domingo, 18 de fevereiro de 2018

Aniversário de 60 anos da Batalha de Stalingrado.

Existem na história da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) campanhas militares e batalhas travadas que se tornaram "icônicas", sendo recorrentes suas evocações nas diversas formas de narrativas sobre o conflito. A Batalha de Stalingrado, travada entre a segunda metade de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, é um exemplo dessas campanhas e batalhas icônicas da Segunda Guerra Mundial.

Em sua síntese sobre esse conflito, Antony Beevor narrou uma batalha dramática e medonha tanto para as forças armadas do Eixo quanto para o Exército Vermelho. Localizada na margem ocidental do rio Volga, hoje, a antiga cidade de Stalingrado, fundada em 1589, chama-se Volgogrado. Em 24 de novembro de 1942, Hitler ordenou que ela resistisse ao cerco soviético custe o que custar [1].

O bloco que faz parte desta postagem foi lançado pelos correios da Rússia em 4 de outubro de 2002 e celebra o aniversário de 60 anos da Batalha de Stalingrado. Ele faz parte de outras emissões alusivas ao aniversário de 60 anos do final de Segunda Guerra Mundial, comemorado em 2005. Um mapa serviu como pano de fundo, sobre o qual foi feita uma fotomontagem (figura 1).

Figura 1: Scott, Rússia, 6721. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Entre os elementos da fotomontagem, destaca-se a estátua "A Mãe Pátria Chama", localizada na colina de Mamayev Kurgan, no Centro de Volgogrado. Ela foi inaugurada em 1967 e também é conhecida como "A Pátria", segundo informa Richard Overy [2]. A estátua é colossal, com 85 m de altura e 7.900 toneladas. Na base de sua colina, uma escadaria com 200 degraus, alusivos aos duzentos dias que o cerco do Exército Vermelho em torno de Stalingrado durou [3].

Beevor estima em 1,1 milhão de baixas soviéticas em Stalingrado, enquanto que as forças armadas da Alemanha e seus aliados sofreram meio milhão, entre capturados e mortos. "Em  Moscou, os sinos do Kremlin repicaram com a vitória. Stalin foi saudado como o grande arquiteto da vitória histórica. A reputação da União Soviética cresceu em todo mundo e atraiu muitos recrutas para os movimentos de resistência liderados por comunistas" [4].

Notas:

[1] - BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 437.
[2] - OVERY, Richard. A contraofensiva aliada: os aliados avançam na África e na Rússia. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2014, p. 18 (Coleção Folha as Grandes Guerras Mundiais; v. 15).
[3] - Ibidem, idem, p. 18.
[4] - BEEVOR, Antony. op. cit., p. 450.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Você sabe o que é um "inteiro postal"?

Os selos não são os únicos itens colecionados e estudados pelos filatelistas. Existe um tipo de material de comunicação postal muito apreciado pelos colecionadores, denominado "inteiro postal".

Mas, você sabe o que é um "inteiro postal"?

Trata-se de um meio de comunicação, que reúne, em um único objeto, o suporte em que a mensagem será enviada (e escrita, em alguns tipos de inteiros) e o selo impresso com o valor referente ao porte ao qual ele está destinado. Daí, ele ser pré-selado.

Os primeiros inteiros postais foram emitidos durante o século XIX. No Brasil, eles surgiram durante o final do Segundo Reinado, a partir da década de 1880. Segundo Peter Meyer, há diversos tipos de inteiros postais, tais como aerogramas, bilhetes e cartões postais, cartas-bilhete, cartas pneumáticas, cintas, envelopes, envelopes para valores e mensagens [1].

Eles podem ser emitidos de forma regular ou comemorativa, como é o caso do envelope pré-selado que faz parte desta publicação, lançado em comemoração ao aniversário do Dia da Vitória, comemorado na Bielorrússia em 9 de maio (figura 1).

Figura 1: frente do envelope pré-selado. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Geralmente, os inteiros postais comemorativos são decorados com fotografias e ilustrações impressas. Essa característica torna os inteiros peças filatélicas utilizadas em coleções temáticas.

Nota.

[1] - MEYER, Peter. Catálogo de selos do Brasil 2013: completo de 1648 - 2012. 58. ed. São Paulo: Editora RHM Ltda., 2012, p. 251.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Aniversário de 25 anos do final da Segunda Guerra Mundial.

Você já ouviu falar em um país chamado Granada? Em língua inglesa, ele é conhecido como Grenada. Trata-se, de uma nação insular localizada no Caribe, cuja capital é a cidade de Saint George´s. Granada é um país minúsculo, com uma área de 344 km2 e uma população estimada em 110 mil habitantes. A população do município em que moro, São Bento do Sul, é quase a população de Granada. Esse país faz parte da Commonwealth, a Comunidade Britânica de Nações, daí suas referências ao patrimônio cultural britânico presentes em suas emissões de selos postais.

Aniversário de 25 anos do final da Segunda Guerra Mundial.

Em 3 de setembro de 1970, os Correios de Granada lançaram uma série de selos postais alusiva ao aniversário de 25 anos do final da Segunda Guerra Mundial. Sob a numeração Scott. 373 - 378, a série é formada por seis valores, que retrataram os principais líderes militares e políticos aliados ao lado de ilustrações a respeito de importantes fatos acerca da Segunda Guerra Mundial, como por exemplo, o Marechal Zhukov e a queda de Berlim, e o General Charles de Gaulle e a libertação de Paris.

Figura 1: bloco com os selos 373, 375, 377 e 378. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Quatro valores da série, Scott 373, 375, 377 e 378, foram transformados em um bloco, cujo exemplar que pertencente à coleção do autor ilustra esta postagem. Nele, embora todas bandeiras das potências aliadas vencedoras do conflito estejam impressas, predomina uma memória anglo-americana, com as imagens de líderes militares e políticos dos Estados Unidos e da Inglaterra e eventos militares relacionados aos seus respectivos países.

domingo, 10 de dezembro de 2017

"Para a Cruz Vermelha alemã".

Certamente, a Cruz Vermelha, seja uma das entidades humanitárias internacionais mais conhecida entre as pessoas. No "mundo muçulmano", ela é conhecida como "Crescente Vermelho". Ela foi fundada na cidade de Genebra, na Suíça, por Jean-Henri Dunant, em 1863. Atualmente, a organização tem um total aproximado de 97 milhões de voluntários.

A Cruz Vermelha é um tema recorrente em inúmeras emissões comemorativas, em diversos países, entre os quais, o Brasil. Fora a quantidade incomensurável de carimbos, cinderelas, flâmulas, inteiros e demais documentos postais relacionados ao assunto, especialmente, em contextos de conflitos militares, como por exemplo, a Segunda Guerra Mundial.

"Para a Cruz Vermelha alemã".

O item que faz parte desta postagem é um envelope circulado entre as cidades de Praga (República Tcheca, ??/??/1940) e Salzwedel (Alemanha, 02/07/1940). Trata-se, de uma carta registrada com "pagamento na contra entrega", Nachnahme - como é conhecido o sistema na língua alemã. Ele equivale ao nosso sistema de reembolso postal

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

As taxas referentes ao porte, ao registro e ao reembolso foram pagas através da aplicação de um conjunto de selos postais regulares e comemorativos, emitidos pelos correios do Protetorado da Boêmia e Morávia. Entre os selos fixados, está a série comemorativa "Rotes Kreuz", formada por dois valores, 60 Centavos e 1,20 Coroas, lançada em 29 de junho de 1940 [1].

Ambos valores foram sobretaxados, respectivamente, 40 e 80 Centavos. Ou seja, além de pagar o valor facial para o porte, o remetente pagou um valor extra, destinado para a Cruz Vermelha alemã, daí o sentido da sua emissão. Trata-se, de uma série muito bem produzida, com apêndices sobre os quais foi impressa em alemão e tcheco a seguinte frase: "Para a Cruz Vermelha alemã", além do símbolo da Cruz Vermelha nazificado.

Böhmen und Mähren.

Protetorado da Boêmia e Morávia foi um dos territórios europeus sob o controle alemão entre 1935 e 1945, nos contextos do expansionismo territorial da Alemanha na Europa e da Segunda Guerra Mundial. As primeiras emissões postais ocorreram em 15 de julho de 1939, com selos regulares da Tchecoslováquia com sobre estampas. Já a última emissão, foi lançada em 01 de fevereiro de 1945, um selo regular com a efígie de Adolf Hitler [2].

Entre 1939 e 1945, foram emitidas três séries de selos postais comemorativos e com sobretaxa para a Cruz Vermelha alemã, respectivamente, em 29 de junho de 1940 (Mi., 53-54), 20 de abril de 1941 (Mi., 62-63), 01 de setembro de 1942 (Mi., 111-112) e 16 de setembro de 1943 (Mi., 132) [3].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-katalog in farbe 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 107.
[2] - Ibidem, p. 109.
[3] - Ibidem, p. 107 - 109.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Cartões postais patrióticos japoneses.

Os primeiros cartões postais foram introduzidos no Japão, durante o final do século 19, junto com os selos postais, no contexto de modernização e ocidentalização japonesas, conhecido como Restauração ou Revolução Meiji. Rapidamente, os cartões postais foram reconhecidos como meios de propaganda ideológica, de difusão dos valores morais e políticos do Estado japonês [1].

Entre a Guerra Russo-Japonesa (1904 - 1905) e a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), foram produzidos inúmeros cartões postais patrióticos para as forças armadas do Japão, como por exemplo, o que faz parte desta postagem (figura 1). Os estilos e os temas das ilustrações desses cartões postais foram variados, revela John Adcock [2].

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Segundo esse autor, "as tropas do Japão, geralmente, preferiam mais representações artísticas de tropas no terreno da selva e cenas pacíficas e bucólicas de paisagens e edifícios chineses"[3].

A ocupação japonesa na China.

Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937 - 1945) foi um conflito militar protagonizado pela China e pelo Japão, cujas origens estão situadas no declínio da monarquia chinesa e no expansionismo japonês no Extremo Oriente. A guerra foi travada na China continental a partir da invasão e ocupação nipônicas [4].

O conflito foi marcado por vitórias militares e massacres contra civis chineses, perpetrados pelos invasores, como por exemplo, o infame Massacre de Nanquim, em 1938. A seu respeito, Antony Beevor narra que:

"Os chineses certamente tinham uma ideia da violência do inimigo, mas não conseguiram imaginar o grau de crueldade que viria" [5]. O autor prossegue e revela que: "Os edifícios da cidade foram saqueados e incendiados. Para escapar dos assassinatos, estupros e destruição, civis tentaram se abrigar na 'zona de segurança internacional'" [6].

Nos territórios ocupados, foram criados Estados fantoches, tais como Manchukuo, localizado no nordeste da China, na região histórica da Manchúria, entre 1932 e 1945. A partir do final de 1941, com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o conflito foi absorvido pela Guerra do Pacífico, encerrada com a rendição incondicional japonesa, em 1945 [7].

Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, foram mobilizados mais de 10 milhões de homens e mortas mais de 20 milhões de pessoas, entre civis e militares [8].

Notas:

[1] - http://john-adcock.blogspot.com.br/2012/08/wartime-japanese-postcards.html
[2] - Ibidem.
[3] - Ibidem.
[4] - Ibidem.
[5] - BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 76.
[6] - Ibidem, p. 76.
[7] - https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Sino-Japonesa
[8] - Ibidem.

sábado, 25 de novembro de 2017

Coleta para o esforço de guerra na cidade de São Paulo.

2017 é o ano do centenário da declaração brasileira de guerra contra o Império Alemão, ocorrida em 26 de novembro de 1917, durante o governo do presidente Wenceslau Braz, após o afundamento do navio Macau, pelo submarino alemão U-93 [1].

O ataque e afundamento do Macau foi o ápice de um conjunto de ataques contra embarcações brasileiras desde o começo de abril de 1917, quando o Paraná foi afundado pelo submarino UB-32, sob o comando do "Kapitänleutnant" Max Vieberg [2].

Embora pouco divulgada entre o público brasileiro, a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) produziu diversos impactos econômicos, militares e políticos no Brasil, especialmente, se levarmos em consideração a colonização europeia no país.

Propaganda de guerra.

O cartão postal que faz parte desta publicação (figura 1) é um exemplo de como que os estrangeiros residentes no Brasil da época foram envolvidos com a guerra na Europa. Alistamentos de voluntários e arrecadação de fundos estiveram na ordem do dia [3].

Figura 1: frente do cartão. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Segundo a coleção "Nosso Século" [4], este cartão postal foi oferecido como um meio de arrecadação de fundos entre os membros das comunidades teuto-brasileiras na cidade e no Estado de São Paulo.

"27 de janeiro de 1917.
"Que ninguém diga: 'Eu já contribui'; nossas tropas também não dizem: 'Nós já lutamos'." Coleta para o esforço de guerra na cidade e Estado de São Paulo" [5].

Já no verso do cartão postal, foi impressa a seguinte mensagem:

"O Comitê executivo agradece por todas as doações recebidas e além disso pede que se lembre dos feridos bem como das viúvas e órfãos dos combatentes" [6].

Tal como aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, o "reconhecimento" do estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha gerou agressões e perseguições aos alemães e teuto-brasileiros residentes, principalmente, no sul do país. Possivelmente, após 26 de novembro de 1917, esse tipo de material produzido também serviu de combustível para inflamar essas agressões e perseguições, típicas de tempos de guerra, e que fazem parte da memória e história do Brasil.

Notas:

[1] - DARÓZ, Carlos. O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. São Paulo: Contexto, 2016, p. 101 - 103.
[2] - Ibidem, p. 89.
[3] - Reflexos da guerra. Nosso Século, São Paulo, sine die, p. 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] e [6] - As traduções da língua alemã para o português foram feitas pelo amigo e colega historiador Dilney Cunha (Joinville, SC).

sábado, 18 de novembro de 2017

50 anos da "Noite dos Cristais".

Há na filatelia alemã diversas referências à experiência história do nacional-socialismo e do genocídio judeu, ocorrido entre 1933 e 1945. Os selos postais emitidos pela antiga DDR, por exemplo, versam sobre a vitória sobre o fascismo, como mostra a emissão comemorativa de 5 de maio de 1960 (Mi., DDR, 764), alusiva ao aniversário de 15 anos da "Befreiung vom Faschismus" [1].

Em 13 de novembro de 1988, os correios da República Federal da Alemanha lançaram um selo postal comemorativo ao aniversário de 50 anos da "Noite dos Cristais" (Mi., BD, 1389), nome dado ao pogrom que ocorreu na Alemanha, em 9 de novembro de 1938. Trata-se de uma série formada por um selo, com o valor de 80 centavos [2] (figura 1).

Figura 1: selo Mi., BD, 1389. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

A "Noite dos Cristais".

Os pogroms são parte da história das práticas antissemitas na Europa desde o Medievo. A "Noite dos Cristais" (Reichscristallnacht), porém, está relacionada aos acontecimentos na Alemanha vinculados ao genocídio judeus entre 1933 e 1945. O massacre foi motivado pelo assassinato de Ernst vom Rath por Herschel Grynszpan, na embaixada da Alemanha, em Paris, no dia 7 de novembro de 1938 [3].

Rath não resistiu aos ferimentos e morreu durante a tarde de 9 de novembro. Esse fato desencadeou uma onda de violência contra as comunidades de judeus na Alemanha, que ficou conhecida como "A Noite dos Cristais". A violência foi intensificada durante a noite, em particular, após uma reunião entre Goebbels e líderes nazistas, em Munique [4].

Segundo Raul Hilberg, as "rebeliões se espalharam com a velocidade de um relâmpago. A formação da SA enviou suas brigadas para sistematicamente incendiar todas as sinagogas do país" [5]. O autor avaliou que a "Noite dos Cristais" foi um divisor de águas nas primeiras etapas históricas do genocídio judeu. Até então, predominou, basicamente, um processo legal de exclusão dos judeus da cultura, economia, política e sociedade alemãs [6].

Notas:

[1] - MICHEL. Junior-Katalog 2010: der kleine Deutschland-katalog in farbe. München: Schwaneberger Verlag GMBH, 2010, p. 192.
[2] - Ibidem, p. 450.
[3] - HILBERG, Raul. A destruição dos judeus europeus. Barueri: Amarilys, 2016, p. 38 - 39.
[4] - Ibidem, p. 39.
[5] - Ibidem, p. 39.
[6] - Ibidem, p. 29 - 38.