulo (23/08/1939). Carta simples, transportada pelo serviço de correio aéreo alemão, conforme indica a etiqueta azul impressa sobre o canto inferior esquerdo do envelope e, no verso, a marca postal de chegada, referente ao "Correio Aéreo", "São Paulo". O valor facial dos selos fixados sobre o envelope não corresponde ao valor correto para este tipo de correspondência, cujo porte na época era de RM. 1.50 e não 1.54. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do envelope, sobre o qual foram aplicadas as marcas postais de chegada. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"America celebra jubilosamente el dia del descubrimento".

O mês de outubro é rico em festas. Aqui no Brasil, somente no dia 12, celebramos os Dias da Criança, de Nossa Senhora Aparecida e do Descobrimento da América, este último ocorrido em 1492. O descobrimento da América, tema desta postagem, ocorreu durante o final do século 15, no contexto das navegações ibéricas (Portugal e Espanha) e do término da Guerra de Reconquista (1086 - 1492). Ele foi protagonizado pelo navegador italiano Cristóvão Colombo (1451 - 1506), cuja expedição deixou o porto de Palos (Espanha), no dia 3 de agosto de 1492. Dois meses depois, em 12 de outubro, Colombo e sua tripulação desembarcaram na ilha Guanaani (San Salvador), no Caribe. Apesar de Cristóvão Colombo ter acreditado que chegou ao Japão (Cipango), a América havia sido "descoberta". Até 1402, Colombo realizou quatro viagens de exploração à América, porém sem reconhecer que as terras em que percorreu tratavam-se de um novo continente. Cristóvão Colombo faleceu amargurado e esquecido em Valladolid (Espanha), em 1506.
 
Bloco russo emitido em 1992 em celebração ao aniversário de 500 anos da descoberta da América. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Na filatelia, Cristóvão Colombo e o descobrimento da América são temas recorrentes em selos, bilhetes, carimbos, flâmulas e demais documentos postais. Um exemplo famoso é a série de selos postais comemorativos emitida pelos Correios dos Estados Unidos em 1893 (Scott, 230 - 245). O nome oficial da série é "Columbian Exposition", porém, aqui no Brasil, ela também é conhecida como série "Columbus". Trata-se de um conjunto formado por quinze selos postais de rara beleza, sendo a primeira série de selos postais comemorativos emitida nos Estados Unidos.
 
Envelope circulado entre as cidades de Buenos Aires, Argentina (11/10/1943) e Joinville, Brasil (23/10/1943), com trânsito pelo Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (?), em 15/10/1943. Envelope aberto pelo serviço de censura postal sul-rio-grandense, conforme comprovam a fita usada para lacrar a correspondência após a verificação e liberação do seu conteúdo e as marcas postais em vermelho aplicadas sobre a mesma. A obliteração dos selos fixados sobre o envelope foi realizada através de um processo mecânico. Ao lado de cada carimbo obliterador há flâmulas alusivas ao aniversário da descoberta da América com a seguinte frase: "America celebra jubilosamente el dia del descubrimento". Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do envelope sobre o qual foram aplicadas as marcas postais de trânsito, censura e chegada. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.




sábado, 28 de setembro de 2013

Atlanta, 1996: o centenário dos Jogos Olímpicos modernos.

Os Jogos Olímpicos são o evento esportivo mais importante do mundo. Em 1996, durante as Olimpíadas de Atlanta (EUA), foi celebrado o centenário dos Jogos Olímpicos modernos. Eles foram criados durante o final do século 19, através da iniciativa do Barão de Coubertin que, em 1894, criou o Comitê Olímpico Internacional - COI. Dois anos depois, em 1896, foi realizado o primeiro certame moderno na cidade de Atenas (Grécia). Os Jogos Olímpicos contemporâneos são uma releitura dos Jogos Olímpicos da antiguidade greco-romana, realizados entre 776 a.C. e 394 d.C. Nesse sentido, embora o discurso de Coubertin fosse de uma continuidade entre o passado e o presente, a forma e o sentido dos Jogos Olímpicos antigos eram muito diferentes da forma e do sentido atribuídos às Olimpíadas de hoje. Aliás, uma curiosidade: hoje, Jogos Olímpicos e Olimpíadas são sinônimos. Contudo, no mundo antigo, eram palavras com significados diferentes. "Olimpíada" era o nome dado ao intervalo entre as edições dos Jogos Olímpicos. Isto é, era uma referência no calendário grego e não o próprio evento esportivo.
 
Folha de selos postais comemorativos emitida pelos Correios dos Estados Unidos alusiva aos Jogos Olímpicos de Atlanta e ao centenário das Olimpíadas em 1996. Folha lançada em 2 de maio de 1996, cujo número catalográfico é Scott 3068. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso da folha, onde há uma citação atribuída ao Barão de Coubertin e breves explicações sobre as modalidades esportivas retratadas nos selos que formam a folha. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.



sábado, 21 de setembro de 2013

De Nurenberg para Litzmannstadt.

O envelope desta postagem foi um dos primeiros que eu obtive, quando comecei a colecionar selos alemães, durante a década de 1990. Até me recordo das circunstâncias em que eu o comprei, um encontro filatélico promovido pela Associação Filatélica e Numismática de Santa Catarina - AFSC, em Florianópolis. Na ocasião, chamou a minha atenção o carimbo aplicado duas vezes sobre o envelope, cujo tema é o relojoeiro Peter Henlein (1479/80 - 1542), considerado o inventor do relógio de bolso. Natural de Nuremberg, o invento de Henlein ficou conhecido como o "ovo de Nuremberg".
 
Envelope circulado entre as cidades de Nuremberg (06/09/1942) e Litzmannstadt - sem data de chegada registrada. Carta simples com franquia múltipla e obliteração comemorativa. O valor total dos selos fixados sobre o envelope corresponde ao valor pago na época para cartas com tráfego de longa distância (Fernverkehr) com até 20 gramas de peso. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

sábado, 14 de setembro de 2013

De Monticello para Berlim - voo inaugural do Graf Zeppelin.

Ao Ernesto (Motoka).
 
A invenção dos dirigíveis é um marco importante na história da aeronáutica. Viajar em um deles era um evento cheio de charme e requinte para poucos, pois os preços das passagens eram altíssimos. Além de passageiros, os dirigíveis também transportaram malas postais, cujas cartas e cartões postais são verdadeiras obras-primas da filatelia.
 
O LZ-127 Graf Zeppelin foi fabricado pela empresa alemã Luftschiffbau-Zeppelin GmhB, durante o final da década de 1920. O voo inaugural ocorreu em 18 de setembro de 1928, entre as cidades de Frankfurt (Alemanha) e Nova Iorque (Estados Unidos). A correspondência desta postagem é uma carta circulada entre as cidades de Monticello e Berlim, transportada pelo LZ-127 durante o retorno à Alemanha.
 
Envelope circulado entre as cidades de Monticello, EUA, (12/10/1928) e Berlim, Alemanha, (01/11/1928). Carta simples, transportada pelo dirigível alemão LZ-127 Graf Zeppelin, durante seu voo inaugural entre os Estados Unidos e a Alemanha, conforme comprova a marca postal roxa aplicada sobre o canto inferior esquerdo do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Detalhe do envelope onde é possível visualizar com maior nitidez o carimbo comemorativo ao primeiro voo do Graf Zeppelin entre os Estados Unidos e a Alemanha, durante o retorno da viagem inaugural, em 1928. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do envelope em que foram aplicados os carimbos de chegada no campo de pouso de Friedrichshaffen, em 01/11/1928. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.





sábado, 7 de setembro de 2013

De Pirna para Dresden.

A postagem de hoje é uma correspondência simples, trocada entre as cidades alemãs de Pirna e Dresden. Seu remetente é um certo advogado A. Mürkert. Já o destinatário é o Tribunal Distrital, em Dresden. A carta foi postada no dia 27 de outubro de 1934 e chegou rápido ao seu destino, um dia, conforme comprova o carimbo de chegada, aplicado sobre o envelope por algum servidor público lotado no tal do Tribunal Distrital. Quando eu olho para esta peça filatélica imagino que tipo de conteúdo ela deve ter carregado. Que problema jurídico ela estava tratando e, principalmente, qual foi a decisão tomada pela justiça da época.
 
Envelope circulado entre as cidades de Pirna (27/10/1934) e Dresden (28/10/1934). Carta simples. A data de chegada ao destino foi registrada por uma marca não-postal aplicada, provavelmente, por algum funcionário do próprio Tribunal Distrital, em Dresden. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

De Kiel-Holtenau para Recife.

O carteiro acabou de deixar aqui em casa uma encomenda muito esperada: o envelope desta postagem, um Zeppelin de 1935, a oitava viagem entre a Europa e a América do Sul.
 
O dirigível LZ 127 Graf Zeppelin foi construído durante o final da década de 1920. A empresa responsável pela sua construção foi a Luftschiffbau-Zeppelin GmbH. Seu voo inaugural ocorreu em 1928, entre Frankfurt (Alemanha) Nova Iorque (Estados Unidos). A primeira passagem do LZ 127 ao Brasil aconteceu em 1930 e deu início a uma longa história postal, marcada pela confecção dos mais belos e valiosos cartões postais e envelopes circulados, verdadeiras gemas da Aerofilatelia brasileira.
 
Envelope circulado entre Kiel-Holtenau (16/07/1935) e Recife (18/07/1935). Carta comum transportada pelo serviço de correio aéreo alemão, conforme comprovam a etiqueta azul (Mit Luftpost) fixada no canto inferior esquerdo do envelope e a marca postal vermelha (Deutsche Luftpost) aplicada próxima ao centro do mesmo. Correspondência transportada pelo dirigível alemão LZ 127 Graf Zeppelin, durante sua oitava viagem à América do Sul, segundo atestam as obliterações feitas sobre os selos postais fixados sobre o envelope - em uma tradução livre: "Correio Aéreo Alemão"; "Europa - América do Sul"; "Dirigível Graf Zeppelin"; "Oitava Viagem". Coleção: Wilson de Oliveira Neto (Ex-Antonio Carlos Pulsy).
 
Verso do envelope, onde é possível verificar a marca postal de chegada e identificar o remetente, um certo Sr. Gustav Schultz.



domingo, 11 de agosto de 2013

Schach-Olympia München 1936.

Os Jogos Olímpicos de Berlim não foi o único evento esportivo que agitou a Alemanha em 1936. Entre 17 de agosto e 01 de setembro de 1936, a cidade de Munique promoveu as "Olimpíadas de Xadrez" ou Schach-Olympia. O evento foi realizado no parque de exposições de Teresienhohe e contou com a participação de 21 países, entre os quais o Brasil, e 208 enxadristas. Ao final da competição, a Hungria obteve o primeiro lugar, seguida da Alemanha e da Polônia. O Brasil obteve o décimo sexto lugar. Uma curiosidade interessante a respeito das Olimpíadas de Xadrez de Munique: o certame teve um caráter internacional, porém ele não foi reconhecido pela Federação Mundial de Xadrez, a FIDE.
 
Tal como nos Jogos Olímpicos de Berlim, os Correios da Alemanha emitiram carimbos comemorativos para marcar "filatelicamente" o evento. Durante os dias de competição, as correspondências enviadas da agência postal do parque de exposições de Teresienhohe aplicaram um carimbo obliterador confeccionado especialmente para as Olimpíadas de Xadrez. As imagens a seguir são dois exemplos de peças filatélicas obliteradas com esse carimbo. Finalizando, o autor gostaria de agradecer ao amigo e filatelista José Augusto Fonteque que, gentilmente, enviou uma das imagem publicadas nesta postagem e que representa um dos itens da sua coleção de selos e documentos postais sobre o tema Xadrez.
 
Cartão postal circulado entre as cidades de Munique (16/08/1936) e Florianópolis - sem data de chegada registrada. Carimbo comemorativo alusivo às Olímpiadas de Xadrez de Munique. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Envelope circulado entre as cidades de Munique (24/08/1936) e Göppingen - sem data de chegada registrada. Carta simples. Carimbo comemorativo alusivo às Olimpíadas de Xadrez de Munique. Coleção: José Augusto Fonteque.



sábado, 3 de agosto de 2013

De Bujendorf para Berlin via balão.

Os serviços de correios foram inventados no mundo antigo, há mais de dois mil anos. De lá para cá, as pessoas e instituições responsáveis pelas comunicações postais usaram diversos meios de transporte para o envio e recebimento das suas respectivas remessas postais. O postkarte desta postagem foi transportado de balão, de Bujendorf para Berlin Ocidental, em 1964.
 
Os balões são aeróstatos, isto é, são aeronaves mais leves que o ar. Os primeiros balões modernos surgiram por volta do século 18, na Europa. Existem três tipos de balões, a saber: de ar quente; de gás; de Rozier.
 
Postkarte circulado entre Bujendorf (28/07/1964) e Berlin (28/07/1964). Correspondência simples, transportada por balão. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Interior do cartão.



quarta-feira, 24 de julho de 2013

O serviço de transporte postal entre Joinville e S. Bento em 1911.

A História Postal é um campo da Filatelia. Seu objetivo é o estudo das comunicações postais ao longo do tempo. As coleções e monografias de História Postal podem abordar assuntos e recortes históricos anteriores ao lançamento do primeiro selo postal, em 1840, na Inglaterra. Ou, investigar temas que não necessitam da presença de selos, como por exemplo, os transportes postais. Neste caso, o filatelista pode consultar diversos documentos históricos, como por exemplo, os jornais.
 
Vejamos o que uma fonte histórica, uma notícia publicada no jornal são-bentense O catharinense, de 19 de novembro de 1911, informa sobre o transporte de malas postais de/para São Bento do Sul:
 
Segundo lemos no nosso collega ‘Commercio de Joinville’, parece que o serviço postal entre aquella cidade e esta Villa, a principiar de Janeiro [de 1912] em diante será feito pela Hansa duas vezes por semana, atravessando pelo Rio Vermelho e Campo Alegre, regressando pelo mesmo caminho.
Desta Villa ao Rio Negro, irá 5 vezes por mez, parecendo que a agencia de Hansa passará a 3ª classe.
Oxalá que assim seja, para o bem estár do commercio e da população em geral.
Por diversas vezes tivemos ocasião de manifestar o nosso desejo com relação a vinda do correio duas vezes por semana, e agora com esta importante noticia, ficamos conscios que dentro em breve teremos a satisficação de vêr transformado em realidade o nosso maior desejo.

O município de São Bento do Sul foi fundado em 23 de setembro de 1873. Em 11 de abril de 1881, um decreto estadual autorizou a abertura de uma agência postal em S. Bento. Um mês depois, em 23 de maio, a primeira agência dos Correios no município abriu suas portas. Na ocasião, foi nomeado para o cargo de agente postal o senhor José S. de Oliveira (FICKER, 1973).

Referências:

FICKER, Carlos. História de São Bento do Sul: subsídios para sua história. 1a. parte. Joinville: Impressora Ipiranga, 1973.
Serviço postal. O catharinense. São Bento, v. 1, n. 31, p. 1, 19/11/1911.

sábado, 13 de julho de 2013

500 anos da descoberta da Flórida.

Ao meu amigo Timo.
 
Os europeus ibéricos chegaram à América entre o final do século 15 e o início dos quinhentos. Nesse sentido, um marco histórico importante é o desembarque de Cristóvão Colombo no Caribe, em 12 de outubro de 1492, fato este conhecido como "descoberta da América" (fig. 1).
Figura 1: Bloco de selos postais russo emitido em 1992, em celebração ao aniversário de 500 anos do descobrimento da América. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


A Espanha formou o primeiro e maior império colonial na América. Os conquistadores e viajantes espanhóis foram responsáveis, entre outras coisas, pela descoberta e exploração de diversos territórios no continente americano, entre os quais a Flórida, no sudeste dos Estados Unidos. Atribui-se ao espanhol Juan Ponce de Léon (1460 - 1521) a descoberta da Flórida, em 1513. Em abril deste ano, foi comemorado o aniversário de 500 anos da expedição de Ponce de Léon. Os correios dos Estados Unidos emitiram um bloco de selos comemorativos alusivo ao fato (fig. 2 e 3).
Figura 2: bloco de selos comemorativos alusivo ao aniversário de 500 da descoberta da Flórida pelo espanhol Juan Ponce de Léon. Trata-se de um total de 16 selos postais autoadesivos, ilustrados com parte da flora nativa que chamou a atenção dos espanhóis, em 1513 e que, para uma corrente de autores, foi a razão para o nome "Flórida", do espanhol "La Florida". Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Figura 3: verso do bloco, sobre o qual o Serviço de Correios dos Estados Unidos publicou um pequeno texto sobre o descobrimento da Flórida. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Figura 4: A América do Norte colonial. Até 1763, a Flórida fez parte da América Espanhola, junto com, praticamente, todo o oeste dos Estados Unidos. Fonte: Daniels e Hyslop (2004).
 


Referência:
DANIELS, Patricia S.; HYSLOP, Stephen G. Atlas da história do mundo. São Paulo: National Geographic Brasil; Abril, 2004.
SCHWARTZ, Stuart B.; LOCKHERT, James. A América Latina colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.



segunda-feira, 8 de julho de 2013

LZ 129 - Hindenburg.

Durante a primeira metade do século 20, os dirigíveis alemães foram símbolos de progresso e sofisticação em viagens aéreas. Conhecidos genericamente como "Zeppelins", realizar uma viagem transoceânica ou mesmo receber um cartão postal transportado por dirigíveis era um evento reservado para poucos. O envelope desta postagem é um vestígio de uma época em que luxo e tecnologia voaram juntos. Trata-se de uma carta de 1936 transportada pelo dirigível LZ 129 - Hindenburg.
 
O LZ 129 - Hindenburg foi construído pela empresa Luftschiffbau-Zeppelin GmbH. Era um dirigível rígido com 245 metros de comprimento, sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio. Sua capacidade era de quase 100 ocupantes, entre passageiros e tripulantes. O primeiro voo do Hindenburg ocorreu em 4 de março de 1936. O LZ 129 foi um dos maiores dirigíveis já construídos, porém sua história foi curta e teve um final trágico: Em 6 de maio de 1937, após atravessar o oceano Atlântico, o Hindenburg preparava-se para pousar sobre a Base Naval de Lakehurst, em Nova Jersey, Estados Unidos. Durante a operação de pouso, por volta das 19h30, o dirigível incendiou-se. A tragédia foi imortalizada na voz de Herbert Morrison, na época locutor da Rádio WLS de Chicago. Entre os 97 ocupantes do LZ 129, 13 passageiros e 22 tripulantes morreram.
 
Envelope circulado entre as cidades de Aachen e Schaag - sem data de chegada registrada. Carta embarcada em Friedrichshafen (23/03/1936) e transportada pelo dirigível LZ 129 - Hindenburg, conforme indicam as marcas postais sobre o envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Referência:
 
HINDENBURG. Direção: Sean Grundy. Produção: Vicky Matthews. [s.l.]: Channel Four; Smithsonian Networks; ZDF; Abril; Aventuras na História, 2008. 1 filme (100 min), son., color., 1 DVD.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

De Stuttgart para Joinville.

Uma das coisas que mais gosto nos bilhetes postais (postkarte) é poder ler a correspondência alheia, especialmente, aquela bem antiga e que fala sobre a vida cotidiana de gente comum, como você que está lendo esta postagem ou eu.
 
Bilhete postal (postkarte) circulado entre Stuttgart (10/06/1895) e Joinville (13/07/1895), com trânsito pela cidade do Rio de Janeiro (01/07/1895). Correspondência simples. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do bilhete postal, sobre o qual foi escrita uma mensagem em língua alemã e aplicado uma marca postal comprovando a chegada do bilhete postal ao Brasil e o trânsito pelo Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.




terça-feira, 25 de junho de 2013

De Berlim para Berlim - via correio pneumático.

A criação dos serviços postais pneumáticos, durante o final do século 19, foi um dos reflexos da Revolução Industrial. A cidade de Viena, capital da Áustria, foi o local em que funcionou o primeiro serviço postal pneumático, em 1875. Segundo o filatelista Peter Meyer (2012), o "correio pneumático" consistiu no transporte de correspondências urgentes através de sistemas de tubulação instalados em grandes cidades, como por exemplo, Buenos Aires e Rio de Janeiro. As cartas eram acondicionadas dentro de "balas" e estas disparadas de um ponto a outro da tubulação mediante o emprego de ar comprimido.
 
O envelope desta postagem circulou pela rede pneumática da cidade de Berlim, na Alemanha. Ela funcionou entre 1865 e 1976. Tratava-se de um sistema 400 km de extensão, composto por estações de despacho e recebimento. A empresa Siemens & Halske foi responsável pela sua construção. Embora os primeiros envios de correspondência tenham ocorrido em 1865, somente em 1876 foi que o serviço postal pneumático de Berlim foi aberto ao público. O serviço postal pneumático de Berlim (Berlim Rohrpost) foi o segundo maior da Europa, superado pela rede parisiense, inaugurada em 1879 (BERLINER UNTERWELTEN e.V., 2013).
 
Envelope circulado dentro da cidade de Berlim (03/12/1938), entre Charlottenburg e Halensee. Carta simples e transportada pelo Serviço Postal Pneumático, conforme comprova a etiqueta rosa fixada no canto esquerdo do mesmo com as seguintes palavras: Correio Pneumático (Rohrpost) e Expressa (Eilbote). Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Verso do mesmo envelope, onde foi aplicada uma marca postal em forma de cápsula, dentro da qual há escrito o número 3. Seria este o número da bala ou do tubo através dos quais esta carta foi transportada? Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Referência:
 
BERLINER UNTERWELTEN e. V. Die Berliner Rohrpost.
MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM, 2012.



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Do Rio de Janeiro para Guara-Mirim.

A História Postal é um campo da Filatelia que reúne e estuda documentos que ajudam a narrar a trajetória das comunicações postais. Nesse sentido, as coleções e as monografias sobre História Postal destacam-se entre as demais formas de colecionismo filatélico, pois podem abordar recortes temporais anteriores à criação do selo postal (Inglaterra, 1840), além de transitarem com mais destreza pelos conceitos e métodos da História.

O estudo de História Postal, seja uma coleção organizada para uma exposição ou um trabalho escrito na forma de monografia, vai além da coleta de dados acerca de um determinado aspecto da comunicação postal ao longo do tempo. Através do estudo do passado postal, podemos conhecer contextos históricos, práticas sociais, visões de mundo e muitas outras coisas. É o que mostra esta postagem, inspirada no trabalho de Reinaldo Jacob (2013) acerca da construção e inauguração da ponte internacional Brasil-Argentina, ingurada em 21 de maio de 1947.

Como parte da celebração, os Correios brasileiros lançaram em 1945 um selo postal comemorativo alusivo à construção e à inauguração da ponte. Porém, com a deposição de Getúlio Vargas, cuja efígie ilustrada o selo, o mesmo foi recolhido e desmonetarizado, respectivamente, em 1945 e 1946. Mais tarde, o então Departamento de Correios e Telégrafos autorizou a venda dessa série para fins filatélicos (JACOB, 2013).

O envelope desta postagem é um dos poucos envelopes circulados conhecidos que receberam selos dessa série que, segundo o filatelista Reinaldo Jacob (2013), foi único caso brasileiro de recolhimento com fins políticos. Finalizando, o autor gostaria de agradecer este colecionador por autorizar a publicação do envelope a seguir neste blogue, assim como pelos dados históricos-postais fornecidos.

Envelope circulado entre as cidades do Rio de Janeiro (08/07/1946) e Guaramirim (15/07/1946). Carta registrada, cujo valor pago foi de Cr$ 1,20 referente ao porte para este tipo de correspondência. Como os selos fixados sobre o envelope na ocasião foram desmonetarizados, os mesmos foram inutizados, provavelmente, por um agente postal (riscos em vermelho) e taxado no destino, isto é o porte teve de ser pago pelo destinatário. Coleção: Reinaldo Jacob.

Verso do envelope, onde é possível identificar o remetente e visualizar a marca postal de chegada.

Referência:

JACOB, Reinaldo. Ponte internacional Brasil-Argentina. FILACAP: edição especial, Cachoeira Paulista, v. 39, p. 9 - 11, jun. 2013.
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

De Curityba para o Rio de Janeiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), a prática da censura postal não ocorreu apenas em correspondências internacionais despachadas para o Brasil. Foi comum a censura em cartas circuladas internamente, ou seja, dentro do território brasileiro. É o que prova o envelope desta postagem, circulado entre as cidades de Curitiba (PR) e do Rio de Janeiro (RJ), em agosto de 1942, às vésperas da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados.
 
Envelope circulado entre as cidades de Curitiba (23/08/1942) e do Rio de Janeiro (26 e 27/08/1942). Carta simples transportada pelo serviço de Correio Aéreo, conforme comprovam as marcas postais aplicadas sobre o envelope quando da sua saída de Curitiba e da sua chegada ao Rio de Janeiro. Quando da sua chegada ao Rio de Janeiro, na época Distrito Federal, a correspondência foi aberta e seu conteúdo verificada pelo serviço de censura postal. O fato é comprovado através da fita com a qual o envelope foi lacrado e com as marcas postais roxas aplicadas sobre o envelope e a fita de lacre. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Verso do mesmo envelope, onde é possível ver as marcas postais de chegada ao Rio de Janeiro e a fita para lacre sobre a qual foi aplicado um carimbo roxo com a seguinte informação: "Censura postal. D. Federal". Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

De Muskau para Vitória.

A prática da censura postal é uma característica marcante da história postal brasileira. Ela foi iniciada durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, e continuou durante toda a primeira metade do século 20. A bibliografia especializada é rica em exemplos de envelopes circulados com as mais variadas marcas postais e fitas adesivas usadas na prática da censura em correspondências.
O envelope publicado nesta postagem é um vestígio dessa história. Circulado durante o ano de 1936, ele foi aberto e seu conteúdo verificado quando da sua entrada no Brasil. Foi liberado e seguiu viagem até seu destino, um certo Sr. Germano Streithorst, em Vitória (ES). Durante o Entreguerras (1919 - 1939), a prática da censura postal no Brasil não foi sistemática e nem seguiu diretrizes oficiais, ao contrário, por exemplo, da censura postal praticada no Correio Militar da Força Expedicionária Brasileira - CMFEB. Em consequência, há uma grande variedade de marcas postais e fitas adesivas utilizados nos Estados brasileiros. Catalogar e estudar esse aspecto da história brasileira é um grande e estimulante desafio para os filatelistas, historiadores e demais interessados no passado recente do Brasil.
 
 
Envelope circulado entre as cidades de Muskau (07/12/1936) e Vitória (2?/12/1936). Bad Muskau está localizada no leste da Alemanha, no Estado da Saxônia, próxima à fronteira com a Polônia. Já Vitória é a capital do Estado do Espírito Santo e está localizada no Sudeste brasileiro. Carta registrada. Ao chegar ao Brasil, ela foi aberta e seu conteúdo verificado pelo serviço de censura postal, conforme indicam a fita adesiva usada para lacrar o envelope violado e a marca postal aplicada para autenticar o ato e liberar para viagem a correspondência. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

De Wertheim am Main para Karlsruhe.

Eu aprecio muito os envelopes circulados simples, com dados nítidos sobre os remetentes e os destinatários, selos postais bem fixados e carimbos obliteradores limpos e legíveis. É o caso da carta desta postagem, circulada entre as cidades alemãs de Wertheim am Main e Karlsruhe. O destinatário é o Badische Beamtenbank, uma tradicional instituição bancária da Alemanha. Os três selos pertencem à série comemorativa e sobretaxada "Auxílio de Inverno" (Winterhilfswerk), emitida em 21 de setembro e 26 de outubro de 1936.
Envelope circulado entre as cidades de Wertheim am Main (13/12/1936) e Karlsruhe - sem data de chegada registrada. Carta simples. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

De Offenbach am Main para Colônia.

O transporte ferroviário é uma das mais tradicionais formas de transporte no continente europeu. Há mais de cento e cinquenta anos pessoas, mercadorias e muitas correspondências são transportadas diariamente pelos "caminhos de ferro" da Europa, como por exemplo, a carta desta postagem, circulada entre as cidades de Offenbach e Colônia, na Alemanha, em 1938.
Envelope circulado entre Offenbach (14/04/1938) e Colônia - sem data de chegada registrada. Carta simples, transportada pelo Correio Ferroviário (Bahnpost). O selo regular de 3 Rpf corresponde ao valor do porte viegente na época para correspondências que transportavam conteúdos impressos (Drucksache), conforme reforça a marca postal roxa aplicada sobre o envelope acima. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

domingo, 5 de maio de 2013

De Berlim para "Curityba".

Não foram apenas as suásticas e as efígies de Adolf Hitler que ilustraram os selos postais alemães emitidos entre 1933 e 1945. Em fevereiro de 1939, por exemplo, foi lançada uma série de selos postais comemorativos alusivos à Exposição Internacional de Automobilismo, realizada em Berlim, entre 17 de fevereiro e 5 de março de 1939. A série é formada por três valores sobretaxados, respectivamente, 6+4, 12+8 e 25+10 Rpf. Ela é ilustrada com imagens de automóveis antigos e, na época, modernos, como por exemplo, o KdF-Wagen ou Volkswagen projetado por Ferdinand Porsche, em meados da década de 1930 (ABRIL COLEÇÕES, 2009; MICHEL 2000).
Envelope circulado entre as cidades de Berlim (24/10/1939) e Curitiba (07/12/1939). Carta registrada (Berlin 2, 402 a). Uma curiosidade: o valor total dos selos fixados sobre este envelope é de 43 Rpf. Contudo, outras cartas registradas e circuladas entre a Alemanha e o Brasil na mesma época possuem um valor facial total de 55 Rpf. - 12 Rpf. à mais. Porém, não há neste envelope marca postal alguma indicando "valor insuficiente". Como explicar essa contradição? Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
 
Referências:
 
ABRIL COLEÇÕES. 1919-1939: Hitler desafia a ordem mundial. São Paulo: Editora Abril, 2009 (Coleção 70. Aniversário da II Guerra Mundial; v. 1).
MICHEL. Deutschland-Katalog 2000/2001. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2000.


sábado, 20 de abril de 2013

Olímpia, 1936: a invenção de uma tradição.

O ponto alto da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos é atingido quando a pira olímpica é acesa. Através de uma corrida de revezamento, uma tocha especial é conduzida da cidade grega de Olímpia até a cidade-sede. Trata-se de um ritual que procura vincular as Olimpíadas modernas com o seu passado greco-romano, quando os Jogos Olímpicos eram realizados na antiga cidade de Olímpia, em honra a Zeus. No entanto, trata-se de uma tradição inventada durante o certame de 1936, em Berlim.
A escolha da capital alemã para sediar os 11º Jogos Olímpicos de Verão ocorreu em 31 de maio de 1931. Com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, entre 1933 e 1934, a organização dos Jogos ganhou o apoio total do governo alemão. Em consequência, foi realizado o mais grandioso evento esportivo mundial até então. O bilhete postal a seguir foi enviado de Olímpia para Berlim, no dia 20 de julho de 1936. Justamente no dia em que, pela primeira vez na história dos esportes, a tocha olímpica foi acesa. Suas obliterações comemorativas confirmam o fato: um vestígio histórico de uma das mais célebres tradições do Jogos Olímpicos modernos.
Bilhete postal circulado entre as cidades de Olímpia (20/07/1936) e Berlim (26/07/1936). Tanto o bilhete quanto os selos fixados para completar o porte foram obliterados com carimbos comemorativos alusivos à cerimônia em que a tocha olímpica foi acesa, ocorrida naquele mesmo dia 20 de julho. Além das marcas postais de saída, também é possível ver neste documento, uma marca postal de chegada ao seu destino final, a Vila Olímpica, em Berlim (27/07/1936). Coleção: Wilson de Oliveira Neto.
Verso do bilhete postal. Nele aparecem um selo regular grego fixado para completar o porte e duas obliterações: a primeira, comemorativa, aplicada sobre o selo e referente à cerimônia em que a tocha olímpica foi acesa; outro, alemão, referente à chegada do bilhete postal à Vila Olímpica (26/07/1936). Durante os Jogos Olímpicos de Berlim, os Correios da Alemanha produziram carimbos especiais usados nas agências postais espalhadas pelos locais em que ocorreram atividades ligadas ao certamente, como por exemplo, a Vila Olímpica (Olympisches Dorf). Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Referências:

HOLMES, Judith. Olimpíadas - 1936: glória do Reich de Hitler. Rio de Janeiro: Renes, 1974 (História Ilustrada da 2ª Guerra Mundial: conflito humano; v. 3).