domingo, 10 de dezembro de 2017

"Para a Cruz Vermelha alemã".

Certamente, a Cruz Vermelha, seja uma das entidades humanitárias internacionais mais conhecida entre as pessoas. No "mundo muçulmano", ela é conhecida como "Crescente Vermelho". Ela foi fundada na cidade de Genebra, na Suíça, por Jean-Henri Dunant, em 1863. Atualmente, a organização tem um total aproximado de 97 milhões de voluntários.

A Cruz Vermelha é um tema recorrente em inúmeras emissões comemorativas, em diversos países, entre os quais, o Brasil. Fora a quantidade incomensurável de carimbos, cinderelas, flâmulas, inteiros e demais documentos postais relacionados ao assunto, especialmente, em contextos de conflitos militares, como por exemplo, a Segunda Guerra Mundial.

"Para a Cruz Vermelha alemã".

O item que faz parte desta postagem é um envelope circulado entre as cidades de Praga (República Tcheca, ??/??/1940) e Salzwedel (Alemanha, 02/07/1940). Trata-se, de uma carta registrada com "pagamento na contra entrega", Nachnahme - como é conhecido o sistema na língua alemã. Ele equivale ao nosso sistema de reembolso postal

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

As taxas referentes ao porte, ao registro e ao reembolso foram pagas através da aplicação de um conjunto de selos postais regulares e comemorativos, emitidos pelos correios do Protetorado da Boêmia e Morávia. Entre os selos fixados, está a série comemorativa "Rotes Kreuz", formada por dois valores, 60 Centavos e 1,20 Coroas, lançada em 29 de junho de 1940 [1].

Ambos valores foram sobretaxados, respectivamente, 40 e 80 Centavos. Ou seja, além de pagar o valor facial para o porte, o remetente pagou um valor extra, destinado para a Cruz Vermelha alemã, daí o sentido da sua emissão. Trata-se, de uma série muito bem produzida, com apêndices sobre os quais foi impressa em alemão e tcheco a seguinte frase: "Para a Cruz Vermelha alemã", além do símbolo da Cruz Vermelha nazificado.

Böhmen und Mähren.

Protetorado da Boêmia e Morávia foi um dos territórios europeus sob o controle alemão entre 1935 e 1945, nos contextos do expansionismo territorial da Alemanha na Europa e da Segunda Guerra Mundial. As primeiras emissões postais ocorreram em 15 de julho de 1939, com selos regulares da Tchecoslováquia com sobre estampas. Já a última emissão, foi lançada em 01 de fevereiro de 1945, um selo regular com a efígie de Adolf Hitler [2].

Entre 1939 e 1945, foram emitidas três séries de selos postais comemorativos e com sobretaxa para a Cruz Vermelha alemã, respectivamente, em 29 de junho de 1940 (Mi., 53-54), 20 de abril de 1941 (Mi., 62-63), 01 de setembro de 1942 (Mi., 111-112) e 16 de setembro de 1943 (Mi., 132) [3].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-katalog in farbe 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 107.
[2] - Ibidem, p. 109.
[3] - Ibidem, p. 107 - 109.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Cartões postais patrióticos japoneses.

Os primeiros cartões postais foram introduzidos no Japão, durante o final do século 19, junto com os selos postais, no contexto de modernização e ocidentalização japonesas, conhecido como Restauração ou Revolução Meiji. Rapidamente, os cartões postais foram reconhecidos como meios de propaganda ideológica, de difusão dos valores morais e políticos do Estado japonês [1].

Entre a Guerra Russo-Japonesa (1904 - 1905) e a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), foram produzidos inúmeros cartões postais patrióticos para as forças armadas do Japão, como por exemplo, o que faz parte desta postagem (figura 1). Os estilos e os temas das ilustrações desses cartões postais foram variados, revela John Adcock [2].

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Segundo esse autor, "as tropas do Japão, geralmente, preferiam mais representações artísticas de tropas no terreno da selva e cenas pacíficas e bucólicas de paisagens e edifícios chineses"[3].

A ocupação japonesa na China.

Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937 - 1945) foi um conflito militar protagonizado pela China e pelo Japão, cujas origens estão situadas no declínio da monarquia chinesa e no expansionismo japonês no Extremo Oriente. A guerra foi travada na China continental a partir da invasão e ocupação nipônicas [4].

O conflito foi marcado por vitórias militares e massacres contra civis chineses, perpetrados pelos invasores, como por exemplo, o infame Massacre de Nanquim, em 1938. A seu respeito, Antony Beevor narra que:

"Os chineses certamente tinham uma ideia da violência do inimigo, mas não conseguiram imaginar o grau de crueldade que viria" [5]. O autor prossegue e revela que: "Os edifícios da cidade foram saqueados e incendiados. Para escapar dos assassinatos, estupros e destruição, civis tentaram se abrigar na 'zona de segurança internacional'" [6].

Nos territórios ocupados, foram criados Estados fantoches, tais como Manchukuo, localizado no nordeste da China, na região histórica da Manchúria, entre 1932 e 1945. A partir do final de 1941, com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o conflito foi absorvido pela Guerra do Pacífico, encerrada com a rendição incondicional japonesa, em 1945 [7].

Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, foram mobilizados mais de 10 milhões de homens e mortas mais de 20 milhões de pessoas, entre civis e militares [8].

Notas:

[1] - http://john-adcock.blogspot.com.br/2012/08/wartime-japanese-postcards.html
[2] - Ibidem.
[3] - Ibidem.
[4] - Ibidem.
[5] - BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 76.
[6] - Ibidem, p. 76.
[7] - https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Sino-Japonesa
[8] - Ibidem.

sábado, 25 de novembro de 2017

Coleta para o esforço de guerra na cidade de São Paulo.

2017 é o ano do centenário da declaração brasileira de guerra contra o Império Alemão, ocorrida em 26 de novembro de 1917, durante o governo do presidente Wenceslau Braz, após o afundamento do navio Macau, pelo submarino alemão U-93 [1].

O ataque e afundamento do Macau foi o ápice de um conjunto de ataques contra embarcações brasileiras desde o começo de abril de 1917, quando o Paraná foi afundado pelo submarino UB-32, sob o comando do "Kapitänleutnant" Max Vieberg [2].

Embora pouco divulgada entre o público brasileiro, a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) produziu diversos impactos econômicos, militares e políticos no Brasil, especialmente, se levarmos em consideração a colonização europeia no país.

Propaganda de guerra.

O cartão postal que faz parte desta publicação (figura 1) é um exemplo de como que os estrangeiros residentes no Brasil da época foram envolvidos com a guerra na Europa. Alistamentos de voluntários e arrecadação de fundos estiveram na ordem do dia [3].

Figura 1: frente do cartão. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Segundo a coleção "Nosso Século" [4], este cartão postal foi oferecido como um meio de arrecadação de fundos entre os membros das comunidades teuto-brasileiras na cidade e no Estado de São Paulo.

"27 de janeiro de 1917.
"Que ninguém diga: 'Eu já contribui'; nossas tropas também não dizem: 'Nós já lutamos'." Coleta para o esforço de guerra na cidade e Estado de São Paulo" [5].

Já no verso do cartão postal, foi impressa a seguinte mensagem:

"O Comitê executivo agradece por todas as doações recebidas e além disso pede que se lembre dos feridos bem como das viúvas e órfãos dos combatentes" [6].

Tal como aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, o "reconhecimento" do estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha gerou agressões e perseguições aos alemães e teuto-brasileiros residentes, principalmente, no sul do país. Possivelmente, após 26 de novembro de 1917, esse tipo de material produzido também serviu de combustível para inflamar essas agressões e perseguições, típicas de tempos de guerra, e que fazem parte da memória e história do Brasil.

Notas:

[1] - DARÓZ, Carlos. O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. São Paulo: Contexto, 2016, p. 101 - 103.
[2] - Ibidem, p. 89.
[3] - Reflexos da guerra. Nosso Século, São Paulo, sine die, p. 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] e [6] - As traduções da língua alemã para o português foram feitas pelo amigo e colega historiador Dilney Cunha (Joinville, SC).

sábado, 18 de novembro de 2017

50 anos da "Noite dos Cristais".

Há na filatelia alemã diversas referências à experiência história do nacional-socialismo e do genocídio judeu, ocorrido entre 1933 e 1945. Os selos postais emitidos pela antiga DDR, por exemplo, versam sobre a vitória sobre o fascismo, como mostra a emissão comemorativa de 5 de maio de 1960 (Mi., DDR, 764), alusiva ao aniversário de 15 anos da "Befreiung vom Faschismus" [1].

Em 13 de novembro de 1988, os correios da República Federal da Alemanha lançaram um selo postal comemorativo ao aniversário de 50 anos da "Noite dos Cristais" (Mi., BD, 1389), nome dado ao pogrom que ocorreu na Alemanha, em 9 de novembro de 1938. Trata-se de uma série formada por um selo, com o valor de 80 centavos [2] (figura 1).

Figura 1: selo Mi., BD, 1389. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

A "Noite dos Cristais".

Os pogroms são parte da história das práticas antissemitas na Europa desde o Medievo. A "Noite dos Cristais" (Reichscristallnacht), porém, está relacionada aos acontecimentos na Alemanha vinculados ao genocídio judeus entre 1933 e 1945. O massacre foi motivado pelo assassinato de Ernst vom Rath por Herschel Grynszpan, na embaixada da Alemanha, em Paris, no dia 7 de novembro de 1938 [3].

Rath não resistiu aos ferimentos e morreu durante a tarde de 9 de novembro. Esse fato desencadeou uma onda de violência contra as comunidades de judeus na Alemanha, que ficou conhecida como "A Noite dos Cristais". A violência foi intensificada durante a noite, em particular, após uma reunião entre Goebbels e líderes nazistas, em Munique [4].

Segundo Raul Hilberg, as "rebeliões se espalharam com a velocidade de um relâmpago. A formação da SA enviou suas brigadas para sistematicamente incendiar todas as sinagogas do país" [5]. O autor avaliou que a "Noite dos Cristais" foi um divisor de águas nas primeiras etapas históricas do genocídio judeu. Até então, predominou, basicamente, um processo legal de exclusão dos judeus da cultura, economia, política e sociedade alemãs [6].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-Katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 192.
[2] - Ibidem, p. 450.
[3] - HILBERG, Raul. A destruição dos judeus europeus. Barueri: Amarilys, 2016, p. 38 - 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] - Ibidem, p. 39.
[6] - Ibidem, p. 29 - 38.

sábado, 11 de novembro de 2017

Quando a Grande Guerra chegou a Barbacena.

Há cem anos, no dia 26 de novembro de 1917, o presidente Wenceslau Braz assinou o Decreto n. 3.361, que reconheceu o estado de guerra entre o Brasil e o Império Alemão. Esse fato assinalou a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) [1].

Inicialmente neutro, o estopim para o ingresso do Brasil no conflito foi o afundamento do navio mercante Macau, em 18 de outubro de 1917. A esse respeito, o historiador Carlos Daróz explica que:

"[...] o Macau foi interceptado e torpedeado pelo submarino U-93. O comandante alemão, Kapitänleutnant Helmut Gerlach, ordenou o capitão brasileiro e ao taifeiro Arlindo Dias dos Santos que desembarcassem e subissem a bordo do submarino, enquanto os demais tripulantes procuravam abrigo nas baleeiras. Em poucos minutos o Macau desapareceu sob as águas do Atlântico, mas todos os 47 tripulantes que estavam nas baleeiras conseguiram se salvar" [2].

O envolvimento brasileiro com a Primeira Guerra Mundial foi registrado pela Cartofilia e Filatelia brasileiras, como mostra o carimbo que ilustra esta postagem.

A guerra em Barbacena.


A figura acima reproduz um carimbo de propaganda de guerra, publicado em um antigo estudo de Carimbologia brasileira, escrito por Nino Aldo Códa, em 1941 [3]. Conforme o autor, por "ocasião da participação do Brasil no conflito mundial [...], entre as manifestações de civismo que se realizaram, presumivelmente, muitos carimbos hão de ter sido usados da ordem deste, empregado pelo Correio de Barbacena [em Minas Gerais]" [4]. Ele ainda informa que o carimbo era em borracha, com formato oval, sem data e aplicado com tinta na cor verde. Ele possuía a seguinte inscrição: "Às armas, brasileiros! Defendamos nossa pátria (Correio de Barbacena)" [5].

Notas:

[1] - DARÓZ, Carlos. O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. São Paulo: Contexto, 2016, p. 102.
[2] - Ibidem, p. 100.
[3] - CÓDA, Nino Aldo. Contribuição ao estudo dos carimbos. Rio de Janeiro: FILATIP, 1941.
[4] - Ibidem, p. 171.
[5] - Ibidem, idem, p. 171.

sábado, 4 de novembro de 2017

Carl Peters.

A história política da Europa durante a segunda metade do século XIX foi marcada por unificações nacionais e corridas coloniais nos continentes africano e asiático. Na educação básica, aprendemos esses assuntos sob o título de Imperialismo ou Neocolonialismo, conforme mostram os sumários de apostilas e livros didáticos de História.

Com a Alemanha, não foi diferente. O Estado nacional alemão que conhecemos foi fundado em 1871, após a vitória da Prússia sobre a França em um conflito militar denominado Guerra Franco-Prussiana (1870 - 1871). No salão dos espelhos do palácio de Versalhes, foi proclamado o Segundo Reich, o início do Império Alemão [1].

Carl Peters.

O Império Alemão foi dissolvido após o término da Primeiro Guerra Mundial, em 1918. Em quase meio século de existência, possuiu colônias na África e na Ásia. Carl Peters (1856 - 1918) foi um autor, político e líder colonialista alemão na África. Foi um controverso adepto do darwinismo social e do Völkisch. Fundou a Companhia Alemã da África Oriental [2].

Na filatelia alemã entre 1871 e 1945, período este conhecido como Deutsches Reich, Carl Peters foi personagem em duas emissões: 30 de junho de 1934 (Mi., DR, 542); 27 de outubro de 1939 (Mi., DR, P 285) (figura 1) [3]. Interessa para esta publicação a segunda emissão. Ela é o sexto valor de uma série de bilhetes postais lançada em 27 de outubro de 1939, com sobretaxa de 4 centavos de Marcos para a "assistência de inverno" (Winterhilfswerk - WHW) de 1939. A série foi ilustrada com personalidades da história alemã, entre os quais, Carl Peters.

Descrição.


Figura 1: frente do bilhete postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Bilhete postal circulado entre Düsseldorf (Alemanha, 19/02/1940) e Merano (Itália, 21/01/1939 [sic]). Correspondência simples, com franquia adicional de 9 centavos de Marcos e verificada pela censura postal alemã, provavelmente, na cidade de Munique, cujo centro de censura postal verificou correspondências destinadas aos países: Itália, Espanha, Portugal e Suíça [4].

Notas:

[1] - A respeito da formação do Estado nacional alemão, durante a segunda metade do século XIX, há diversas referências, entre as quais: ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
[2] - https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Peters
[3] - MICHEL. Junior-katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 46. _____. Ganzsachen-katalog Deutschland 2003. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2003, p. 178.
[4] - http://www.postalcensorship.com/examples/ww2germany/c_ww2gercodes.html

sábado, 28 de outubro de 2017

A FEB é o "máximo"!

Há várias formas de praticar o colecionismo filatélico. Inclusive, envolvendo coleções de outras naturezas, como por exemplo, os cartões postais. É o caso da Maximafilia, nome dado à prática de colecionar e confeccionar máximos postais. Mas, o que é um "máximo postal"? Quem responde a pergunta é o filatelista Raymundo Galvão de Queiroz (1984, p. 68), segundo o qual, "o máximo postal é a peça filatélica que resulta da união do postal, do selo e do carimbo, todos guardando entre si a mais perfeita concordância possível".

As origens dos máximos postais estão situadas na segunda metade do século XX, no contexto de desenvolvimento dos selos postais, da fotografia, das técnicas mecânicas de reprodução de imagens e do aparecimento dos primeiros cartões postais. Foi durante a década de 1930, que os máximos postais passaram a incorporar as coleções filatélicas, a constituir as "coleções especiais", segundo informa Queiroz (1984). Ainda nesse autor, foi em 1932 que surgiu o nome carte-maximum, traduzido para o português por A. S. Furtado como "postal máximo".

As coleções de máximos postais são contempladas pelas exposições filatélicas oficiais, reconhecidas pela Federação Internacional de Filatelia, a "FIP", que possui uma Comissão de Maximafilia, cujos regulamentos servem de referências para filatelistas e associações filatélicas interessadas nessa forma de colecionismo. No Brasil, a Federação Brasileira de Filatelia - FEBRAF tem sua respectiva Comissão de Maximafilia, sob responsabilidade do Sr. Agnaldo de Souza Gabriel, um dos mais notáveis maximafilistas brasileiros.

A FEB é o "máximo"!

A Força Expedicionária Brasileira - FEB foi uma força terrestre do Brasil, criada em 1943 e enviada à Itália em 1944 para participar de operações militares contra alemães e italianos, principalmente, na região dos montes Apeninos. Com um efetivo de pouco mais de 25 mil homens, a FEB reuniu, com grande custo, jovens brasileiros oriundos, principalmente, dos Estados brasileiros das regiões Sudeste e Sul, com destaque para o Distrito Federal (25,71%) e São Paulo (16,41%), segundo informa o historiador Cesar Campiani Maximiano (2010).

A FEB foi composta pela 1a. Divisão de Infantaria Divisionária, pelo Depósito de Pessoal e pelos demais órgãos não-divisionários. Seu comandante foi o então General João Batista Mascarenhas de Moraes (1883 - 1968). A seu respeito, Maximiano (2010, p. 382) escreveu que: "embora excessivamente circunspecto e sóbrio, pouco dado a manifestações de apreço por subordinados, em geral não anima recordações rancorosas em ex-combatentes". O autor prossegue e revela que: "conservou o respeito e [...] a admiração de antigos comandados" (MAXIMIANO, 2010, p. 382).

A vitória aliada na Europa e a contribuição brasileira foram celebradas com a emissão de selos postais e carimbos comemorativos, como por exemplo, as séries comemorativas "Vitória dos Aliados" e "FEB", lançadas, respectivamente, em 8 de maio de 1945 e 18 de julho de 1945, conforme registra Peter Meyer (2012) em seu catálogo de selos postais brasileiros. O máximo postal que faz parte desta publicação envolve um cartão postal ilustrado com uma fotografia do General Mascarenhas de Moraes, o primeiro valor da série "FEB", amarrados com um carimbo comemorativo de 18/07/1945, aplicado na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal (figura 1).

Figura 1: frente do máximo postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Referências.

MAXIMIANO, Cesar Campiani. Barbudos, sujos e fatigados: soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Grua, 2010.
MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda, 2012.
QUEIROZ, Raymundo Galvão. O que é Filatelia. São Paulo: Brasiliense, 1984 (Coleção Primeiros Passos; v. 132).