sábado, 4 de março de 2017

De Nova Iorque para São Paulo.

Envelope circulado entre as cidades de Nova Iorque (Estados Unidos, 09/09/1944) e (São Paulo, 18/09/1944). Carta registrada com trânsitos em Nova Iorque (12/09/1944) e São Paulo (agência do distrito da Lapa, 19/09/1944). Correspondência com dupla censura (EUA / Brasil), conforme indicam a tira de fechamento fixada e o carimbo de censura aplicado sobre o envelope.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), existiram nos Estados Unidos, serviços de censura postal civil e militar. Interessa para esta postagem, a primeira, coordenada naquele país pelo Escritório de Censura. Ao todo, existiram 18 estações de censura postal, entre as quais em Nova Iorque [1], onde o censor 7828 verificou a correspondência destinada ao Sr. Prugner.

Segundo seus carimbos de trânsito, a correspondência chegou ao Brasil por São Paulo. Foi na capital paulista que ela recebeu um carimbo de censura. Porém, não há indícios de abertura e verificação de seu conteúdo por um censor. O carimbo "CENSURA POSTAL = SÃO PAULO" corresponde ao número 40.0, conforme a catalogação organizada por Jürgen Meiffert [2].

De acordo com esse autor, esse carimbo foi usado entre 1943 e 1945, em preto e violeta, com ocorrências comprovadas em correspondências datadas de 22/12/1943 e 21/06/1945 (preto) e 22/12/1943 (violeta) [3]. O envelope que ilustra esta postagem apresenta uma nova ocorrência do carimbo preto, em setembro de 1944.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Notas:

[2] - MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel: 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012, p. 80.
[3] - Ibidem, idem, p. 80.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

De Quito para Joinville.

Envelope circulado entre as cidades de Quito (Equador, ??/??/19??) e Joinville (22/04/19??). Carta simples, porém aberta e verificada pela censura postal brasileira, conforme indicam os carimbos de censor e de censura aplicados sobre o envelope, assim como a tira de fechamento usada para lacrar o envelope após a verificação do seu conteúdo.

A correspondência foi interceptada e censurada na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. É o que prova o carimbo de censura retangular roxo aplicado sobre a frente e o verso do envelope, "CENSURA POSTAL / D. FEDERAL". Segundo Meiffert [1], há registros do uso desse tipo de carimbo nos anos de 1936, 1938, 1942 e 1943.

Já o carimbo circular roxo com o número "18" é um carimbo de censor, ou de "inspetor" [2]. Ele informa que o censor 18, cuja identidade não poderia ser revelada publicamente, foi responsável pela abertura e verificação do conteúdo da correspondência destinada ao Sr. Wolfgang Hermann Kohls, em Joinville.

Por último, algumas considerações sobre a fita de fechamento usada pelo censor 18 após sua tarefa. Trata-se, do modelo 19, que substituiu o modelo 468, com o selo nacional e texto padronizados. Estima-se, que ela foi usada entre 1936 e 1944, nos seguintes Estados: Espírito SantoPernambucoSão Paulo e Distrito Federal - na época a cidade do Rio de Janeiro [3].

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).
Notas:

[1] - MEIFFERT, Jürgen. Zensurpost in Brasilien. Katalog der Zensur-und Prüferstempel, Verschlusszettel und Zensur-Beanstandungszettel: 1917 - 1972. 2. ed. Lohmar: Arbeitsgemeinschaft BRASILIEN e.V. im BDPh e.V., 2012, p. 70.
[2] - Ibidem, p. 148 - 150.
[3] - Ibidem, p. 173.
 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dia do Selo Postal; Exposição "Selos do Mundo".

O selo postal e seu colecionismo são considerados "janelas para o mundo". Ou seja, o colecionador, o filatelista, atraído pelas características dos selos e documentos postais que coleciona, abre uma janela para um mundo de conhecimentos, que são adquiridos na medida em que ele se envolve com sua coleção de selos postais.

O álbum universal, o globo terrestre e a lupa são elementos recorrentes nas ilustrações sobre a filatelia, especialmente, em selos postais comemorativos, alusivos à efemérides ou exposições filatélicas. Juntos, eles reforçam a ideia de "janela para o mundo", de estudo e de novas descobertas que são inerentes à filatelia.

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Série de selos postais comemorativa ao "Dia do Selo Postal" e à exposição "Selos do Mundo", lançada em Berlim Ocidental no dia 7 de outubro de 1951, em dois valores, 10 e 20 Centavos, respectivamente, sobretaxados em 3 e 2 Centavos. A série circulou até 31 de outubro de 1954, com tiragens de 514 e 506 mil exemplares.

Mi, Berlin (West), 80. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Mi, Berlin (West), 81. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).




sábado, 4 de junho de 2016

Os "envelopes patrióticos" (patriotic covers).

Descrição do envelope.

Envelope circulado entre as cidades de New Waterford (Canadá, 01/07/1942) e de Porto Alegre (Brasil). Trânsito por Montreal (02/07/1942), onde, provavelmente, o envelope foi aberto e seu conteúdo verificado pelo serviço de censura postal. Correspondência sem marca de chegada ao Brasil, o que é estranho, pois se trata de uma carta registrada, conforme indica o carimbo roxo aplicado sobre a frente do envelope.

"V" de vitória.

Ainda em Montreal, foi fixada uma cinderela de propaganda de guerra sobre o verso do envelope. Nela, foi impressa uma imagem do então primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874 - 1965), com o seu tradicional gesto do "V" de vitória. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), o "V" foi usado tanto pelos Aliados quanto pelo Eixo, como por exemplo, os "V-Stempel" alemães aplicados sobre bilhetes, cartões e envelopes circulados. Ou, durante o contexto de ocupação da Holanda, o uso da letra "V" como um dos símbolos da resistência holandesa [1].

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Nota:

[1] - MARRES, Juliette. La Europa ocupada. In: HART, Basil Liddel; PITT, Barrie (orgs.). Asi fue la Segunda Guerra Mundial. Milão: Rizzoli Editore, 1972 (v. 2.).

sábado, 28 de maio de 2016

Os "envelopes patrióticos" (patriotic covers).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), as comunicações postais foram uma plataforma de comunicação importante. Desde cedo, elas não se limitaram à circulação de mensagens e objetos entre as populações civis e as forças combatentes. Os selos postais, os carimbos e os envelopes, por exemplo, foram meios através dos quais a motivação para o combate foi estimulada entre civis e militares, tanto para os Aliados quanto para o Eixo.

Os "envelopes patrióticos".

Nos Estados Unidos e no Commonwealth foi comum a produção e a circulação de um tipo de envelope, genericamente denominado "patriotic covers" ("envelopes patrióticos", em uma tradução livre para o português). Grosso modo, são envelopes ilustrados com desenhos feitos à mão ou impressos com temas patrióticos, em defesa da causa aliada contra os países do Eixo. Estima-se que, nos EUA, entre 1939 e 1945, foram produzidos 12 mil tipos diferentes de "envelopes patrióticos", por seiscentos artistas [1]. Durante a 61a. venda sob oferta, a empresa Neumann Filatelia ofereceu um lote (18.308) com cinco envelopes patrióticos circulados entre as cidades de New Waterford (Canadá) e Porto Alegre (Rio Grande do Sul) [2]. O lote foi arrematado pelo autor e será descrito, contextualizado e publicado a partir desta postagem.

Descrição do envelope.

Patriotic cover circulado entre as cidades de New Waterford (Canadá, 22/05/1944) e Porto Alegre (Brasil, 02/08/1944). Carta registrada e com franquia mista de 14 Centavos de Dólar Canadense. Trânsito pelas cidades canadenses de Ottawa (24 e 25/05/1944) e Montreal (26/05/1944). Correspondência aberta e verificada pela censura postal canadense.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Notas:

[1] - SWAIN, Steve. World War II patriotic covers ans postmarks - Pennsylvania philatelic novelties. Pennsylvania postal historian, v.42, n. 3, p. 19-20, ago. 2014.
[2] - NEUMANN FILATELIA. 61a. Venda sob ofertas: 07 de maio de 2016. s.n.t., p. 146.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Eu coleciono selos postais há muito tempo. Uma das inúmeras lições que aprendi ao longo dos anos, é que há itens que eu tenho certeza que vou encontrar. Trata-se, de uma questão de dinheiro ou de tempo. Porém, existem coisas que eu nunca imagino que irei encontrar.

Recentemente, minha esposa e eu visitamos a cidade de Lisboa, em Portugal. Era o final de uma tarde de Segunda-Feira e voltamos cedo de um passeio em Sintra. O hotel onde estávamos hospedados ficava próximo a uma filatélica chamada Filatelia do Chiado. Eu pretendia visitá-la durante a manhã do dia seguinte, contudo, como ainda era cedo, por volta de 17 horas, resolvi antecipar minha visita e ver o que os seus proprietários tinham a oferecer em selos e, principalmente, itens de história postal.

Fui muito bem atendido por uma senhora que, rapidamente, me passou algumas caixas com bilhetes, cartões e envelopes circulados diversos. Enfim, caixas com dezenas de itens circulados de vários temas e naturezas, coisas para "garimpar". Após uma hora vasculhando aquelas caixas, encontrei um belo bilhete postal brasileiro circulado. Segundo a catalogação feita por Peter Meyer (2012), é o BP - 149, lançado em fevereiro de 1935 e pertencente à série denominada "Desenho Fantasia Marajoara e Flores".

O destino do bilhete postal era a capital alemã, a cidade de Berlim. Porém, o município onde ele foi despachado foi uma grande surpresa. Sobre o bilhete, foi fixado um selo postal regular, no valor de 400 Réis, como uma franquia complementar, sendo aplicado sobre ele,  um carimbo datador, limpo e nítido, que chamou a minha atenção. Curioso, olhei melhor e me deparei com o nome Joinville! Um tanto incrédulo, olhei o verso do bilhete, sobre o qual uma curta mensagem em língua alemã foi manuscrita, e confirmei sua origem: "Joinville, 26 de fevereiro de 1938".

Caramba, o mundo não é pequeno, mas nanoscópico! Eu atravessei o oceano Atlântico para, em uma casa filatélica em Lisboa, encontrar um bilhete postal circulado entre a minha cidade, Joinville, e Berlim. O remetente é um certo Nivaldo Detori, na época, residente na Rua Visconde de Taunay, número 299. Poxa, passei a minha adolescência naquela rua! De volta ao hotel, contei o fato à minha esposa. Ficamos um bom tempo especulando como que este bilhete postal acabou indo parar em uma loja filatélica em Portugal. Uma boa conversa, acompanhada com um bom vinho português.

Figura 1: bilhete postal circulado entre as cidades de Joinville (Brasil, 28/02/1938) e Berlim (Alemanha, 01/04/1938). Correspondência simples, com franquia adicional de 400 Réis. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do bilhete postal, sobre o qual foi manuscrita uma curta mensagem em língua alemã. Durante a década de 1930, era comum nas cidades brasileiras de colonização alemã, os usos escrito e oral do idioma alemão. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Referência citada:

MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda, 2012.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

As revoltas na Silésia.

A invasão alemã à Polônia, em 1. de setembro de 1939, é considerada o começo da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Entretanto, os conflitos entre poloneses e alemães são anteriores à invasão e estão relacionados às demandas históricas na região e às transformações políticas sofridas no leste europeu, após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918.

Entre 1919 e 1921, ocorreram, na região da Alta Silésia, três grandes revoltas contra o domínio alemão sobre a região, na esperança de torná-la independente para uni-lá à Polônia. As "Revoltas na Silésia", como são conhecidas em língua portuguesa, fazem parte da memória e da história polonesas, sendo motivos de orgulho nacional. Porém, durante o começo da Segunda Guerra Mundial, elas serviram de mote para inúmeras chacinas praticadas pelos Einsatzgruppen da SS na Polônia.

Segundo o historiador Christian Ingrao (2015, p. 182):

"[...] a campanha da Polônia não é uma simples retomada das hostilidades; os grupos decerto perseguem os veteranos amotinados de 1919 [1920 e 1921] na Silésia e na Posnânia, mas essa prática tem naturalmente uma dimensão utilitária. Reprimir os ex-ativistas poloneses do movimento de 1919 é prevenir a formação de movimentos nacionalistas de resistência clandestina, é matar na semente toda veleidade de retomada do Volkskampf pelos poloneses".

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Selo postal comemorativo emitido pelos correios da Polônia, em 1971 (Scott # 1808) em comemoração ao aniversário de 50 anos da terceira revolta na Silésia (50 Rocznica III Powstania Slaskiego).


Referência:

INGRAO, Christian. Crer & destruir: os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.