sábado, 18 de novembro de 2017

50 anos da "Noite dos Cristais".

Há na filatelia alemã diversas referências à experiência história do nacional-socialismo e do genocídio judeu, ocorrido entre 1933 e 1945. Os selos postais emitidos pela antiga DDR, por exemplo, versam sobre a vitória sobre o fascismo, como mostra a emissão comemorativa de 5 de maio de 1960 (Mi., DDR, 764), alusiva ao aniversário de 15 anos da "Befreiung vom Faschismus" [1].

Em 13 de novembro de 1988, os correios da República Federal da Alemanha lançaram um selo postal comemorativo ao aniversário de 50 anos da "Noite dos Cristais" (Mi., BD, 1389), nome dado ao pogrom que ocorreu na Alemanha, em 9 de novembro de 1938. Trata-se de uma série formada por um selo, com o valor de 80 centavos [2] (figura 1).

Figura 1: selo Mi., BD, 1389. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

A "Noite dos Cristais".

Os pogroms são parte da história das práticas antissemitas na Europa desde o Medievo. A "Noite dos Cristais" (Reichscristallnacht), porém, está relacionada aos acontecimentos na Alemanha vinculados ao genocídio judeus entre 1933 e 1945. O massacre foi motivado pelo assassinato de Ernst vom Rath por Herschel Grynszpan, na embaixada da Alemanha, em Paris, no dia 7 de novembro de 1938 [3].

Rath não resistiu aos ferimentos e morreu durante a tarde de 9 de novembro. Esse fato desencadeou uma onda de violência contra as comunidades de judeus na Alemanha, que ficou conhecida como "A Noite dos Cristais". A violência foi intensificada durante a noite, em particular, após uma reunião entre Goebbels e líderes nazistas, em Munique [4].

Segundo Raul Hilberg, as "rebeliões se espalharam com a velocidade de um relâmpago. A formação da SA enviou suas brigadas para sistematicamente incendiar todas as sinagogas do país" [5]. O autor avaliou que a "Noite dos Cristais" foi um divisor de águas nas primeiras etapas históricas do genocídio judeu. Até então, predominou, basicamente, um processo legal de exclusão dos judeus da cultura, economia, política e sociedade alemãs [6].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-Katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 192.
[2] - Ibidem, p. 450.
[3] - HILBERG, Raul. A destruição dos judeus europeus. Barueri: Amarilys, 2016, p. 38 - 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] - Ibidem, p. 39.
[6] - Ibidem, p. 29 - 38.

sábado, 11 de novembro de 2017

Quando a Grande Guerra chegou a Barbacena.

Há cem anos, no dia 26 de novembro de 1917, o presidente Wenceslau Braz assinou o Decreto n. 3.361, que reconheceu o estado de guerra entre o Brasil e o Império Alemão. Esse fato assinalou a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) [1].

Inicialmente neutro, o estopim para o ingresso do Brasil no conflito foi o afundamento do navio mercante Macau, em 18 de outubro de 1917. A esse respeito, o historiador Carlos Daróz explica que:

"[...] o Macau foi interceptado e torpedeado pelo submarino U-93. O comandante alemão, Kapitänleutnant Helmut Gerlach, ordenou o capitão brasileiro e ao taifeiro Arlindo Dias dos Santos que desembarcassem e subissem a bordo do submarino, enquanto os demais tripulantes procuravam abrigo nas baleeiras. Em poucos minutos o Macau desapareceu sob as águas do Atlântico, mas todos os 47 tripulantes que estavam nas baleeiras conseguiram se salvar" [2].

O envolvimento brasileiro com a Primeira Guerra Mundial foi registrado pela Cartofilia e Filatelia brasileiras, como mostra o carimbo que ilustra esta postagem.

A guerra em Barbacena.


A figura acima reproduz um carimbo de propaganda de guerra, publicado em um antigo estudo de Carimbologia brasileira, escrito por Nino Aldo Códa, em 1941 [3]. Conforme o autor, por "ocasião da participação do Brasil no conflito mundial [...], entre as manifestações de civismo que se realizaram, presumivelmente, muitos carimbos hão de ter sido usados da ordem deste, empregado pelo Correio de Barbacena [em Minas Gerais]" [4]. Ele ainda informa que o carimbo era em borracha, com formato oval, sem data e aplicado com tinta na cor verde. Ele possuía a seguinte inscrição: "Às armas, brasileiros! Defendamos nossa pátria (Correio de Barbacena)" [5].

Notas:

[1] - DARÓZ, Carlos. O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. São Paulo: Contexto, 2016, p. 102.
[2] - Ibidem, p. 100.
[3] - CÓDA, Nino Aldo. Contribuição ao estudo dos carimbos. Rio de Janeiro: FILATIP, 1941.
[4] - Ibidem, p. 171.
[5] - Ibidem, idem, p. 171.

sábado, 4 de novembro de 2017

Carl Peters.

A história política da Europa durante a segunda metade do século XIX foi marcada por unificações nacionais e corridas coloniais nos continentes africano e asiático. Na educação básica, aprendemos esses assuntos sob o título de Imperialismo ou Neocolonialismo, conforme mostram os sumários de apostilas e livros didáticos de História.

Com a Alemanha, não foi diferente. O Estado nacional alemão que conhecemos foi fundado em 1871, após a vitória da Prússia sobre a França em um conflito militar denominado Guerra Franco-Prussiana (1870 - 1871). No salão dos espelhos do palácio de Versalhes, foi proclamado o Segundo Reich, o início do Império Alemão [1].

Carl Peters.

O Império Alemão foi dissolvido após o término da Primeiro Guerra Mundial, em 1918. Em quase meio século de existência, possuiu colônias na África e na Ásia. Carl Peters (1856 - 1918) foi um autor, político e líder colonialista alemão na África. Foi um controverso adepto do darwinismo social e do Völkisch. Fundou a Companhia Alemã da África Oriental [2].

Na filatelia alemã entre 1871 e 1945, período este conhecido como Deutsches Reich, Carl Peters foi personagem em duas emissões: 30 de junho de 1934 (Mi., DR, 542); 27 de outubro de 1939 (Mi., DR, P 285) (figura 1) [3]. Interessa para esta publicação a segunda emissão. Ela é o sexto valor de uma série de bilhetes postais lançada em 27 de outubro de 1939, com sobretaxa de 4 centavos de Marcos para a "assistência de inverno" (Winterhilfswerk - WHW) de 1939. A série foi ilustrada com personalidades da história alemã, entre os quais, Carl Peters.

Descrição.


Figura 1: frente do bilhete postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Bilhete postal circulado entre Düsseldorf (Alemanha, 19/02/1940) e Merano (Itália, 21/01/1939 [sic]). Correspondência simples, com franquia adicional de 9 centavos de Marcos e verificada pela censura postal alemã, provavelmente, na cidade de Munique, cujo centro de censura postal verificou correspondências destinadas aos países: Itália, Espanha, Portugal e Suíça [4].

Notas:

[1] - A respeito da formação do Estado nacional alemão, durante a segunda metade do século XIX, há diversas referências, entre as quais: ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
[2] - https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Peters
[3] - MICHEL. Junior-katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 46. _____. Ganzsachen-katalog Deutschland 2003. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2003, p. 178.
[4] - http://www.postalcensorship.com/examples/ww2germany/c_ww2gercodes.html

sábado, 28 de outubro de 2017

A FEB é o "máximo"!

Há várias formas de praticar o colecionismo filatélico. Inclusive, envolvendo coleções de outras naturezas, como por exemplo, os cartões postais. É o caso da Maximafilia, nome dado à prática de colecionar e confeccionar máximos postais. Mas, o que é um "máximo postal"? Quem responde a pergunta é o filatelista Raymundo Galvão de Queiroz (1984, p. 68), segundo o qual, "o máximo postal é a peça filatélica que resulta da união do postal, do selo e do carimbo, todos guardando entre si a mais perfeita concordância possível".

As origens dos máximos postais estão situadas na segunda metade do século XX, no contexto de desenvolvimento dos selos postais, da fotografia, das técnicas mecânicas de reprodução de imagens e do aparecimento dos primeiros cartões postais. Foi durante a década de 1930, que os máximos postais passaram a incorporar as coleções filatélicas, a constituir as "coleções especiais", segundo informa Queiroz (1984). Ainda nesse autor, foi em 1932 que surgiu o nome carte-maximum, traduzido para o português por A. S. Furtado como "postal máximo".

As coleções de máximos postais são contempladas pelas exposições filatélicas oficiais, reconhecidas pela Federação Internacional de Filatelia, a "FIP", que possui uma Comissão de Maximafilia, cujos regulamentos servem de referências para filatelistas e associações filatélicas interessadas nessa forma de colecionismo. No Brasil, a Federação Brasileira de Filatelia - FEBRAF tem sua respectiva Comissão de Maximafilia, sob responsabilidade do Sr. Agnaldo de Souza Gabriel, um dos mais notáveis maximafilistas brasileiros.

A FEB é o "máximo"!

A Força Expedicionária Brasileira - FEB foi uma força terrestre do Brasil, criada em 1943 e enviada à Itália em 1944 para participar de operações militares contra alemães e italianos, principalmente, na região dos montes Apeninos. Com um efetivo de pouco mais de 25 mil homens, a FEB reuniu, com grande custo, jovens brasileiros oriundos, principalmente, dos Estados brasileiros das regiões Sudeste e Sul, com destaque para o Distrito Federal (25,71%) e São Paulo (16,41%), segundo informa o historiador Cesar Campiani Maximiano (2010).

A FEB foi composta pela 1a. Divisão de Infantaria Divisionária, pelo Depósito de Pessoal e pelos demais órgãos não-divisionários. Seu comandante foi o então General João Batista Mascarenhas de Moraes (1883 - 1968). A seu respeito, Maximiano (2010, p. 382) escreveu que: "embora excessivamente circunspecto e sóbrio, pouco dado a manifestações de apreço por subordinados, em geral não anima recordações rancorosas em ex-combatentes". O autor prossegue e revela que: "conservou o respeito e [...] a admiração de antigos comandados" (MAXIMIANO, 2010, p. 382).

A vitória aliada na Europa e a contribuição brasileira foram celebradas com a emissão de selos postais e carimbos comemorativos, como por exemplo, as séries comemorativas "Vitória dos Aliados" e "FEB", lançadas, respectivamente, em 8 de maio de 1945 e 18 de julho de 1945, conforme registra Peter Meyer (2012) em seu catálogo de selos postais brasileiros. O máximo postal que faz parte desta publicação envolve um cartão postal ilustrado com uma fotografia do General Mascarenhas de Moraes, o primeiro valor da série "FEB", amarrados com um carimbo comemorativo de 18/07/1945, aplicado na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal (figura 1).

Figura 1: frente do máximo postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Referências.

MAXIMIANO, Cesar Campiani. Barbudos, sujos e fatigados: soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Grua, 2010.
MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda, 2012.
QUEIROZ, Raymundo Galvão. O que é Filatelia. São Paulo: Brasiliense, 1984 (Coleção Primeiros Passos; v. 132).

sábado, 4 de março de 2017

De Nova Iorque para São Paulo.

Envelope circulado entre as cidades de Nova Iorque (Estados Unidos, 09/09/1944) e (São Paulo, 18/09/1944). Carta registrada com trânsitos em Nova Iorque (12/09/1944) e São Paulo (agência do distrito da Lapa, 19/09/1944). Correspondência com dupla censura (EUA / Brasil), conforme indicam a tira de fechamento fixada e o carimbo de censura aplicado sobre o envelope.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), existiram nos Estados Unidos, serviços de censura postal civil e militar. Interessa para esta postagem, a primeira, coordenada naquele país pelo Escritório de Censura. Ao todo, existiram 18 estações de censura postal, entre as quais em Nova Iorque [1], onde o censor 7828 verificou a correspondência destinada ao Sr. Prugner.

Segundo seus carimbos de trânsito, a correspondência chegou ao Brasil por São Paulo. Foi na capital paulista que ela recebeu um carimbo de censura. Porém, não há indícios de abertura e verificação de seu conteúdo por um censor. O carimbo "CENSURA POSTAL = SÃO PAULO" corresponde ao número 40.0, conforme a catalogação organizada por Jürgen Meiffert [2].

De acordo com esse autor, esse carimbo foi usado entre 1943 e 1945, em preto e violeta, com ocorrências comprovadas em correspondências datadas de 22/12/1943 e 21/06/1945 (preto) e 22/12/1943 (violeta) [3]. O envelope que ilustra esta postagem apresenta uma nova ocorrência do carimbo preto, em setembro de 1944.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Notas:

[2] - MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel: 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012, p. 80.
[3] - Ibidem, idem, p. 80.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

De Quito para Joinville.

Envelope circulado entre as cidades de Quito (Equador, ??/??/19??) e Joinville (22/04/19??). Carta simples, porém aberta e verificada pela censura postal brasileira, conforme indicam os carimbos de censor e de censura aplicados sobre o envelope, assim como a tira de fechamento usada para lacrar o envelope após a verificação do seu conteúdo.

A correspondência foi interceptada e censurada na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. É o que prova o carimbo de censura retangular roxo aplicado sobre a frente e o verso do envelope, "CENSURA POSTAL / D. FEDERAL". Segundo Meiffert [1], há registros do uso desse tipo de carimbo nos anos de 1936, 1938, 1942 e 1943.

Já o carimbo circular roxo com o número "18" é um carimbo de censor, ou de "inspetor" [2]. Ele informa que o censor 18, cuja identidade não poderia ser revelada publicamente, foi responsável pela abertura e verificação do conteúdo da correspondência destinada ao Sr. Wolfgang Hermann Kohls, em Joinville.

Por último, algumas considerações sobre a fita de fechamento usada pelo censor 18 após sua tarefa. Trata-se, do modelo 19, que substituiu o modelo 468, com o selo nacional e texto padronizados. Estima-se, que ela foi usada entre 1936 e 1944, nos seguintes Estados: Espírito SantoPernambucoSão Paulo e Distrito Federal - na época a cidade do Rio de Janeiro [3].

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Notas:

[1] - MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel: 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012, p. 70.
[2] - Ibidem, p. 148 - 150.
[3] - Ibidem, p. 173.
 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dia do Selo Postal; Exposição "Selos do Mundo".

O selo postal e seu colecionismo são considerados "janelas para o mundo". Ou seja, o colecionador, o filatelista, atraído pelas características dos selos e documentos postais que coleciona, abre uma janela para um mundo de conhecimentos, que são adquiridos na medida em que ele se envolve com sua coleção de selos postais.

O álbum universal, o globo terrestre e a lupa são elementos recorrentes nas ilustrações sobre a filatelia, especialmente, em selos postais comemorativos, alusivos à efemérides ou exposições filatélicas. Juntos, eles reforçam a ideia de "janela para o mundo", de estudo e de novas descobertas que são inerentes à filatelia.

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Série de selos postais comemorativa ao "Dia do Selo Postal" e à exposição "Selos do Mundo", lançada em Berlim Ocidental no dia 7 de outubro de 1951, em dois valores, 10 e 20 Centavos, respectivamente, sobretaxados em 3 e 2 Centavos. A série circulou até 31 de outubro de 1954, com tiragens de 514 e 506 mil exemplares.

Mi, Berlin (West), 80. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Mi, Berlin (West), 81. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).